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As pessoas dessa cidadezinha
tomavam conta de sua vida, mas também tomavam conta de você.
Eu era alto, muito alto desde bem novo.
Isso criava todos os tipos de problemas e de oportunidades.
Eu me lembro da ocasião em que fui a um parque de diversões no
meu aniversário de quatro anos. Fomos
a uma pista de carrinhos bate-bate e todas as crianças puderam brincar,
menos eu. Disseram que eu era velho demais. Eu me lembro de ter ficado muito magoado porque o
empregado não acreditou em mim. Eu
não estava mentindo. Minha família
me ensinou a não mentir. Sentei-me
e comecei a chorar, vendo todos os meus amigos andar nos carrinhos.
Finalmente, minha mãe percebeu o que estava acontecendo e esclareceu
a situação. Eu não era velho demais, era apenas mais alto do que
as crianças da minha idade. Depois
disso, consegui participar do brinquedo com meus amigos. Daí em diante, levávamos minha
certidão de nascimento a todos os lugares até minha época de colegial. A altura fora do comum atraía olhares e perguntas,
causava risos, provocações e, às vezes, até mesmo desafios para briga. Quando criança, era alvo de muitas piadas o tempo
todo. Não era justo, eu sabia, mas
não tinha jeito. Por sorte, desde cedo,
ensinaram-me uma lição importante. Eu
faço diferença e sou importante. Isso
ninguém jamais irá tirar de mim. Deus
me ama, não importa o que aconteça. Mesmo que todos no mundo me odiassem, Deus não. Eu sabia disso naquela época e sei disso agora. Bastava isso para me ajudar a superar as frustrações
e mágoas da vida normal. Quando eu estava no primeiro
ano do colegial, percebi outra coisa que me ajudou a enfrentar os dissabores. A maior parte das provocações e tormentos partia de
dois pontos—pessoas que eram ciumentas ou ignorantes.
Eu não podia mudar o modo deles, mas o meu modo de sentir, sim. Eu não ia me sentir mal só por causa da ignorância
ou ciúme deles. Não valia a pena! Perceber isso não os fez parar ou mudar o fato de
que esses comentários magoavam. No
entanto, na verdade, serviu para entender essas pessoas e lidar melhor
com o seu modo de me tratar. Esse tipo de coisa ainda acontece
atualmente. Provavelmente acontecerá
em toda a minha vida. Eu sempre terei
2,29 m de altura. Não vou conseguir mudar isso nunca. As pessoas sempre vão olhar, porque não é todo dia
que se vê alguém tão alto. Aprendi
isso bem cedo e agora tento ensinar meus filhos que eles são importantes. Eles têm seu valor e, acima de tudo, Deus os ama. Essa é a minha mensagem para vocês. Independentemente de sua raça, religião, origem étnica
ou circunstâncias... Deus o ama!
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