Fontes de Energia Renovável: Em Busca da Energia InesgotávelMichael Eckhart
| ||||||
|---|---|---|---|---|---|---|
O setor de energia renovável está prestes a entrar em nova fase. Por sua disponibilidade comercial e competitividade econômica em muitos lugares, as fontes renováveis de energia promoverão o interesse nacional dos EUA, ajudando o país a acabar com sua dependência do petróleo e se voltar para a questão do aquecimento global. O setor está pronto para entrar na fase II e pôr no mercado o investimento de US$ 15 bilhões feito pelos EUA, durante 30 anos, em pesquisa, desenvolvimento e demonstrações de tecnologias de energia renovável. Forças impulsoras do mercado Há três forças fundamentais impulsionando os mercados a favor das fontes renováveis de energia. A primeira é a segurança energética nacional. Segundo projeções atuais, o aumento do consumo de petróleo nos EUA, que ultrapassa as curvas de produção doméstica, deixa o país cada vez mais dependente dos mercados externos. Esse fato torna a economia americana vulnerável aos transtornos nas importações de petróleo.
Além disso, o crescimento rápido dos países em desenvolvimento, como a China e a Índia, provoca tensão cada vez maior nos mercados mundiais de petróleo, problema que tende a piorar com o passar do tempo. Seus efeitos já podem ser vistos: o preço do petróleo ultrapassou os US$ 70 por barril em meados de junho de 2006, US$ 30 acima do preço praticado há alguns anos. A energia renovável pode ajudar os Estados Unidos a valer-se de fontes domésticas de energia, com a conseqüente redução de nossa necessidade de petróleo ou contenção do consumo. A segunda força impulsora é a preocupação com as mudanças climáticas. A energia renovável pode ajudar a satisfazer nossas necessidades de energia, ao mesmo tempo que diminui as emissões de gases de efeito estufa. De acordo com várias fontes jornalísticas, mais de 2 mil cientistas concluíram que os gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono e o metano, estão se acumulando na fina atmosfera da terra, e esse acúmulo está aumentando a temperatura global. Muitos cientistas acreditam que esse aumento de temperatura prenuncia conseqüências negativas e potencialmente catastróficas, defendem a abordagem do problema de imediato e preconizam a adoção de medidas cabíveis. O uso de energia renovável isenta de carbono é uma delas. Uma terceira força impulsora é o custo da energia renovável, que vem diminuindo há décadas e, segundo as projeções, vai continuar em queda para algumas fontes renováveis de energia, como foi demonstrado nas cifras mencionadas. Os custos decrescentes da energia renovável podem ser atribuídos a melhorias nas tecnologias de geração desse tipo de energia. O gradativo amadurecimento do setor garantirá a continuidade da redução dos custos. Energia renovável na prática
A distribuição desigual dos recursos renováveis de energia nos Estados Unidos dificulta a manutenção de uma política nacional única e abrangente. A energia solar é mais forte no sudoeste; a energia eólica é mais utilizada nas Grandes Planícies, nas cadeias de montanhas e na costa; e a energia geotérmica está disponível no oeste. A biomassa é encontrada no país todo, mas de diferentes formas conforme a região. Estão sendo produzidos biocombustíveis nos estados agrícolas, porém são consumidos nas cidades com problemas de qualidade do ar. Há um grande número de mercados locais para energia renovável nos Estados Unidos, cada qual com recursos, economia, cultura e políticas singulares. Os estados isoladamente assumiram a liderança no setor da energia renovável. Quase metade deles emprega normas do portfólio de energia renovável (RPS) — um sistema de metas para a produção de energia renovável. O emprego de RPS em nível estadual exige das empresas de serviços públicos o fornecimento de uma quantidade específica de energia de fontes renováveis até determinada data, criando assim, de imediato, nova demanda para energia renovável. Para citar outros exemplos fora dos EUA, a União Européia adotou medidas políticas inovadoras para promover o uso da energia renovável. A Alemanha, a Espanha, a Itália e outros países implementaram tarifas de compra de energia elétrica de fontes renováveis — o preço por unidade de eletricidade que uma empresa de serviços públicos ou fornecedor tem de pagar por eletricidade renovável de geradores privados. Enquanto isso, Finlândia, Grécia e Reino Unido utilizam subsídios, incentivos fiscais e mandatos para a produção ou o uso de energia verde. Amplos esforços vêm sendo feitos para o emprego de energia renovável nos países em desenvolvimento, com recursos da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional e de muitas agências doadoras e apoio financeiro do Banco Mundial, do Banco Europeu e de outros bancos regionais de desenvolvimento e do setor privado. A Índia foi um dos primeiros países a se comprometer com a ampla utilização de fontes de energias renováveis, lançando mão de energia eólica, solar, hidroelétrica e de biomassa. O Brasil tem sido o líder no uso de etanol de cana-de-açúcar. O sul da Índia, o Sri Lanka e Bangladesh desenvolveram mercados para o uso de energia solar fotovoltaica (PV), distribuindo eletricidade para casas não conectadas à rede elétrica. A China desenvolveu o setor de aquecimento de água por energia solar. Energia eólica A energia eólica é líder na produção de eletricidade renovável por atacado nos Estados Unidos. A capacidade total de energia eólica instalada nos Estados Unidos era de 9.149 megawatts no início de 2006, de acordo com a Associação Americana de Energia Eólica. Grande parte — 2.420 megawatts — foi instalada em 2005, e há planos de instalação de aproximadamente 3 mil megawatts em 2006. Com os recentes avanços tecnológicos, a competitividade dos preços de geração de energia eólica versus gás natural melhorou, contribuindo para a continuidade do crescimento. Além disso, o governo federal dos EUA oferece às empresas um crédito de impostos para a produção de energia eólica no valor de aproximadamente 1,9 centavo de dólar por watt-hora. Isso tem sido um forte incentivo para atrair investidores com interesses fiscais, como empresas de serviços públicos, a adquirir fazendas eólicas. O mercado original de energia eólica foi a Dinamarca, no final da década de 1990, seguida pela Alemanha. Atualmente, os mercados mais fortes são Espanha, Itália, França, Reino Unido e Índia. Mas é possível o aproveitamento de energia eólica em qualquer outro lugar. Energia solar A energia solar fotovoltaica, um setor global de US$ 12 bilhões, é a principal fonte renovável para a geração de energia distribuída (consumidores que geram calor ou eletricidade para suas próprias necessidades e enviam o excedente de energia elétrica de volta às empresas de serviços públicos), tendo crescido ultimamente no Japão, na Alemanha e na Espanha. Em 2005, a Lei de Política Energética dos EUA estabeleceu um crédito de 30% nos impostos federais para sistemas solares adquiridos para fins residenciais e empresariais nos Estados Unidos, além de programas de subsídios significativos em estados como a Califórnia e Nova Jersey. Nos países em desenvolvimento, a energia solar fotovoltaica é muito oportuna, mas difícil de ser implementada, porque requer infra-estrutura local de empresas para vender e instalar os equipamentos e prestar a assistência técnica necessária, além de exigir financiamento, muitas vezes não disponível. Ainda assim, os mercados estão crescendo em países como Índia, Sri Lanka, Bangladesh, Marrocos, Quênia, África do Sul e em toda parte. Biocombustíveis Os biocombustíveis, principalmente o etanol de milho, representam a maior oportunidade de investimento em energia renovável nos Estados Unidos pelos próximos anos. Dados recentes levantados pelo Laboratório Lawrence Berkeley refutam crenças ultrapassadas da década de 1970 de que, como a produção consome muita energia, os benefícios ambientais do etanol de milho simplesmente não existem. Segundo essas evidências, em comparação com a produção de gasolina, a fabricação de etanol de milho requer muito menos petróleo, e as emissões de gases de efeito estufa originadas desse tipo de etanol são cerca de 15% a 20% mais baixas do que as da gasolina. A nova tecnologia de etanol celulósico reduz ainda mais tanto as emissões de gases de efeito estufa quanto os insumos do petróleo. Com o etanol substituindo o metil-terciário-butil-éter (composto químico utilizado como componente de combustível na gasolina, mas já proibido em 22 estados), houve um rápido crescimento da demanda. Em 2006 serão produzidos mais de 4,7 bilhões de galões (17,9 bilhões de litros) de etanol, e existe capacidade para processamento de 2 bilhões de galões (7,6 bilhões de litros) por ano nos Estados Unidos. Os fabricantes de automóveis dos EUA perceberam o recente interesse nos biocombustíveis. A General Motors, por exemplo, produz atualmente nove modelos que rodam com E85, uma mistura de 85% de etanol e 15% de gasolina. Investimento Estão sendo feitos grandes investimentos em empresas e projetos de energia renovável. Investidores de capital de risco aplicaram perto de US$ 181 milhões em empresas de energia alternativa em 2005, um aumento de US$ 78 milhões em relação ao ano anterior de acordo com a PricewaterhouseCoopers, a Thomson Venture Economics e a Associação Nacional de Capital de Risco. Importantes líderes da indústria começaram a notar as oportunidades desse mercado em crescimento e estão demonstrando seu apoio. Por exemplo, a General Electric investiu recentemente US$ 51 milhões em um projeto de energia eólica de 50 megawatts na Califórnia, e a Cascade Investment LLC aplicou US$ 84 milhões na Pacific Ethanol, que produz e comercializa combustíveis renováveis. O crescimento acelerado do mercado criou um ambiente favorável para investidores, com oportunidades de lucros substanciais, bem como de riscos, em um setor que movimenta atualmente US$ 50 bilhões. Benefícios nacionais e globais
A energia renovável é obtida de fontes naturais variadas ao nosso redor e sempre disponíveis. Embora não seja uma tecnologia infalível, quanto mais ela for usada, melhor será o resultado em termos de redução das importações de petróleo, da poluição e das emissões de gases de efeito estufa e do aumento de empregos. A energia renovável pode oferecer grandes oportunidades aos países em desenvolvimento e às áreas rurais. Por exemplo, ao propiciar a criação de novos postos de trabalho e novas fontes de renda para agricultores e pecuaristas, a fazenda Colorado Green Wind em Lamar, Colorado, elevou em 29% a arrecadação de impostos do condado, aumentou os recursos gerais para a educação em US$ 917 mil por ano e os recursos do centro médico do condado em US$ 189 mil. É imenso o potencial da energia renovável. Ela contribui para garantir a segurança de abastecimento, um ambiente mais limpo, bons empregos e oportunidades de investimento. O setor rural dos EUA está pronto para receber a maioria dos benefícios do desenvolvimento da energia renovável. Tal desenvolvimento também oferece aos moradores de zonas rurais de todo o mundo a oportunidade de ter acesso a formas modernas de energia. Usinas de energia eólica, solar, geotérmica, de biomassa e pequenas usinas hidroelétricas podem gerar eletricidade para empresas de serviços públicos e vilarejos rurais. A energia solar fotovoltaica e o aquecimento solar de água podem suprir de energia moderna as casas da região. Perspectivas A perspectiva para a energia renovável nos Estados Unidos e em todo o mundo é positiva e muito promissora. É um desafio para planejadores de políticas governamentais que são obrigados a confiar em projeções de modelos por computador possivelmente desatualizadas, pois os preços do petróleo aumentam muito depressa, com conseqüente aceleração da demanda por energia renovável. Por exemplo, embora as projeções oficiais emitidas pela Agência de Informações sobre Energia mostrem que a energia renovável contribuirá com apenas cerca de 10% do abastecimento energético dos EUA em 2030, vários grupos do setor são mais otimistas. A Coalizão pelo Futuro da Energia espera uma contribuição de 25% até 2025 e a Acore prevê o potencial de 20%, 30% e 40% até 2020, 2030 e 2040, respectivamente. Para chegar a esse resultado, os preços da energia convencional devem continuar altos, os custos da energia renovável, por sua vez, continuar a diminuir e as políticas governamentais precisam ser estáveis e previsíveis para incentivar o compromisso de credores e investidores com o financiamento dos sistemas de energia renovável. Também precisa haver colaboração internacional para a transferência de tecnologias para os países em desenvolvimento.
As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA. |
||||||