Eliminação do Trabalho Infantil:
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O trabalho infantil é um problema generalizado no mundo de hoje, mas há esperança de solução. Fica claro que, quando as pessoas se comprometem, as comunidades se mobilizam, as sociedades se unem e decidem que o trabalho infantil não é mais aceitável, grandes avanços podem ser obtidos no sentido de garantir que não sejam negados às crianças a infância e um futuro melhor. Entretanto, isso não é fácil. Construir consenso – e possibilitar mudanças reais – continua a ser um imenso desafio internacional, nacional e nas famílias e comunidades onde existe trabalho infantil. O objetivo prático é dar às crianças a oportunidade de uma boa educação e aos pais a justa chance de um emprego decente. É uma questão econômica para países e famílias – mas é também uma questão ética. Em última instância, o combate ao trabalho infantil é uma batalha para expandir as fronteiras da dignidade e da liberdade humanas. Uma em cada seis crianças do mundo – estimados 240 milhões de crianças – está envolvida com trabalho infantil. Pense nisso. O número de crianças trabalhadoras é quase igual à população dos Estados Unidos! Essas crianças não fazem trabalhos esporádicos ou leves. O trabalho é uma questão de sobrevivência para elas e para suas famílias. São meninas e meninos comprometidos com um trabalho que prejudica seu desenvolvimento mental, físico e emocional. Três quartos dessas crianças são exploradas por meio do que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) chama de piores formas de trabalho infantil. Trabalham em fábricas com atmosfera opressiva, plantações e minas inseguras e outros locais perigosos. Algumas são vendidas e traficadas para viver em condições semelhantes à escravidão. Outras são forçadas ao pesadelo da prostituição ou enviadas a sangrentas frentes de batalha. Desde sua fundação, a OIT tem lutado contra o flagelo do trabalho infantil. Nos últimos anos, por meio de nosso trabalho e colaboração com muitas pessoas e instituições comprometidas, temos visto grandes mudanças nas atitudes com relação ao trabalho infantil. Negação e indiferença deram lugar a reconhecimento, indignação e disposição para agir. Um movimento popular crescente contra as práticas abusivas de trabalho em geral alia-se a um novo entendimento das formas de lidar com o problema do trabalho infantil de maneira efetiva e sustentável. A abordagem dos componentes da OIT – governos, empregadores e trabalhadores – é trabalhar nas comunidades e áreas produtivas por meio de parcerias e confiança mútua, com o fim de criar nos países o compromisso com ação sustentável para eliminação do trabalho infantil. Em 1999, aprovamos um instrumento-chave para essa luta, a Convenção 182, que obriga os países a tomar providências imediatas para proibir e eliminar as piores formas de trabalho infantil. Nos últimos seis anos, 153 países a ratificaram, tornando-a um compromisso nacional e instrumento que obteve a ratificação mais rápida e generalizada da história da OIT.
Durante o mesmo período, houve um aumento impressionante de ratificações da Convenção 136, a convenção da idade mínima adotada em 1973. Essa convenção estabelece que a idade mínima para trabalhar não deve ser inferior à idade de conclusão da escolaridade compulsória e estabelece um número de idades mínimas dependendo do tipo de emprego ou trabalho. Entretanto, a ratificação é apenas o começo. Um número cada vez maior de países tem buscado a ajuda da OIT para realizar ações efetivas contra o trabalho infantil. O Programa Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil (Ipec) da OIT, criado em 1992 com seis países participantes e contribuição financeira maior da Alemanha, expandiu suas operações para 80 países, com o auxílio de 30 doadores, entre eles organizações de empregadores e de trabalhadores. O financiamento generoso e o compromisso do Congresso dos Estados Unidos e do Executivo ajudaram a OIT a expandir consideravelmente seus esforços para erradicar o trabalho infantil. Temos dado prioridade ao combate às piores formas de trabalho infantil, com o objetivo da conseqüente erradicação de todo o tipo de trabalho que envolva crianças. O financiamento visa desenvolver e implementar medidas preventivas e afastar as crianças de trabalhos perigosos, preparando-as para a escola e suprindo fontes alternativas de renda para os pais. Nosso trabalho inclui esforços para combater o tráfico de crianças na África Ocidental, reabilitar crianças de rua na Europa Oriental, remover crianças das minas e pedreiras da América Latina e dar um futuro melhor às crianças que tecem tapetes ou costuram bolas de futebol no Sul da Ásia.
A CRESCENTE NECESSIDADE DE AÇÃO Em todo o mundo, as pessoas estão se unindo à crescente comunidade de consciência para agir. Um autêntico movimento mundial contra o trabalho infantil surgiu. As próprias crianças trabalhadoras estão se fazendo ouvir por meio de movimentos de base como a Marcha Global contra o Trabalho Infantil. Estudantes estão se mobilizando em solidariedade às crianças trabalhadoras. Novas alianças estão surgindo entre organizações de empregadores e de empregados, agências governamentais e organizações da sociedade civil. Essas alianças têm realizado ações setoriais específicas em várias indústrias multinacionais – como as indústrias do tabaco, do cacau e de artigos esportivos –, nas quais a força e as vantagens dos parceiros tripartites da OIT e da sociedade civil impulsionam as iniciativas globais de combate ao trabalho infantil. Ademais, 19 países estão envolvidos em programas que visam erradicar o trabalho infantil dentro de um determinado período. Essas são as bases para construir o movimento, mas muito mais precisa ser feito. Precisamos unir as decisões nacionais e internacionais a uma maior cooperação ao desenvolvimento que tenha como alvo a redução do trabalho infantil. Precisamos continuar o debate nacional e internacional e os esforços de conscientização; identificar e mapear trabalho infantil perigoso em diferentes setores e situações; promover capacitação das instituições para lidar com o trabalho infantil em todos os níveis e pôr em funcionamento sistemas de inspeção e monitoramento eficazes, autônomos e confiáveis. O problema do trabalho infantil não pode ser resolvido isoladamente. Apenas projetos não são suficientes. Nos lugares onde a pobreza desintegra famílias, as políticas econômicas e sociais devem caminhar lado a lado para ajudar a proteger a dignidade da vida familiar. Por exemplo, um elemento importante para prevenir o trabalho infantil é a educação gratuita, compulsória e de qualidade até a “idade mínima” – que varia dependendo do país e da natureza do trabalho – para entrada no mercado de trabalho. Mas, com restrições orçamentárias em todo lugar, muitos países não têm como financiar essas medidas. A comunidade internacional deve apoiar os esforços dos países que desejam adotar medidas abrangentes por meio de programas de cooperação ao desenvolvimento, acesso a mercados e assessoria a políticas fornecida por organizações internacionais. Naturalmente que para livrar o mundo do trabalho infantil será necessário o comprometimento de recursos expressivos. Estudo recente da OIT prevê que a erradicação do trabalho infantil dentro de duas décadas resultaria em estimados US$ 5,1 trilhões em benefícios para as economias em desenvolvimento e em transição, em que há o maior número de crianças trabalhadoras. Em termos globais, os benefícios seriam sete vezes maiores que os custos envolvidos. Cada ano a mais de educação universal até a idade de 14 anos resulta em um acréscimo de 11% nos ganhos anuais futuros de um jovem que permanece na escola. A eliminação do trabalho infantil é sem dúvida um sólido investimento financeiro. A ERRADICAÇÃO DO TRABALHO INFANTIL FAZ PARTE DA AGENDA DA OIT A erradicação do trabalho infantil faz parte da agenda da OIT para o mundo do trabalho chamada de Agenda de Trabalho Decente. Essa agenda busca promover oportunidades para que todas as mulheres e todos os homens obtenham trabalho decente e produtivo, em condições de liberdade, igualdade, segurança e dignidade humana. Esse programa voltado para o desenvolvimento tem como foco estimular investimentos que criem oportunidades de trabalho produtivo; com normas e direitos trabalhistas, seguridade social, proteção à saúde e redes de segurança social, além de voz e representação para os trabalhadores. A total abolição do trabalho infantil é um dos princípios norteadores de nossa agenda. Promovemos trabalho decente porque, quando se ignora a qualidade do trabalho para os pais, abre-se a porta para o trabalho infantil. Cada país, com suas próprias condições, pode definir um limite razoável, abaixo do qual nenhuma família devia cair. Trabalho decente não é uma norma universal, nem um salário mínimo. As convenções da OIT, ratificadas voluntariamente por cada país, constituem uma base social sólida para a vida do trabalho. Incentiva-nos o fato de já ter havido grandes avanços em conhecimento e experiência, assim como um expressivo movimento mundial de combate ao trabalho infantil. O desafio global continua assustador, mas acredito que, trabalhando juntos, poderemos atingir nossos objetivos comuns: trabalho decente para os pais, educação de qualidade para as crianças e oportunidades reais para os jovens. A erradicação do trabalho infantil é uma causa moral e um desafio para a sociedade. Se nos dispusermos a fazê-lo, poderemos levar esperança para crianças em todo o mundo e afirmar o direito inalienável de toda criança de ter uma infância.
As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA.
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