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A governança corporativa está cada vez mais se tornando essencial para as estratégias de desenvolvimento global. A propagação dos princípios de mercado para economias anteriormente fechadas produziu uma nova geração de empresários e investidores em todo o mundo, bem como novas responsabilidades para a Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional. Se os países quiserem ter sucesso no uso do setor privado como motor do crescimento econômico, precisam criar o ambiente propício para que fomentem a gestão competitiva, lucrativa e ética dessas empresas. Seguindo a exigência de rápida descentralização econômica em países como a Rússia e a Ucrânia, assim como em toda a Europa Central e do Leste, a USAID se associou ao Centro para a Iniciativa Privada Internacional (Cipe) para tratar de assuntos de governança corporativa. Como afiliado da Câmara Americana de Comércio, o Cipe promove a reforma democrática e econômica voltada para o mercado, trabalhando diretamente com o setor privado nos mercados em desenvolvimento e emergentes. A abordagem institucional do Cipe com relação à governança corporativa consiste em combinar experiência internacional com conhecimentos locais para construir mecanismos de aperfeiçoamento da autogovernança nas empresas. Embora a prática da boa governança corporativa já tenha sido considerada como de domínio exclusivo de empresas nas economias industrializadas avançadas, atualmente, o seu valor para o funcionamento dos mercados é reconhecido pelas agências governamentais dos EUA e pelas organizações não-governamentais (ONGs). A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), integrada por 30 países membros que compartilham o compromisso com governo democrático e economias de mercado, é outra liderança no estabelecimento de normas internacionais. A OCDE relaciona-se de modo ativo com 70 países não membros, ONGs e sociedade civil e tem uma agenda global que inclui princípios de governança corporativa. O recente endosso a um novo conjunto de princípios corporativos pela OCDE em 2004 prova que a transparência corporativa é importante para a sustentabilidade corporativa.
GOVERNANÇA CORPORATIVA EM ECONOMIAS EM TRANSIÇÃO Os programas da USAID de ajuda técnica em governança corporativa têm sua origem na transformação da ex-União Soviética e de países da Europa Central e do Leste de economias comunistas centralizadas para um sistema descentralizado de propriedades. O colapso do comunismo na Europa, no final da década de 1980, desencadeou uma onda de esforços de privatização destinada a transferir do governo para a população em geral a propriedade das indústrias estatais. Embora a ênfase desse processo recaia na questão da propriedade, o tratamento da governança a longo prazo exigiu o estabelecimento de novas regras e novos comportamentos das partes interessadas locais — acionistas, conselheiros das novas empresas, diretoria executiva e público em geral — para que a privatização venha a contribuir para uma economia saudável. Valores como transparência, responsabilidade, prestação de contas e honestidade na governança de empresas tiveram de substituir as antigas práticas de compadrio, favoritismo e transações escusas. Em sistemas reconhecidamente falhos na execução da lei, a prioridade de uma boa auto-regulamentação tornou-se essencial. Como a estabilidade dos novos regimes democráticos depende de sua capacidade de trazer bons resultados econômicos, a USAID renovou seu apoio ao desenvolvimento da governança corporativa como parte de seus programas de ajuda econômica na Europa Central e do Leste e na ex-União Soviética. RESPOSTA AOS DESAFIOS GLOBAIS A USAID está preparada para incrementar as atividades de governança corporativa tanto nas economias emergentes quanto nos países em desenvolvimento em todo o mundo. Os novos desafios de desenvolvimento nas questões de competitividade global, de iniciativa na área climática do Grupo dos Oito (G-8) e de promoção do comércio só têm a ganhar com a aplicação de normas altamente éticas aos relatórios financeiros e à supervisão fiduciária dos direitos dos acionistas. O Cipe e a USAID, em seu enfoque conjunto dessas reformas, reconhecem que cada região tem problemas específicos. Muitos países africanos adiaram reformas econômicas importantes para tratar de crises políticas e somente nos últimos dez anos começaram a abordar a governança corporativa. A conscientização do público e a necessidade de criar laços de confiança entre os setores público e privado são ainda desafios formidáveis para qualquer iniciativa de governança corporativa na África. No futuro, esperamos passar do diálogo para programas de governança corporativa passíveis de ação legal em toda a África. Na América Latina, o foco na execução da lei e nas empresas familiares é um elemento importante desses programas. Nessa região, uma classe empresarial forte e uma estrutura de pequenas e médias empresas muitas vezes limitam qualquer papel de coordenação da USAID. Na América Latina, os formuladores de políticas demonstram um enfoque prático na questão da governança corporativa, permitindo que os programas de ajuda sejam centrados essencialmente no público e em sua conscientização. A formação da base para transições democráticas no Oriente Médio apresenta muitas facetas, e a governança corporativa pode exercer um papel primordial na separação entre Estado e setor privado. A maior conscientização sobre governança corporativa e seu papel para ajudar os países a atrair investimentos e ganhar competitividade é evidente em muitos países dessa região. Na Ásia, as reformas comerciais e o desenvolvimento das empresas muitas vezes absorvem a maior parte dos escassos recursos da USAID. Na Índia, líder nessa área, esforços locais para melhorar a governança corporativa em seguida à crise financeira de 1997 também resultaram em boas soluções, evidenciadas pelo trabalho da Associação das Instituições Financeiras de Desenvolvimento na Ásia e no Pacífico [Association of Development Financing Institutions in Asia and the Pacific – ADFIAP], que está trabalhando com instituições de empréstimo para instruí-las sobre como as práticas de governança corporativa — ou sua falta — afetam o risco ao crédito. Para a região da Europa e da Eurásia, o Cipe e a USAID procuraram passar do Estado para a classe empresarial a responsabilidade sobre as empresas e, onde não existia classe empresarial, criar associações voltadas para a conscientização do público e dos investidores para representar as partes interessadas.
OBTENÇÃO GRADUAL DOS BENEFÍCIOS Apesar da importância das práticas de governança corporativa para a estabilidade do mercado financeiro, para o incentivo aos investimentos, para a competitividade e para o crescimento econômico dos mercados emergentes, os benefícios da governança corporativa são conseguidos de maneira gradual. Na Rússia e na Ucrânia, as atividades realizadas pela USAID durante dez anos — em projetos de desenvolvimento institucional, capacitação de diretores de empresas, de funcionários e de formuladores de políticas e assistência técnica — resultaram em ações concretas por parte das instituições do mercado financeiro e dos formuladores de políticas para harmonizar as práticas domésticas com as normas globais aplicadas à contabilidade, aos bancos e ao mercado de capitais. A última geração de atividades de desenvolvimento em áreas como as de competitividade, reforma previdenciária, comércio, redução da pobreza e práticas anticorrupção requer o auxílio da governança corporativa para assegurar que as empresas atuem com responsabilidade em sua busca por lucros. A presença de grandes setores informais no mundo em desenvolvimento também dificulta a aplicação das práticas de governança corporativa. Portanto, a experiência da USAID indica que não se deve trabalhar isoladamente em nenhum setor do desenvolvimento. Pelo contrário, a governança corporativa é uma das muitas formas de ajuda que procura o intercâmbio fértil e o melhor uso dos recursos para o crescimento econômico e a redução da pobreza. AS CINCO ETAPAS DA INICIATIVA LOCAL A experiência da USAID e do Cipe demonstrou que as comunidades empresariais passam por cinco etapas na adoção de melhores práticas de governança corporativa.
No Ocidente, os mercados de ações têm sido tradicionalmente os guardiões da governança corporativa por meio dos requisitos de cotação em bolsa. Esse enfoque normalmente é insuficiente fora das economias ocidentais industrializadas. As bolsas de valores, em outros países, se é que existem, não abrangem uma parte significativa das atividades econômicas. Para monitorar o setor de valores mobiliários, paralelamente ao desenvolvimento de mercados de ações, deve haver o desenvolvimento de instituições governamentais. As associações comerciais podem exercer papel importante no policiamento de seus próprios membros. Grupos fora da comunidade empresarial também podem se beneficiar da governança corporativa, portanto, da mesma forma, devem se envolver no monitoramento do processo. A imprensa também é responsável pela fiscalização. Por exemplo, após a aprovação da lei de governança corporativa na Rússia, o Instituto Russo de Conselheiros (RID) realizou uma extensa série de sessões de capacitação para diretores de corporações do país. Isso exigiu o desenvolvimento de materiais originais para o curso, bem como traduções de material adequado de outros países, e envolveu o desafio de passar não somente informações, mas também um senso de responsabilidade e um novo código de ética. Na Rússia, a USAID apoiou a criação do RID sob a direção de Igor Belikov, um líder na mobilização do setor empresarial russo para a elaboração da lei de governança corporativa. Da mesma forma, um Instituto de Conselheiros na Turquia teve um bom começo. DE OLHO NO FUTURO A ligação entre a governança corporativa e o desenvolvimento econômico provavelmente se tornará mais forte à medida que os governos e as empresas lidarem com as repercussões dos escândalos da Enron, da WorldCom e da Parmalat. Embora a reforma da governança corporativa seja cara tanto para as empresas domésticas quanto para as internacionais, ela assegura a sustentabilidade a longo prazo e abre as portas para o crescimento econômico, necessário para a erradicação da pobreza. Além disso, um cenário comercial saudável reduz os riscos e permite que os países se unam a grupos como a Organização Mundial do Comércio e a União Européia. A governança corporativa pode ainda ter como resultado índices mais altos de investimento. A USAID e o Cipe estão planejando atividades de governança corporativa para tratar um espectro mais amplo de questões pertinentes. Essas atividades são necessárias para a viabilidade, a lucratividade e a sustentabilidade das empresas a longo prazo em países em desenvolvimento. A governança corporativa é também o primeiro passo na criação da capacidade de liderança do setor privado, não apenas em assuntos econômicos, mas também no desenvolvimento social e político. O processo usado pela USAID e pelo Cipe proporciona capacidade de criar consenso, de comunicação e de ativismo em defesa da governança corporativa, atributos que a comunidade empresarial pode empregar em qualquer país. À medida que as empresas enfrentam cada vez mais as freqüentes exigências de “responsabilidade social”, a alternativa mais facilmente sustentável é um padrão de cidadania corporativa no qual o setor privado trabalhe de modo proativo para encontrar soluções para problemas comuns. Embora seja verdade que as empresas precisem cortar custos para elevar sua competitividade global, é fato comprovado que o investimento em governança corporativa é o fundamento necessário para que as empresas inspirem confiança entre investidores, funcionários, diretores, e para práticas que levem ao crescimento econômico sustentado.
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