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Enfrentando a Desnutrição Infantil na Costa de Bangladesh

Ina Schonberg


ÍNDICE
Sobre Esta Edição
Trabalho Conjunto para Acabar com a Fome
Biotecnologia para Alimentar os Famintos
A Revolução Verde
Como Quebrar o Ciclo da Fome
Gestão Diplomática da Ajuda dos Estados Unidos aos Que Têm Fome
Principais Agentes da Ajuda Alimentar
O Agricultor Americano e a Ajuda Alimentar dos EUA
Fome: Encarando os Fatos
Tripla Ameaça na África Austral
Ajuda a Criadores de Rebanho no Chifre da África
Enfrentando a Desnutrição Infantil na Costa de Bangladesh
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Acabe com a Fome Infantil
Crianças Combatem a Fome
Recursos Adicionais
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Divisão de Fome e Desnutrição. A desnutrida Shireen e sua mãe foram cadastradas no programa de Aconselhamento Nutricional Intensivo da Save the Children; a criança recebeu alimentos e a família conseguiu um poço e uma latrina (Cortesia: Save the Children)

Em Bangladesh, a ajuda alimentar serve para matar a fome das crianças após a ocorrência de enchentes devastadoras ou outras situações de emergência. A ajuda em dinheiro proporciona a elas assistência médica e escolas e, aos pais, meios de produzir renda familiar. Ambos os tipos de ajuda são necessários por tempo indefinido em um país onde talvez metade da população não consiga ter alimentação adequada.

Ina Schonberg é vice-presidente associada da Save the Children, instituição beneficente independente, sem fins lucrativos.

Bangladesh aparece freqüentemente nos noticiários por causa das enchentes, pressão da população e pobreza extrema. É um dos países mais populosos do mundo: mais de 130 milhões de habitantes vivem em um delta fértil inundável cortado por rios, lagos e braços de mar. As enchentes e os ciclones são uma ameaça constante, a poluição está aumentando e o solo está sendo esgotado. Apesar do progresso socioeconômico constante, a pobreza predomina, profundamente arraigada. Nas regiões costeiras do centro-sul de Barisal, a insegurança alimentar é alta e a desnutrição, mais persistente do que em outras partes do país.

Ao longo da costa de Bangladesh, a Save the Children trabalha com outras organizações não-governamentais e governos locais para reduzir a desnutrição infantil. Usando alimentos do programa Título II da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), o programa Jibon-O-Jibika (Vida e Subsistência) alimenta 180 mil crianças por mês. A equipe do programa entra nos vilarejos mais distantes para imunizar as crianças (juntamente com o governo), monitorar seu crescimento e fornecer serviços de saúde onde eles não existem. O programa providencia acesso a água potável e saneamento e dá às famílias pobres a oportunidade de receber um pedaço de terra para plantar e, dessa forma, aumentar sua renda.

Para crianças como Shireen, esse programa pode ter demorado demais. Gravemente desnutrida por causa de doenças repetidas e alimentação inadequada, Shireen corria o risco de morrer antes de completar dois anos de idade. Sua mãe recebeu alimentos como incentivo para comparecer às atividades mensais da Save the Children em seu vilarejo, e voluntários da comunidade trabalharam com o pessoal da organização para que Shireen pudesse receber alimentação adequada e ganhar peso. A instalação de um novo poço tubular de água e uma latrina sanitária propiciou à família de Shireen ganhos imediatos, além da esperança de melhorar a nutrição e reduzir as doenças a longo prazo.

Mudança de comportamento

O objetivo do programa Jibon-O-Jibika da Save the Children é fazer com que as mães adotem hábitos alimentares saudáveis e cuidem da saúde de seus seus bebês e crianças pequenas. O programa também disponibiliza os serviços de saúde necessários. Pequenas rações alimentares dão às mães de famílias com maior risco de insegurança alimentar um incentivo para aprender a mudar seu comportamento.

Após dois anos de programa, os resultados são impressionantes (dados de junho de 2007):

  • 311.080 mães e filhos receberam atendimento médico, com altas taxas de comparecimento em todos os pontos de prestação de serviços.


  • Mais de 29 mil poços tubulares foram testados para detecção de arsênico; 37% mais famílias tiveram acesso a latrinas sanitárias.


  • A produção e o consumo de hortaliças aumentaram.

Ao mesmo tempo, a Save the Children trabalhou em estreita colaboração com autoridades dos governos locais e grupos comunitários em 66 das regiões costeiras mais vulneráveis para enfrentar as emergências. Mais de 1,2 mil voluntários foram treinados e equipados para agir prontamente e mitigar os danos em situações de emergência. Eles planejam melhorar os abrigos contra ciclones, dar treinamento para melhorar os alertas de desastres, realizar missões de busca e de resgate durante as enchentes e fazer avaliações rápidas para distribuição de ajuda emergencial. O acesso a estoques emergenciais de alimentos, com pessoas e infra-estrutura para sua distribuição, tem salvado vidas e aliviado o sofrimento em situações de desastre.

Ajuda alimentar eficaz

Estudos demonstram que a destinação efetiva de ajuda é essencial para a segurança alimentar de Bangladesh, não apenas como ajuda emergencial no curto prazo, mas também para o desenvolvimento econômico a longo prazo. A ajuda alimentar emergencial tem se mostrado eficaz para salvar vidas. A ajuda alimentar estritamente vinculada a objetivos desenvolvimentistas — tais como melhorar a infra-estrutura e a produção ou apoiar projetos sociais educativos, entre outros — tem sido eficaz para reduzir a pobreza e aumentar a segurança alimentar das famílias.

Estudos demonstram também que a estocagem de alimentos e o uso de ajuda alimentar para reduzir as flutuações de preços dos cereais — particularmente qualquer efeito adverso aos produtores — contribuem para a estabilidade geral do abastecimento de cereais no país, beneficiando todos os cidadãos de Bangladesh.

Ótimos resultados são atingidos quando a ajuda é uma meta bem estabelecida e voltada para objetivos desenvolvimentistas específicos como parte de um programa mais amplo.

Mas comida, por si só, não basta para combater a fome. A eficácia da ajuda alimentar é maximizada quando programada junto com uma ajuda em dinheiro. O dinheiro é necessário, por exemplo, para ensinar as pessoas a cultivar seu próprio alimento, fornecer-lhes os primeiros suprimentos e monitorar o seu progresso.

Em determinadas circunstâncias, os destinatários da ajuda, em particular as mulheres, preferem receber alimentos em vez de dinheiro porque os alimentos são mais fáceis de controlar. E os estudos indicam que, tanto nos países desenvolvidos quando naqueles em desenvolvimento, as pessoas consomem mais alimentos quando recebem ajuda alimentar direta do que quando recebem dinheiro. Em Bangladesh, dada a gravidade da desnutrição e a extensão da fome, o uso de ajuda alimentar direta é essencial.

Novas orientações para ajuda alimentar

Segundo algumas estimativas, cerca de metade dos 143 milhões de pessoas que vivem em Bangladesh não consegue ter uma alimentação adequada (42% das famílias estão abaixo da linha da pobreza). Embora o crescimento econômico e as políticas de mercado sejam fundamentais para a erradicação da pobreza, a quinta parte mais pobre da população continua seriamente desnutrida e incapaz de participar da economia. Para essas pessoas, uma rede de segurança na forma de ajuda alimentar direta é vital para melhorar a renda e a segurança nutricional.

Cerca de metade da população de Bangladesh, como essas pessoas em um campo de assistência em Daca, não consegue ter uma alimentação adequada
Cerca de metade da população de Bangladesh, como essas pessoas em um campo de assistência em Daca, não consegue ter uma alimentação adequada (Pavel Rahman/©AP Images)

Os fluxos de ajuda alimentar para Bangladesh diminuíram com a redução geral da assistência ao desenvolvimento. Os custos crescentes de mercadorias e fretes, bem como a mudança de prioridades do governo americano, levaram à redução da ajuda alimentar disponível. As implicações já estão sendo sentidas diretamente na região com os cortes do programa Título II da USAID. A falta de fundos atrasou a implementação e a expansão de algumas atividades do programa, tais como o tratamento de crianças com doença respiratória aguda e diarréia. A distribuição de alimentos terá de ser encerrada antes do planejado para alguns beneficiários. Além disso, os esforços para diminuir as vulnerabilidades da comunidade e das famílias aos choques naturais por meio de maior prontidão comunitária não serão estendidos a todas as áreas vulneráveis atendidas pelo Jibon-O-Jibika.

A ajuda alimentar vinculada a objetivos desenvolvimentistas específicos tem funcionado em Bangladesh. Ela aumentou a renda das famílias, permitiu que as meninas se matriculassem e concluíssem o ensino e reduziu a insegurança alimentar durante os períodos de fome.

A ajuda em dinheiro também é vital para assegurar que a ajuda alimentar seja programada de forma a melhorar efetivamente o atendimento médico, o acesso à água e a qualidade das escolas e responder aos desastres causados pelas enchentes. Programas inovadores podem incluir combinações de ajuda em dinheiro, ajuda alimentar e até mesmo transferências de dinheiro.

Dados os resultados positivos, o fornecimento contínuo de ajuda alimentar, com o apoio de níveis adequados de assistência em dinheiro, deveria continuar a ser prioridade para Bangladesh.

As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA.

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