Combate à Pandemia de AidsMatthew Hanley
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Enfraquecido em conseqüência da tuberculose e da Aids, Linson Gipton repousa em uma esteira de palha, apoiado em seus cotovelos. À sua volta, quatro paredes de tijolo de barro logo formarão sua nova casa, na cidade de Sandu, no Malawi, país da África meridional. Acima, uma treliça feita de varas de bambu será preenchida com caniços para completar o teto. Junto a Gipton estão dois homens e uma mulher trajando com orgulho roupas coloridas que os identificam como voluntários do projeto de atendimento domiciliar da diocese de Dedza do Malawi, parceira da Serviços Católicos de Assistência (CRS). Eles cuidam de Gipton, seu vizinho de 29 anos, dando-lhe atendimento em saúde e apoio para que não precise se deslocar até um posto de saúde distante. Mas os voluntários estão fazendo mais do que sua função exige: estão construindo uma casa para Gipton morar com a esposa e os três filhos. Quando perguntado de que forma esses voluntários o ajudaram, o frágil Gipton fica animado. Um amplo sorriso ilumina seu rosto. “Eles estão construindo esta casa para minha família”, diz. “Quando eu melhorar, gostaria de me unir aos voluntários e usar meu tempo para ajudar outras pessoas". INICIATIVAS E SERVIÇOS DA CRS Atualmente, mais de 40 milhões de pessoas vivem com HIV/Aids, e quase três quartos delas estão na África. A organização Serviços Católicos de Assistência iniciou seus primeiros programas de HIV/Aids em Masaka, Uganda, em 1989. Hoje, a CRS tem programas de HIV/Aids em quase 50 países da África Subsaariana e nas áreas mais atingidas da Ásia, Europa e América Latina. A ONG Serviços Católicos de Assistência promove programas comunitários que atendem às necessidades dos soropositivos, combatem as principais causas da Aids e reduzem a proliferação do HIV. A CRS e sua ampla rede de dioceses católicas, instituições de saúde e outras organizações religiosas prestam uma gama de serviços, nos quais o cuidado e a prevenção caminham lado a lado. Esses serviços incluem orientação, testes iniciais, cuidados em domicílio e paliativos, apoio nutricional e ajuda a órfãos e crianças vulneráveis. Um outro raio de esperança no combate a essa pandemia é representado pelas drogas anti-retrovirais, combinação de medicamentos que ajuda a reverter a progressão do HIV no organismo. Em 2004, como resultado de um projeto financiado pelo Plano de Emergência do Presidente para Combate à Aids (Pepfar), a CRS tornou-se a agência líder de um consórcio de cinco organizações cuja finalidade é ampliar o tratamento anti-retroviral de pessoas portadoras do HIV na África, Caribe e América Latina. Os outros membros do consórcio são Instituto de Virologia Humana da Universidade de Maryland, Conselho das Missões Médicas Católicas, Interchurch Medical Assistance, Inc e Futures Group. O consórcio, denominado AIDSRelief, fornece atualmente terapia anti-retroviral para mais de 15 mil pessoas em nove países da África e América Latina. Estima-se que o AIDSRelief receba um total de US$ 335 milhões em cinco anos. Por meio de financiamento do Pepfar, a CRS está gerenciando outros projetos plurianuais de milhões de dólares destinados a prevenir a transmissão da Aids e ajudar órfãos e crianças vulneráveis. Evitar Riscos, Reafirmar a Vida, programa de prevenção da Aids da CRS com duração de cinco anos, atingirá mais de 1,35 milhão de beneficiários (jovens, pais e clero) em países como Etiópia, Uganda e Ruanda, por meio de mensagens interativas sobre abstinência sexual e fidelidade. Um outro projeto, também com duração de cinco anos, dá grande apoio, principalmente na forma de assistência educacional, alimentar e psicossocial, a mais de 56 mil órfãos e crianças vulneráveis de países como Tanzânia, Quênia, Zâmbia, Ruanda e Haiti. Graças ao financiamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, a CRS distribui também alimentos a famílias afetadas por HIV e Aids. Pelo fato de as pessoas portadoras de HIV e Aids terem mais necessidades nutricionais, melhorar a nutrição significa melhorar a qualidade e a expectativa de vida, principalmente se combinado com terapia anti-retroviral. Muitas outras iniciativas da CRS são financiadas pela iniciativa privada, como os programas comunitários de tratamento em domicílio. No Malawi, onde 16% dos adultos são HIV positivos e mais de um terço das crianças com menos de 15 anos perdeu pai ou mãe em conseqüência da Aids, a CRS financia programas de tratamento em domicílio em três dioceses católicas: Dedza, Mzuzu e Zomba.
COMPARTILHAR A ESPERANÇA DE VIVER A filosofia por trás do tratamento comunitário baseia-se na simples realidade do mundo em desenvolvimento: os postos de saúde e hospitais muitas vezes localizam-se a muitos quilômetros de distância das aldeias, o que os torna inacessíveis aos pacientes que não possuem outro meio de locomoção além de seus próprios pés. Além disso, o custo do tratamento de uma doença crônica como a Aids rapidamente esgota os recursos financeiros do paciente. E a abrangência da pandemia de Aids tem exigido muitos recursos dos serviços de saúde. Sendo assim, a ONG Serviços Católicos de Assistência e seus parceiros preenchem uma lacuna crítica no tratamento das pessoas portadoras de HIV/Aids ao permitir que as famílias e as comunidades cuidem dos doentes em suas próprias casas. Os programas da CRS proporcionam aconselhamento, treinamento em cuidados com a saúde e suprimentos como alimentos, roupas, cobertores e remédios − e às vezes a própria casa. Ao financiar os voluntários da comunidade, a CRS não apenas ajuda a reduzir o estigma da doença, mas mantém as famílias unidas e melhora a capacidade dos membros da comunidade de se ajudar mutuamente. Os voluntários que fazem tratamento domiciliar às vezes criam vínculos estreitos com seus pacientes, proporcionando o companheirismo e a compaixão que, de modo geral, são as primeiras perdas causadas pela doença. Há três anos, Tiwonge James, 20 anos, viu mãe e pai morrerem em conseqüência da Aids. Agora ela é portadora do HIV. (Ela) luta para tocar a vida, cuidando de suas irmãs, de nove e onze anos, e do irmão de três. Antes de ficar doente, James fazia rosquinhas de massa fritas para vender, mas agora está debilitada demais para trabalhar e depende financeiramente do marido. Embora more com seu marido, James tem a responsabilidade de cuidar de seus irmãos. Uma vez por semana, Mercy Kamtambe, voluntária sênior do programa da CRS na diocese de Dedza, visita James e leva alimentos e orientações nutricionais, ajudando-a também a cuidar das crianças. "Mercy ajuda-me a cuidar de meus irmãos, visto que sou a única pessoa com quem podem contar”, diz James. “Às vezes me sinto sozinha. Mercy é minha boa amiga”. Kamtambe diz que tenta levantar o ânimo de seus pacientes, ensinando-os como cuidar de si mesmos e de suas famílias. "Estou ensinando Tiwonge a cozinhar para que ela possa começar a comer melhor”, afirma. "Ser portador de HIV/Aids não significa o fim da vida. Pessoas com HIV/Aids devem ter a esperança de viver.” Todas essas atividades fazem parte de uma abordagem abrangente da Serviços Católicos de Assistência no combate à pandemia de Aids. A missão e os princípios norteadores da CRS dão ênfase ao compromisso da agência com a mitigação do sofrimento humano, o desenvolvimento das pessoas e a promoção da caridade e da justiça no mundo. É nosso dever prover tratamento e apoio para pessoas portadoras do HIV/Aids, prevenir a transmissão do HIV e reduzir o impacto da epidemia nas crianças, famílias e comunidades.
As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA.
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