Mais Poder às Mulheres:
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Setenta por cento dos pobres do mundo são mulheres e crianças. Esse fato lamentável significa que as mulheres sofrem de forma desproporcional em situações de conflito. Significa que, de modo geral, não têm acesso à educação, crédito, posse de terras e participação nas tomadas de decisão da comunidade e da família. E sugere que transformar o seu modo de vida pode ser a chave para a erradicação da pobreza e a construção de um mundo mais justo e pacífico. Como cuidadoras, arrimos de família e membros da comunidade, as mulheres são fundamentais para o desenvolvimento social e econômico da família, da sociedade e do país. Mas as mulheres no mundo todo, em especial as que vivem nas zonas rurais, enfrentam uma batalha crônica contra a discriminação. Um ciclo bastante comum de pobreza, analfabetismo, tradições e normas culturais opressivas e falta de conhecimento sobre os direitos humanos básicos constitui um obstáculo para que as mulheres participem plenamente e prosperem na sociedade. ABRINDO OPORTUNIDADES A Assistência Internacional da Igreja Luterana (LWR) e outras organizações não-governamentais ajudam a estabelecer ligações e relacionamentos respeitáveis com populações que sofrem com opressão e pobreza. Por dirigir grande parte de nossas energias às mulheres, vimos repetidas vezes, em todas as áreas em que trabalhamos, que mulheres com mais poder tornam-se elementos catalisadores de mudança na família e na comunidade. Com as mulheres, a LWR encontrou maneiras de mudar tradições e normas culturais opressivas que privam as pessoas de sua dignidade. Mesmo antes de as Nações Unidas estabelecerem a capacitação das mulheres como uma das Metas do Desenvolvimento para o Milênio, a LWR reconheceu o impacto poderoso que as mulheres podem exercer sobre a comunidade quando lhes são dadas as oportunidades adequadas. E nós na LWR elegemos a igualdade de gênero como tema subjacente a todo o nosso trabalho, estimulando a participação ativa dos homens e das mulheres em todos os aspectos dos processos de tomada de decisão. Na África, a LWR e seus grupos parceiros de desenvolvimento capacitam mulheres para que elas aumentem sua renda mediante treinamento sobre técnicas de mercado e oferta de empréstimos e capacitação para abertura de pequenas empresas. Na Ásia, trabalhamos para informar as mulheres, em especial as das comunidades marginalizadas, sobre seus direitos legais e sobre como atuar em defesa de seus direitos nos âmbitos local e nacional. Na América Latina, trabalhamos para encurtar a distância entre ricos e pobres ajudando as famílias a aumentar sua renda por meio de métodos agrícolas sustentáveis e mais produtivos, assegurando que tanto os homens quanto as mulheres se beneficiem com nossos projetos. Nos Estados Unidos, defendemos maior sensibilidade para com a igualdade de gênero nas políticas governamentais, nas políticas das instituições multilaterais, na comunidade empresarial e na sociedade civil. Nosso trabalho com mulheres é facilmente ilustrado pelas histórias dos projetos que desenvolvemos com parceiros locais nas comunidades onde atuamos. São histórias sobre mulheres extraordinárias e fortes e sobre os benefícios que realizam quando lhes é dada a oportunidade de sair de uma situação de pobreza de longo prazo. Uma dessas histórias se passou em Burkina Fasso, um dos países mais pobres do mundo. DESAFIOS E BATALHAS As mulheres da zona rural de Boulgou, em Burkina Fasso, levantam todas as manhãs com clima quente e uma bela paisagem de relva amarelada e algumas árvores verdejantes. Levantam-se também para enfrentar vários desafios: analfabetismo disseminado, insegurança alimentar, falta de dinheiro para comprar roupas e remédios, pouco acesso à água potável e serviços de saúde geralmente muito limitados. Tanto a pobreza quanto a tradição local impedem que a maioria das mulheres freqüentem a escola e se capacitem para ganhar a vida. Elas lutam para ter voz na tomada de decisão em casa e na comunidade. Raramente aprendem técnicas de prevenção a doenças comuns como diarréia e cólera. A maioria das famílias de Boulgou depende da agricultura para alimentação e subsistência, usando técnicas desatualizadas que exaurem os nutrientes do solo resultando em colheitas cada vez menores. A conseqüência de todos esses problemas é uma luta diária para as mulheres – luta para alimentar a família, manter-se saudável, participar das decisões que afetam sua vida e ganhar dinheiro para comprar artigos de necessidade básica. Mas há esperança para essas mulheres – esperança no coração e nas árvores verdejantes que salpicam a paisagem. Essas árvores – árvores de karitê – representam um recurso natural valioso. Elas dão frutos cujas nozes podem ser processadas em uma variedade de produtos, entre eles a manteiga de karitê – ingrediente comum em cosméticos como loção para o corpo e bloqueador solar. As mulheres de Boulgou já processavam essas nozes manualmente para fazer produtos de uso doméstico, como óleo de cozinha, creme para o corpo e sabonete. Usavam também as cascas das nozes para fazer fogo cuja fumaça constitui um repelente natural contra mosquitos – um efeito salvador de vidas em uma região onde a malária mata milhares de pessoas por ano. COMERCIALIZAÇÃO E MECANIZAÇÃO Mas, para vender a manteiga de karitê no mercado global e conseguir rendimentos estáveis, as mulheres precisavam processar grandes quantidades de nozes. Precisavam de prensas a motor para processar volumes maiores de nozes e de forma mais rápida, e assim produzir mais manteiga para vender às empresas e aumentar o lucro. A Assistência Internacional da Igreja Luterana e sua organização parceira local, Dakupa, compraram prensas a motor para dois grupos de mulheres da região. A Dakupa treinou as mulheres para operar e fazer a manutenção das prensas, além de capacitá-las na elaboração de sistemas de produção, gerenciamento financeiro e manutenção de um bom registro contábil de despesas e lucros. Após o treinamento, essas mulheres receberam pequenos empréstimos para comprar grandes quantidades de nozes de outras mulheres especializadas em colher os frutos das árvores. Antes, as mulheres trituravam as nozes com as mãos, andavam vários quilômetros até outro vilarejo para fazer a prensagem e voltavam para casa para ferver e filtrar o óleo. Como esse trabalho era bastante pesado e rendia muito pouco, muitas mulheres simplesmente vendiam as nozes inteiras a preços irrisórios. Mas agora, vendendo o óleo e a manteiga, elas recebem quatro vezes mais o que recebiam vendendo as nozes inteiras. Além disso, podem alugar as prensas mecânicas para pessoas de outros vilarejos quando não estiverem trabalhando com elas, o que lhes dá outra fonte de renda. Agora que as mulheres estão processando a manteiga de karitê com sucesso, a LWR e a Dakupa estão ajudando na comercialização do produto. As mulheres têm um contrato com uma empresa de cosméticos em Ouagadougou, capital de Burkina Fasso, e pretendem diversificar seus pontos de venda para aproveitar o mercado internacional de manteiga de karitê. Esse projeto ajudou as mulheres de Boulgou a assumir o controle da própria vida. Elas agora ganham o suficiente para comprar roupas e remédios e são donas de uma empresa. Os homens desses vilarejos estão levando as mulheres mais a sério e começando a incluí-las no processo de tomada de decisão da comunidade. E, agora que elas não precisam mais triturar as nozes com as mãos ou andar longos percursos para vendê-las, sobra tempo para outras atividades como o pequeno comércio, a fabricação de linhas para costura e o preparo da terra para o cultivo. Sua empresa de karitê lhes deu confiança e espírito de solidariedade, e elas aprenderam a administrar com sucesso um projeto comunitário. Esse é apenas um exemplo do que as mulheres são capazes quando têm oportunidades. Um dos legados mais importantes que a Assistência Internacional da Igreja Luterana pode deixar para as comunidades são mulheres com mais poder – e homens participando de formas que lhes permitam entender isso como uma mudança positiva. Isso pode levar as pessoas a assumir novos papéis, permitindo que tanto os homens quanto as mulheres aproveitem melhor seu potencial. A LWR considera seu trabalho com mulheres um imperativo moral. E acaba sendo também um investimento inteligente na redução da pobreza e na construção de comunidades e famílias saudáveis.
As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA.
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