eJournal USA: Issues of Democracy

Como Vencer nos Estados

Elections Guide 2004

A campanha presidencial concentra-se com maior ênfase em alguns Estados porque a Constituição dos EUA instituiu o sistema de colégio eleitoral no lugar do voto popular direto. O presente artigo explica como funciona essa instituição, e o comentário seguinte de Charlie Cook analisa os números da eleição deste ano. Cook é o responsável pela edição e publicação do boletim informativo Cook Political Report.

President Bush and Senator Kerry Campaigning
Presidente George Bush cumprimenta simpatizantes numa parada de campanha no dia 6 de agosto
em Stratham, New Hampshire (Foto: AP/Charles Dharapak)
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Partidários dão as boas-vindas ao senador John Kerry em um comício no dia 21 de setembro
em Orlando, Flórida (Foto: AP/Peter Cosgrove)

No dia da eleição, quando os eleitores norte-americanos preencherem suas cédulas de votação com o nome do seu candidato presidencial favorito, eles estarão na verdade votando em um grupo de eleitores estaduais, ou seja, nos delegados do Estado. Esses delegados estão comprometidos a votar naquele candidato no Colégio Eleitoral, o corpo de representantes que realmente elege o presidente e vice-presidente.

Criado nos primórdios da República, o Colégio Eleitoral é formado atualmente por 538 membros. Cada um dos Estados é representado por um número de delegados igual ao total de senadores e deputados desse Estado no Congresso. Entretanto, o Distrito de Colúmbia, que não tem representação no Congresso, tem direito a três votos eleitorais. O candidato que ganha a Presidência é o que obtém a maioria absoluta (270 no mínimo) dos referidos votos.

Nesse sistema eleitoral, é possível chegar à Presidência sem vencer no voto popular. O exemplo mais recente disso aconteceu em 2000, mas isso também ocorreu na história dos Estados Unidos em três outras ocasiões. Essa anomalia acontece porque praticamente todos os Estados adotam o sistema de o “vencedor leva tudo” de forma que o candidato eleito pelo voto popular no Estado obtém todos os seus delegados no Colégio Eleitoral. As únicas exceções são os Estados de Maine e Nebraska, onde dois delegados são escolhidos pelo voto popular em todo o Estado e os restantes, pelo voto popular em cada distrito congressional.

Vice President Dick Cheney
Vice-presidente Dick Cheney fala em um comício no dia 20 de setembro em Grove City, Ohio.
(Foto: AP/Jay Laprete)

Por conseguinte, cada Estado é uma disputa separada, e o que determina quem vai ocupar a Casa Branca não é o número total de votos nacionais, mas o número de votos eleitorais obtidos pelo candidato. Assim, os candidatos não apenas devem realizar uma campanha nacional na qual suas mensagens são divulgadas pelos meios de comunicação de massa do país, mas também dedicar-se a campanhas estaduais, mais voltadas para temas e problemas locais e regionais.

Muitos Estados, em virtude do seu perfil demográfico ou econômico, favorecerão um determinado candidato ou partido de forma bastante previsível. Nos últimos anos, tem havido uma ampla discussão sobre os chamados Estados vermelhos e azuis, ou seja, os Estados em que uma ampla maioria tende a votar nos Republicanos (vermelhos) ou nos Democratas (azuis). Os mapas que ilustram essas diferenças mostram a maioria dos Estados azuis nas costas leste e oeste e a maioria dos Estados vermelhos no sul e na região central do país. Os Estados nos quais a disputa é imprevisível – chamados campos de batalha eleitoral ou Estados decisivos – tendem a atrair para si muitos dos recursos de ambas as campanhas.

Esses campos de batalha eleitoral, nos quais poucos pontos percentuais separam os candidatos, podem mudar de uma eleição para outra ou mesmo durante o mesmo período eleitoral. Os especialistas concordam que, em 2004, serão 10 os Estados decisivos: Flórida, Ohio, Pensilvânia, Iowa, Minnesota, New Hampshire, Novo México, Oregon, Virgínia Ocidental e Wisconsin. Juntos, esses 10 Estados representam 116 dos 270 votos eleitorais necessários para vencer.

Os estrategistas da campanha devem calcular o quanto de tempo e dinheiro um candidato precisa gastar em um determinado Estado para ter maiores chances de sucesso. Em 2004, o presidente George Bush e o senador John Kerry fizeram várias visitas a campos de batalha eleitoral como Pensilvânia e Ohio durante a campanha. Além dos próprios candidatos, seus companheiros de chapa para a Vice-Presidência, membros da família e outros representantes qualificados, como políticos populares do próprio lugar, pronunciaram discursos em favor das campanhas nos vários Estados.

Em uma corrida apertada, o comparecimento dos eleitores é decisivo. Assim, as bases dos dois candidatos organizam as chamadas campanhas de comparecimento às urnas para identificar seus partidários, para identificar simpatizantes e fazê-los votar no dia da eleição ou estimulá-los a antecipar o voto e enviar pelo correio as cédulas para eleitores ausentes. Ambos os partidos possuem programas de registro de eleitores destinados especialmente a comunidades propensas a votar em seus candidatos.

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Influência do Colégio Eleitoral
Comentário de Charlie Cook

Se os Estados Unidos tivessem uma grande eleição nacional, com o presidente eleito pelo voto popular, os candidatos concentrariam todos os seus esforços eleitorais nas principais cidades e não teriam interesse em realizar uma campanha verdadeiramente nacional, ignorando totalmente Estados menores.

O sistema de colégio eleitoral foi instituído para criar 51 (50 Estados mais o Distrito de Colúmbia) disputas separadas, com a atual eleição exibindo campos de batalha eleitoral tão diferentes quanto New Hampshire no nordeste, Novo México e Nevada no sudoeste e Flórida no sudeste (todos os três Estados com populações hispânicas consideráveis) e Estados industriais como Pensilvânia e Ohio, bem como Estados mais diversos com grandes populações agrícolas como Iowa, Minnesota e Wisconsin.

Este sistema também obriga os candidatos a realizar campanha “no varejo”, fazendo aparições públicas até mesmo em pequenas cidades, algo que certamente não ocorreria em uma eleição nacional. O referido sistema faz com que a campanha deixe de ser um evento puramente televisivo e força uma interação com o eleitor em um cenário mais próximo dele.

Atual estado do jogo

Existem atualmente 24 Estados, totalizando 208 votos eleitorais, que com toda probabilidade e convicção devem pertencer às fileiras do presidente George Bush. São eles: Alabama (9), Alasca (3), Arizona (10), Arkansas (6), Geórgia (15), Idaho (4), Indiana (11), Kansas (6), Kentucky (8), Louisiana (9), Mississipi (6), Missouri (11), Montana (3), Nebraska (5), Carolina do Norte (15), Dakota do Norte (3), Oklahoma (7), Carolina do Sul (8), Dakota do Sul (3), Tennessee (11), Texas (34), Virgínia (13), Utah (5) e Wyoming (3).

Existem 13 Estados que irão com toda probabilidade ou certamente para o lado do senador John Kerry, com um total de 179 votos eleitorais. São eles: Califórnia (55), Connecticut (7), o distrito de Colúmbia (3), Delaware (3), Havaí (4), Illinois (21), Maryland (10), Massachusetts (12), Nova Jersey (15), Nova York (31), Rhode Island (4), Vermont (3) e Washington (11).

Existem atualmente três Estados que tendem a apoiar Kerry e possuem um total de 28 votos eleitorais: Maine (4), Michigan (17) e Oregon (7).

Dos 50 Estados, mais o distrito de Colúmbia, que votam em 2 de novembro, existem atualmente 11 Estados, com 123 votos eleitorais, que estão praticamente empatados. São eles: Colorado (9), Flórida (27), Iowa (7), Minnesota (10), Nevada (5), New Hampshire (4), Novo México (5), Ohio (20), Pensilvânia (21), Virgínia Ocidental (5) e Wisconsin (10). Um candidato deve ter um total de 270 votos para vencer no Colégio Eleitoral e, portanto, ganhar a eleição.

Antes do primeiro debate, as principais pesquisas mostravam Bush na dianteira de Kerry com uma margem de três a oito pontos percentuais (mais provavelmente seis pontos) em todo o país e uma média de quatro pontos de vantagem nos Estados onde a disputa está praticamente empatada. Bush estava à frente por uma estreita margem em sete ou oito dos Estados decisivos.

Novas pesquisas feitas após o primeiro e segundo debates mostraram a “corrida empatada” do ponto de vista estatístico, isto é, nenhum dos dois candidatos tinha uma vantagem clara sobre o outro.

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As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA.

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