ApresentaçãoJohn
Marburger |
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A biotecnologia é a mais recente manifestação do esforço constante da humanidade para controlar os próprios processos da natureza e assim contribuir para o avanço da condição humana. O termo em si reúne conhecimento e prática, ciência e tecnologia. Poderíamos tê-lo usado para descrever o surgimento da agricultura, ou da farmacologia, ou até mesmo do treinamento de atletas − atividades que, germinando de raízes antigas, se transformaram em formas exóticas e muito contemporâneas. Em cada caso, o acúmulo de conhecimento sobre a natureza sugeriu formas de tornar a vida mais segura, mais saudável e mais produtiva. Embora biotecnologia seja um termo relativamente novo e com conotações mais restritas, é bom ter em mente sua ligação com o passado, em especial ao se falar de seus benefícios para as culturas independentemente das tradições da ciência moderna. A biotecnologia começa com o estudo de plantas e animais, complexos e belos até mesmo em suas mínimas características. Grandes artistas têm se esforçado para captar os detalhes de pássaros, flores e insetos que retratam sua maravilhosa diversidade. Cada avanço em nossa capacidade de ver coisas em menor escala vem revelando novas maravilhas, novos padrões e comportamentos que explicam os mistérios das grandes proporções. Durante os últimos 25 anos, esses avanços nos conduziram a um dos principais marcos da natureza: agora podemos “ver” os átomos básicos que constituem toda a matéria normal. Abaixo desse nível há um abismo separando os fortes cernes dos núcleos atômicos, cem mil vezes menores que o menor átomo, em que físicos exploram um novo mundo − um mundo igualmente belo, porém sem vida. A vida, em outras palavras, pode ser pesquisada hoje pela primeira vez na história em todo o seu espectro, das menores até as maiores escalas. Em sua maioria, as ferramentas capazes de possibilitar tal pesquisa vêm de outros campos da ciência e requerem grandes investimentos que normalmente apenas os governos podem assumir. Entretanto, as descobertas reveladas por essas ferramentas podem ser analisadas e exploradas com recursos relativamente modestos. Ainda bem, porque a natureza em pequena escala é surpreendentemente complexa. Estamos longe de entender tudo o que conseguimos ver, e, mesmo com novas ferramentas poderosas, a exploração do terreno da vida absorverá a energia de comunidades inteiras de cientistas. O território é imenso, e o seu mapeamento e desenvolvimento são empreendimentos internacionais. Essa imensidão do universo das coisas vivas abrange não apenas os números de espécies, tipos de organismos e variedades de substâncias químicas que as animam, mas também os processos da vida. Dos numerosos sistemas de reações químicas, transporte de materiais, fluxo de informações e suporte mecânico na mais diminuta escala às funções dos órgãos e ao comportamento dos organismos na maior delas, é surpreendente o simples volume de informações necessárias para entender até as formas de vida mais simples. Ver essas coisas não é suficiente. E, para compreendê-las, é preciso armazenar um gigantesco volume de informações, recuperá-las com eficiência e processá-las para testar hipóteses sobre causas e efeitos. Somente agora a biologia pode produzir tecnologia própria porque a tecnologia da informação ganhou maturidade em nossa era. Ver pequeno com difração radiográfica, ressonância magnética e microscópios eletrônicos e pensar grande com computadores rápidos, bases de dados gigantescas e transferência em banda larga são dois dos três ingredientes que possibilitam a "bio" tecnologia. O terceiro ingrediente é a capacidade de fazer as coisas acontecer na mais diminuta escala. Os meios para tanto são vários e freqüentemente reúnem os processos da própria vida para orientar nosso rumo. Essa idéia é antiga e não muito diferente de usar abelhas para polinização. Hoje utilizamos bactérias e vírus para pôr em execução nossa agricultura microscópica. Mas também usamos lasers, sondas minúsculas e moléculas ativadas cuja eficiência descobrimos com experimentos trabalhosos. A manipulação da matéria nessa escala é parte do que trata a nanotecnologia, e não é por acaso que a nanotecnologia, a tecnologia da informação e a biotecnologia estão evoluindo juntas. São tecnologias convergentes e se alimentam mutuamente em uma ecologia complexa de descobertas, inovações e aumento da eficiência humana. A biotecnologia é a aplicação dos três ingredientes para realizar os objetivos humanos. Nosso objetivo não é simplesmente entender a doença, mas curá-la; não apenas consumir quaisquer alimentos encontrados, mas torná-los mais seguros e mais nutritivos; não somente colher os produtos aleatórios da natureza para nossas indústrias, mas também torná-los mais fortes, mais seguros e mais adaptados às nossas necessidades. A complexidade da natureza, vista outrora como obstáculo a esses objetivos, agora se revela a nós como fonte abundante de oportunidades para a sua realização. A forma como aproveitamos essas oportunidades para o bem da humanidade é o que chamamos de biotecnologia.
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