DOS EDITORES

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Em seu famoso discurso de Gettysburg, feito em 1863 durante a Guerra Civil Norte-Americana, o presidente Abraham Lincoln falou sobre a importância do "governo do povo, pelo povo e para o povo". Lincoln, da mesma forma que os Fundadores que escreveram a Constituição dos Estados Unidos, acreditava que, para que o povo governe, o governo deve ser responsável - não apenas através de eleições, mas também através de um sem número de salvaguardas, algumas das quais incorporadas à Constituição, muitas das quais evoluíram lentamente à medida que os norte-americanos adquiriam maior consciência do que envolve o seu compromisso com a democracia.

Nesta publicação eletrônica, exploramos as ramificações da responsabilidade governamental em uma democracia moderna. Um tema central da publicação destaca que uma constituição escrita que assegure a responsabilidade é uma garantia insuficiente; que a promoção de um governo responsável também requer uma nova dedicação de propósitos por parte de cada geração, em resposta a circunstâncias modificadas. O governo norte-americano, por exemplo, é hoje muito mais democrático, muito mais responsável que na época da formação da República, mais de 200 anos atrás. Mas como isso aconteceu? Quais mudanças foram feitas, e de que forma? Estas são as questões essenciais exploradas nas páginas a seguir.

Em nosso artigo principal, Robert S. Barker, professor de Legislação da Faculdade de Direito da Universidade de Duquesne, examina os componentes fundamentais da responsabilidade no sistema norte-americano. Ele discute a separação dos poderes entre o judiciário, o legislativo e o executivo; os mandados judiciais; e o "Bill of Rights", especialmente a primeira emenda, que garante a liberdade de expressão. Apesar do bom trabalho dos Fundadores, Barker conclui que a garantia da responsabilidade do governo, como a garantia da liberdade, "exige eterna vigilância".

A manutenção de um governo responsável, entretanto, é difícil sem informações essenciais e sem a capacidade de determinar a conduta oficial. Esta é uma razão fundamental por que as ações governamentais devem ser transparentes ao máximo possível. A importância da transparência e do governo aberto é explorada em um artigo de Robert Vaughn, professor de Legislação da Faculdade de Direito de Washington, da Universidade Americana. Ele discute as leis de liberdade de informação da nação, que foram aprovadas em passado relativamente recente na história do país, as leis "da luz do sol" (Leis Sunshine)que exigem governo aberto, as leis de proteção aos "denunciantes" e o papel da proteção privada e garantia da ética.

Mesmo que uma dada administração tenha os mais altos princípios, ou que os cidadãos individuais sejam muito persistentes ao fiscalizarem seu governo, os "cães de guarda" externos tornaram-se instrumento essencial na supervisão das ações governamentais. Robert Schmuhl, presidente do Departamento de Política Norte-Americana e professor de Estudos Norte-Americanos da Universidade Notre Dame, discute o papel de diversas organizações não-governamentais (ONGs) no desempenho deste importante papel de supervisão. Ele enfatiza a imprensa (uma imprensa diversificada), mas também discute o papel de grupos de defesa pública, como a Causa Comum.

Os "denunciantes", aqueles indivíduos destemidos que estão dispostos a arriscar sua reputação e condições de vida para expor condutas ilegais do governo, há muito tempo tornaram-se uma característica do cenário norte-americano. Infelizmente, alguns realmente pagaram um alto preço pelo seu compromisso com a integridade do governo; uma das principais razões da aprovação da Lei de Proteção aos "Denunciates" de 1989. Thomas Devine, diretor legal do Projeto de Responsabilidade Governamental (GAP), um grupo de interesse apartidário e sem fins lucrativos que protege os direitos de funcionários que "informara" sobre ações ilícitas do governo, discute a legislação em uma entrevista com o editor colaborador David Pitts. Devine não deixa dúvida sobre a sua crença de que a legislação de proteção aos assobiadores seria benéfica a todas as democracias, não apenas aos Estados Unidos.

Nenhum governo, por mais democrático ou eficiente que seja, pode ser eficaz por muito tempo caso seja corrupto; se as instituições ou os indivíduos não tiverem integridade e forem motivados por interesse próprio e lucros privados, em lugar do bem público. Jane S. Ley, vice-diretora de Relações Governamentais e Projetos Especiais do Escritório de Ética Governamental dos Estados Unidos, explora a questão vital da ética no governo. Ela discute a estrutura legal que evoluiu ao longo dos anos para fomentar a conduta ética, lidando com temas como códigos de conduta, conflitos de interesse e revelações financeiras. Ela conclui que o sistema vigente, elaborado como é hoje, "necessitará continuar a adaptar-se a novos desafios".

Um dos legados do Movimento Progressista, período de grandes mudanças sociais no começo do último século, dedicado a tornar os Estados Unidos mais democráticos, foi a adoção de consultas populares por número crescente de Estados. Esta foi uma experiência de democracia direta ou responsabilidade direta, que permitiu aos cidadãos não somente eleger seus representantes, mas decidir questões diretamente. Atualmente, 26 dos 50 Estados permitem consultas populares. O editor colaborador David Ritts analisa um caso em particular: uma recente consulta popular no Condado de Lee, na Flórida. Ele explica como as consultas populares funcionam na prática e discute os prós e os contras dessas consultas, especialmente do ponto de vista constitucional.

A publicação conclui com diversas fontes de referência: livros, artigos e "sites" na Internet que oferecem análises adicionais sobre a questão vital da responsabilidade governamental.

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