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Pesquisas Eleitorais: Por Que não Podemos Viver sem ElasJohn Zogby
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Eu ganho a vida fazendo perguntas, então eis algumas: O que significam as pesquisas realizadas muitos meses antes de uma eleição? Elas fazem previsões ou são apenas leituras barométricas? Com toda a atual discussão sobre aquecimento global, seriam os americanos (e aqueles que acompanham as eleições americanas) vítimas da "poll-uição", isto é, do excesso de pesquisas ("polls") no domínio público? Podemos passar sem as pesquisas de opinão pública? Tentarei responder a cada uma dessas perguntas. O que significam as pesquisas realizadas muitos meses antes de uma eleição? Elas fazem previsões ou são apenas leituras barométricas? A melhor metáfora em que posso pensar sobre o valor das pesquisas prévias é a de uma pessoa que estabelece a meta de perder peso até novembro de 2008. Essa pessoa deve evitar a balança durante meses ou deve tentar medir seu progresso de tempos em tempos? As pessoas que tentam perder peso são, em sua maioria, como os políticos profissionais e os aficionados da política. Querem informações constantes. Certamente a pessoa de dieta não tem garantia de que atingirá sua meta na data desejada, mas os relatórios de progresso representados pelas pesquisas fornecem argumentos para que se esforce mais ou coma uma fatia de bolo de chocolate de vez em quando. As pesquisas prévias podem fornecer dados muito mais ricos do que simplesmente mostrar que candidatos estão na frente na disputa eleitoral. Quais são os problemas mais importantes em um determinado momento? Eles mudarão e terão de ser considerados? As pesquisas prévias também retratam a disposição geral do público. O povo está satisfeito com o rumo que o país está tomando ou, como costumamos dizer, "estamos no caminho errado"? Essas leituras são muito importantes. As pesquisas simplesmente acrescentam ciência àquilo que os candidatos vêem e o povo sente — satisfação, ressentimento, raiva, frustração, confiança — ou até mesmo desespero. É importante entender que os pesquisadores investigam mais do que sentimentos unidimensionais ou opiniões momentâneas sobre coisas que os eleitores nem sempre compreendem. A boa pesquisa tenta definir os valores que os eleitores atribuem a problemas específicos. Os valores não são fugazes. Pelo contrário, são arraigados e sagrados. E muitas vezes as pessoas podem ser contraditórias em seus próprios valores. O mesmo eleitor pode achar que a guerra no Iraque está indo mal porque está causando morte e destruição desnecessárias — mas também se preocupa com a honra e a integridade dos Estados Unidos. Depende dos candidatos e de seus orientadores profissionais cunhar símbolos e mensagens apropriados para convencer os eleitores a superar seus conflitos interiores. É por isso que a pesquisa eleitoral é valiosa; ela ajuda a determinar as mensagens mais comunicativas e os temas a serem enfatizados.
Na mesma linha, aprendi nessas três décadas como pesquisador de opinião pública que, nas campanhas políticas, muitas vezes as maiorias importam menos do que a intensidade dos sentimentos sobre questões fundamentais. Vamos examinar por um momento as questões mais importantes para a disputa presidencial de 2008. Em primeiro lugar indiscutivelmente está a guerra no Iraque. Cerca de três em cada cinco eleitores citam essa questão como a principal para eles. Ao mesmo tempo que a maioria dos democratas (mais de 80%) e muitos independentes (mais de 60%) faziam oposição à guerra em 2004, os republicanos a apoiavam com a mesma intensidade. Então o presidente Bush descobriu que a guerra não o afligia tanto depois que a relacionou com a guerra contra o terrorismo — algo que a maioria dos eleitores o considerava mais capaz de resolver do que seu oponente democrata, o senador John Kerry. Mas em 2005, não apenas o apoio conservador dos republicanos ficou mais fraco como também uma sólida minoria de membros do Partido Libertador e de republicanos moderados começou a fazer oposição ao presidente. A guerra contra o terrorismo é a segunda questão mais importante e dá uma boa idéia da dinâmica da opinião pública. Quando foi reeleito em 2004, Bush foi considerado mais capaz de lidar com essa questão do que Kerry, por 67% contra 24%. Em 2005, os democratas estavam quase empatados com os republicanos na opinião do público sobre sua capacidade de combater o terrorismo. Mas à medida que nos aproximamos de 2008, observamos que os democratas não estão preparados para ganhar dos republicanos nessa questão porque não têm apoio suficiente dos eleitores para chegar à vitória. Pelo menos por enquanto. Nas últimas eleições, as questões mais polêmicas foram sobre "Deus, armas e gays". Mas os republicanos podem estar perdendo vantagem, porque os eleitores estão se voltando para outras questões, tais como o Iraque e o sistema de saúde, que geram insegurança, raiva e frustração — reações típicas de emoções muito intensas. O que promete ser uma questão polêmica em 2008 é a imigração. Nesse assunto, a pesquisa é instrutiva. Os americanos são contra a imigração ilegal, mas acham justo ter um caminho para a cidadania para aqueles que já estão nos Estados Unidos. Desejam maior controle nas fronteiras, mas não querem gastar centenas de milhões de dólares na construção de um muro entre Estados Unidos e México. No entanto, assim como acontece na guerra com o Iraque, essa questão não foi tão influenciada pelas maiorias que apóiam ou combatem várias medidas, mas sim pela intensidade do apoio ou da oposição de um número relativamente pequeno de eleitores. Os republicanos mais uma vez estão em posição difícil para enfrentar esse problema. Os candidatos republicanos à Presidência e ao Congresso estão entre as vozes mais altas e mais conservadoras que se opõem a qualquer esforço para legalizar aqueles que já estão no país ilegalmente e o número cada vez maior de eleitores hispânicos alienados pelos esforços para a construção de um muro ao longo da fronteira sul. Considerem estes números: os hispânicos eram 4% dos 92 milhões de eleitores nas eleições de 1992, 5% dos 95 milhões de eleitores em 1996, 6% dos 105 milhões de eleitores em 2000 e 8,5% dos 122 milhões de eleitores em 2004. E, como porcentagem do eleitorado americano, continuam a crescer a uma velocidade maior que a da população geral. Quando o presidente Bush recebeu 40% dos votos hispânicos de 2004 (até 5 pontos a mais que em 2000), estava obtendo uma fatia muito maior de um bolo muito maior. Em decorrência principalmente da questão da imigração (junto com o Iraque e a economia), a participação do Partido Republicano nas eleições parlamentares de 2006 caiu para 28% do total de votos. Os republicanos sofreram uma enorme derrota. Com as pesquisas prévias mostrando que eles estão em desvantagem entre os hispânicos no ciclo eleitoral de 2008, os republicanos têm pela frente uma escolha difícil na questão da imigração. Há “poll-uição”? Na década de 1960, as organizações de pesquisa eram os institutos Gallup e Harris. Na década de 1970, as principais redes de televisão se juntaram aos grandes jornais. Em 1992, as pesquisas importantes ainda eram poucas. As razões para as pesquisas independentes e da mídia eram claras. Ao estabelecer um registro público dos resultados de levantamentos feitos por fontes independentes fidedignas, elas funcionavam como uma verificação contra abusos cometidos por candidatos coniventes que podiam alegar estar em posição melhor simplesmente por liberar informações falsas para confundir o público e possíveis colaboradores.
Com a explosão das redes de notícias a cabo e de outros novos meios de comunicação, as pesquisas de opinião pública proliferaram. Houve pelo menos duas dezenas de pesquisas independentes no domínio público em 2006 — e esse número vem crescendo. Assim, a verdadeira questão é se há ou não excesso de veículos de notícias e de pesquisas eleitorais. Até agora, os americanos parecem gostar das novas opções de notícias e das pesquisas extras. Eles querem sentir-se conectados, saber se suas opiniões são importantes ou não e ver como o seu candidato está se saindo entre o grande público — além de seu próprio círculo de amizades, cabeleireiros e barbeiros, lojas de conveniência, família e vizinhança. Mas esse número maior de pesquisas trás consigo mais responsabilidade para os pesquisadores, o público e a mídia. Nós que estamos nesta profissão temos a obrigação de lembrar aos americanos o que as pesquisas podem e o que não podem fazer. Sempre ouvimos dizer que estamos "fazendo previsões" cada vez que publicamos nossos achados, quando na verdade estamos apenas tirando um retrato de um momento no tempo, obtendo uma leitura métrica, representando o progresso em uma escala. Tudo pode acontecer entre o momento da pesquisa e a eleição, mesmo quando a pesquisa é feita na véspera da eleição. As pesquisas de opinião também não são perfeitas. Nós não entrevistamos todas as pessoas de um determinado universo da população, apenas fazemos uma amostragem. Portanto, há uma fonte de erro inerente à amostragem (embora haja outros fatores que também possam causar erros). A maioria de nós opera dentro de uma margem de erro de "mais ou menos três pontos percentuais" nas pesquisas de opinião nacionais, ou seja, uma flutuação de seis pontos. Se o candidato A está recebendo 53% dos votos em uma pesquisa e o candidato B, 47%, então o candidato A pode ter entre 56% e 50% das intenções de voto, enquanto o candidato B pode ter entre 50% e 44%. Em outras palavras, os candidatos podem estar empatados. Podemos dizer se uma eleição está apertada ou não, mas não podemos prever o resultado, exceto por adivinhação e análise de nossos números. E isso é puramente por propósitos de diversão, não de previsão. O público precisa ter um ceticismo saudável com relação às pesquisas de opinião. Elas são uma ferramenta muito útil para compreender a dinâmica de uma eleição, por isso não devem ser descartadas. E geralmente o produto do nosso trabalho é muito preciso. Mas no ano 2000, quando minhas pesquisas (junto com as da CBS News) indicavam uma pequena margem de vitória para o então vice-presidente Al Gore no sufrágio popular e algumas outras mostravam o então governador George W. Bush liderando por dois ou três pontos, estávamos dizendo basicamente a mesma coisa. Por fim, a mídia — particularmente o rádio e a televisão — precisa explicar os erros de amostragem, o enunciado das perguntas e outras fontes de possíveis limitações nas pesquisas, enquanto, ao mesmo tempo, relata os resultados dentro de seu contexto, ou seja, eventos, discursos e outros fatores que podem ter influenciado os resultados enquanto a pesquisa estava sendo feita. Podemos passar sem as pesquisas de opinião pública? Bem, por certo eu não posso. Aparentemente, nem os políticos profissionais nem os observadores políticos. As pesquisas de opinião têm a importante função de revelar os pensamentos, sentimentos, vieses, valores e comportamentos de uma nação. Aprendi, depois de todos esses anos, que individualmente os americanos podem estar bem informados, indiferentes ou até mesmo errados, mas o povo americano como um todo está sempre informado e dificilmente está errado quando responde a uma pesquisa ou deposita um voto.
As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA. |
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