eJournal USA: Economic Perspectives

Iniciativa para a Educação na África

Laura Lartigue

International Development Goals: Moving Forward

ÍNDICE
Sobre esta edição
Como Desencadear o Crescimento por Meio de Sólidas Políticas de Desenvolvimento
Dimensões do Desenvolvimento
Aliança para o Desenvolvimento Global
Combate à Pobreza com Lucros
Iniciativa para a Educação na África
Tratando a Malária Infantil nas Comunidades Ruandesas
Melhoria da Saúde Materna
Combate à Pandemia de Aids
Mais Poder às Mulheres: Um Sábio Investimento
Proteção dos Recursos Naturais da Namíbia
Bibliografia
Recursos na internet
Download da versão Adobe Acrobat (PDF)
 
BOXES
Ensinar uma criança a sonhar

A educação de meninas no Quênia: novos horizontes

Milhões de crianças na África Subsaariana, em sua maioria meninas, não têm acesso ao ensino fundamental. E aquelas que têm condições de freqüentar a escola em geral recebem instrução de qualidade tão baixa que não conseguem nem mesmo aprender a ler e escrever. Para ajudar a resolver essa situação, o presidente George W. Bush anunciou em 2002 a Iniciativa para a Educação na África, programa de muitos anos e muitos milhões de dólares destinado a fornecer treinamento e materiais a professores e alunos em toda a África. A Guiné é um dos muitos países que já estão se beneficiando dessa iniciativa: os professores estão recebendo treinamento, os alunos do ensino fundamental estão recebendo livros didáticos desenvolvidos especialmente para eles e as meninas agora conseguem continuar seus estudos graças a um componente da iniciativa conhecido como Programa da Embaixada de Bolsas de Estudo para Meninas.

Laura Lartigue está com a missão da USAID na Guiné.

O progresso da África também depende da educação das crianças africanas. ... Para que a África possa atingir todo o seu potencial, essas crianças precisam ter a chance de estudar e aprender.
— George W. Bush, presidente dos Estados Unidos

 

Em junho de 2002, o presidente George W. Bush anunciou que os Estados Unidos destinariam US$ 200 milhões à Iniciativa para a Educação na África (AEI) no período de 2002-2006. O programa, que está sendo implantado pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), visa fornecer treinamento e materiais a professores e alunos de toda a África Subsaariana.

A Guinean schoolgirl with a brand new textbook produced as part of the Africa Education Initiative.
Estudante da Guiné com um livro escolar inteiramente
novo, produzido pelo programa Iniciativa para a Educação na África
Laura Lartigue/ Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional

Os três objetivos principais da Iniciativa para a Educação na África são:

  • capacitar mais de 160 mil novos professores e dar cursos de aperfeiçoamento aos mais de 260 mil professores existentes;

  • fazer parcerias com faculdades e universidades americanas historicamente destinadas à comunidade negra para fornecer às crianças africanas 4,5 milhões de livros didáticos e outras ferramentas de aprendizado em seu idioma local;

  • conceder 250 mil bolsas de estudo para que as meninas africanas possam continuar seus estudos.

Além disso, a AEI pretende intensificar o papel dos pais africanos na educação de seus filhos, buscando tornar os sistemas educativos mais transparentes e abertos às reformas sugeridas pelos pais, bem como discutir o impacto do HIV/Aids no ensino e no sistema educativo.

No momento em que o presidente fazia seu anúncio, as crianças da Guiné nem imaginavam que algumas cidades de seu país seriam selecionadas para dar início a dois desses objetivos. Conacri, capital da Guiné, foi o local escolhido para o lançamento, em maio de 2004, do componente do programa relativo aos livros didáticos. Assim, em fevereiro de 2005, doze meninas do vilarejo de Tanéné receberam as primeiras verbas e os primeiros materiais distribuídos na Guiné pelo Programa da Embaixada de Bolsas de Estudo para Meninas (AGSP).

LIVROS DIDÁTICOS PARA ESTUDANTES DA GUINÉ

Crianças de todos os bairros centrais de Conacri, Guiné, animaram a cerimônia realizada na Escola de Ensino Fundamental Prefeito Frederico, em maio de 2004, cantando, dançando e sorrindo. Durante a cerimônia, a USAID entregou mais de 500 mil livros didáticos a estudantes da primeira e segunda séries de todo o país.

A Guiné foi o primeiro de seis países africanos a se beneficiar com os livros da Iniciativa para a Educação na África. Os livros e outros materiais didáticos foram especialmente desenvolvidos e distribuídos às crianças de Benin, Etiópia, Namíbia, Senegal e África do Sul.

Os livros didáticos destinados à Guiné foram elaborados e produzidos por meio de estreita colaboração profissional entre o Ministério da Educação Pré-Universitária e Cívica da Guiné e duas faculdades historicamente destinadas à comunidade negra nos Estados Unidos: a Universidade de Hampton, no Estado da Virgínia, e a Universidade Dillard, na Louisiana. Ambas as escolas mantêm a parceria com a AEI, desenvolvendo livros didáticos para outras séries.

Kadiatou Bah, um dos autores guineanos dos livros didáticos, disse o seguinte: "Foi realmente a colaboração que possibilitou a obtenção de um bom produto final. Nós conseguimos formular assuntos e ilustrações pertinentes à vida das crianças guineanas, e as universidades americanas nos ajudaram com a impressão, o que resultou num produto de qualidade."

Em um país onde o índice de adultos alfabetizados é de apenas 40% e as crianças das áreas rurais, particularmente as meninas, enfrentam enormes obstáculos para ter acesso à educação básica, o fortalecimento do sistema educacional pela melhora da qualidade do ensino é essencial ao desenvolvimento do país.

Galema Guilavogui, ministro da educação pré-universitária e cívica da Guiné, disse em seu discurso público: "Nossos parceiros americanos sabem que o sucesso do programa educacional na Guiné é um parâmetro do desenvolvimento harmonioso de nosso país. ... Fornecer livros didáticos de qualidade em quantidade suficiente nos ajuda a cumprir uma parte fundamental de nosso programa — melhorar a qualidade do ensino — e ajudará nossas crianças a saírem-se bem na escola. Somos extremamente gratos a eles por isso”.

Guinean children participate in a lesson.
Crianças guineanas fazendo a lição
Laura Lartigue/ Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional

BOLSAS DE ESTUDO PARA MENINAS DA GUINÉ

Dawda Compo, pequeno agricultor de Tanéné, vilarejo distante de Boké na região Oeste da Guiné, olhou com orgulho para sua filha Fatou, uma estudante de 12 anos de idade escolhida para receber uma bolsa de estudo pelo Programa da Embaixada de Bolsas de Estudo para Meninas, patrocinado pela USAID. Compo disse “Creio que a bolsa de estudo vai ajudar a motivá-la. Também ajudará a aliviar os nossos encargos. Sou um agricultor pobre, nunca fui à escola. Se minha filha não estudar, a vida será dura para ela. Se ela estudar, quem sabe? Ela pode até tornar-se presidente!”

Assim como muitos outros membros da comunidade de Tanéné, Compo incentiva sua filha a ir à escola. Por causa do entusiasmo e do compromisso da comunidade em promover a educação das meninas, Tanéné foi escolhida para sediar uma cerimônia em comemoração à distribuição de bolsas de estudo a 6 mil meninas da quinta e sexta séries de toda a Guiné.

Doze meninas de Tanéné, entre as quais Fatou, a filha de Compo, receberam sua bolsa de estudo durante uma cerimônia realizada em fevereiro de 2005, na qual o embaixador dos EUA para a Guiné, Jackson McDonald, entregou simbolicamente o primeiro pacote às meninas da Escola de Ensino Fundamental Hamdallaye. Também compareceram à cerimônia Galema Guilavogui, governador da região de Boké, especialistas em educação dos Estados Unidos e da Guiné e representantes da associação local de pais e mestres e da Aliança Local para a Educação de Meninas — dois grupos que prestam grande apoio no sentido de incentivar as meninas da região a freqüentar a escola.

NECESSIDADES PRÁTICAS ATENDIDAS

As bolsas de estudo distribuídas durante a cerimônia, estimadas em US$ 100 cada, incluíam dinheiro para livros escolares, cadernos, um dicionário, canetas, lápis, tecido para confecção de um uniforme para o ensino médio e uma pequena quantia em dinheiro para cobrir as taxas de matrícula e o seguro-saúde — itens práticos destinados a diminuir as despesas escolares e incentivar as melhores alunas a se dedicarem cada vez mais.

Por meio da Iniciativa para a Educação na África do presidente Bush, a Embaixada dos EUA na Guiné e a USAID puseram o programa AGSP em prática. Os objetivos desse programa são criar oportunidades para a educação das meninas e conscientizar a população sobre a importância de mantê-las na escola até que concluam o ensino fundamental. O AGSP também incluirá um programa de orientação, projetos inovadores centrados na educação das meninas e comemorações do Dia Nacional da Educação de Meninas.

As meninas guineanas enfrentam muitos obstáculos para freqüentar a escola. A impossibilidade de arcar com as despesas escolares, o excesso de tarefas domésticas e no campo, a responsabilidade de cuidar dos irmãos mais novos e a falta de acesso a uma escola de ensino fundamental ou de ensino médio próxima de casa são apenas alguns dos obstáculos que os pais mencionam. Quando o AGSP foi lançado, a porcentagem de meninas matriculadas no ensino fundamental na Guiné era de 67% em âmbito nacional, mas de apenas 58% nas áreas rurais. Infelizmente, as taxas de desistência do ensino fundamental são muito altas entre as meninas.

SELEÇÃO DE BOLSISTAS

Por causa disso, os critérios de seleção para as bolsas levam em conta os problemas enfrentados pelas meninas de famílias pobres, órfãs ou meninas pequenas que vivem longe de suas famílias, meninas deficientes, vítimas de gravidez precoce e meninas que estão infectadas ou gravemente afetadas pelo HIV/Aids. O AGSP também premia aquelas que apresentam bom desempenho escolar, incentivando-as a continuar os estudos e a servir de exemplo para as colegas mais novas. Os critérios gerais de seleção das escolas e das meninas, a partir dos quais as comunidades puderam fazer suas escolhas, foram desenvolvidos por um comitê de direção nacional presidido por Guilavogui e pelas principais organizações interessadas em promover a educação das meninas na Guiné.

Hawa Sané, presidente da Aliança Local para a Educação de Meninas, diz que "as bolsas de estudo aliviam as despesas dos pais desta comunidade, que são muito pobres. Acreditamos que elas também motivarão as meninas mais novas e, esperamos, incentivarão outras a se dedicarem aos estudos".

Além do Programa da Embaixada de Bolsas de Estudo para Meninas, um programa complementar está sendo realizado na Guiné por um parceiro da USAID, o Centro de Desenvolvimento Educacional (EDC). Ao oferecer mais de 2.600 bolsas de estudo adicionais às meninas da quinta e sexta séries da cidade de Conacri, capital da Guiné, bem como de áreas rurais do país, o EDC tem ajudado a USAID a garantir a cobertura nacional de bolsas de estudo para meninas dos quatro cantos do país.

IMPACTO GERAL

A Guiné conseguiu atingir os três objetivos principais da Iniciativa para a Educação na África. Além dos livros didáticos e das bolsas de estudo do programa, a capacitação dos professores, patrocinada pela USAID, é uma atividade contínua destinada a melhorar a qualidade do ensino fundamental na Guiné. Para que o impacto das três iniciativas seja sustentável e duradouro, a USAID está trabalhando em estreita cooperação com o governo da Guiné e é atualmente o maior contribuinte bilateral para o programa Educação para Todos (EFA) na Guiné.

Embora a falta de professores e de materiais didáticos ainda seja generalizada na Guiné, há razões para otimismo. De acordo com o Ministério da Educação, durante o ano letivo de 2003-2004 a porcentagem de crianças em idade escolar que estão freqüentando o ensino fundamental cresceu de 74% para 77% no geral e de 67% para 70% entre as meninas. Esse fato foi particularmente evidenciado pelas taxas de matrícula na primeira série, que saltaram de 61% para 65%.

O firme compromisso do governo da Guiné e a melhora contínua na gestão do setor educacional resultaram, em 2003, na inclusão do país na lista dos sete indicados para a Iniciativa Via Rápida do Grupo dos Oito (G-8), cuja meta é garantir o acesso universal ao ensino fundamental na Guiné até 2015.

DE OLHO NO FUTURO

Embora a primeira fase da Iniciativa para a Educação na África ainda esteja em andamento, o programa deve continuar por mais quatro anos. Em 30 de junho de 2005, o presidente Bush anunciou uma verba de US$ 400 milhões para a continuação da AEI no período de 2006-2010, a fim de melhorar a qualidade e o acesso à educação básica para milhões de crianças na África Subsaariana.

As metas da AEI serão:

  • capacitar 500 mil professores e administradores;

  • conceder 300 mil bolsas de estudo por intermédio do Programa da Embaixada de Bolsas de Estudo para Meninas;

  • elaborar e distribuir 10 milhões de livros escolares e outros materiais didáticos relacionados;

  • melhorar o acesso de estudantes marginalizados e de professores ao aprendizado, materiais educativos e cursos de capacitação;

  • melhorar o acesso à educação e ao treinamento para jovens que estão afastados da escola, órfãos e outras crianças vulneráveis;

  • facilitar o acesso a cursos de capacitação e desenvolvimento profissionais para aumentar a produtividade.

International Development Goals: Moving Forward