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A Mídia Emergente Reestrutura a Sociedade Global

Dale Peskin e Andrew Nachison

A Mídia Emergente

ÍNDICE
Sobre esta edição
A Mídia Emergente Reestrutura a Sociedade Global
Jornais Recriam Sua Mídia
Como os Jornais Comunitários se Adaptam à Nova Tecnologia
Emissoras de Radiodifusão Ficam On-Line e Permanecem no Ar
Bibliotecas Públicas na Era da Internet
Conexão de Culturas na Internet
Leitores Fazem do Jornal Algo Seu
O Laptop de US$ 100
Blogueiros Inovam na Comunicação
Apresentações com fotos ícone de foto
Álbuns On-line
Conectando-se Mundo afora
Internet2—A Criação da Internet do Futuro
Combate ao Crime On-Line
O Que Todo Consumidor de Produtos e Serviços Eletrônicos Deve Saber
A Próxima Novidade já Chegou
Vídeo ícone de vídeo
Videoblogues On-line
Bibliografia
Recursos na internet
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As tecnologias da  informação possibilitam a conexão entre as pessoas de uma forma jamais vista, formando correntes que abarcam gerações e culturas. Participantes da revolução "Nós, a Mídia" usam telefones celulares para registrar e distribuir fotografias e vídeos; empregam poderosas ferramentas de busca para obter informações específicas para suas necessidades particulares; divertem-se com jogos sofisticados em rede com outros jogadores; e assistem a canais via satélite, como o Al Jazeera, que atingem um  público global. Da pré-escola à faculdade, as tecnologias são ferramentas de  educação básica, canais para ilimitadas informações e oportunidades para aprender as habilidades do futuro
Fotomontagem: As tecnologias da informação possibilitam a conexão entre as pessoas de uma forma jamais vista, formando correntes que abarcam gerações e culturas. Participantes da revolução "Nós, a Mídia" usam telefones celulares para registrar e distribuir fotografias e vídeos; empregam poderosas ferramentas de busca para obter informações específicas para suas necessidades particulares; divertem-se com jogos sofisticados em rede com outros jogadores; e assistem a canais via satélite, como o Al Jazeera, que atingem um público global. Da pré-escola à faculdade, as tecnologias são ferramentas de educação básica, canais para ilimitadas informações e oportunidades para aprender as habilidades do futuro
(Todas as fotos: AP/Wide World Photos)

O relacionamento entre a mídia tradicional e o público está mudando, tendência que os profissionais da informação chamam de "Nós, a Mídia". Esse processo jornalístico emergente permite que a rede social na web produza, analise e dissemine notícias e informações para públicos tecnologicamente interconectados sem restrições geográficas..

Dale Peskin e Andrew Nachison são co-diretor e diretor do Centro de Mídia de Reston, Virgínia. O centro é um instituto de pesquisas sobre mídia sem fins lucrativos compromissado em construir uma sociedade mais bem informada em um mundo interconectado. É uma divisão do Instituto Americano de Imprensa.

As inovações em tecnologias da informação lançaram a humanidade em uma era de mídia democrática em que quase todos podem ter acesso imediato a notícias e informações e se tornar criadores e contribuintes da empresa jornalística. Como resultado, as notícias agora se movem de modos não convencionais com conseqüências imprevisíveis.

Como uma experiência compartilhada de mídia digital afeta o que e como sabemos? Como se comportam os criadores e responsáveis por matérias jornalísticas quando qualquer pessoa pode desempenhar o papel de jornalista, editor ou arquivista? Quais são as implicações para nossa sociedade global?

Enquanto gigantes da comunicação como o Yahoo, o MSN e o Google possibilitam o acesso dos cidadãos a recursos de informação, na sociedade interconectada atual, a diversidade da mídia impede que qualquer instituição controle o fluxo de notícias e idéias
Fotomontagem: Enquanto gigantes da comunicação como o Yahoo, o MSN e o Google possibilitam o acesso dos cidadãos a recursos de informação, na sociedade interconectada atual, a diversidade da mídia impede que qualquer instituição controle o fluxo de notícias e idéias
(Todas as fotos: AP/Wide World Photos)

Essas dúvidas estão no cerne de "Nós, a Mídia", frase cunhada há quatro anos pelo Centro de Mídia para descrever o fenômeno emergente de acesso global ao conteúdo de infinitas fontes, conteúdo esse que possibilita a participação e o envolvimento cívico nas notícias e informações que afetam a sociedade.

O Google é uma das manifestações. Essa ferramenta de busca da internet, cuja missão é nada menos que organizar as informações mundiais, possibilita aos indivíduos controlar seu mundo. Eles ficam mais capacitados a procurar e encontrar informações de acordo com suas preferências pessoais e a agir. O acesso individual a notícias e informações não é mais determinado por instituições poderosas com autoridade ou riqueza para dominar a distribuição.

Os blogues são outra manifestação. Esses diários on-line criam e conectam pessoas e suas idéias em todo o mundo. Sites como o Global Voices [http://www.globalvoicesonline.org] agregam histórias e perspectivas de pessoas comuns: cidadãos contadores de histórias com vozes autênticas de circunstâncias e culturas únicas. O poder desses blogues é tão expressivo que sites como http://www.technorati.com foram criados para localizar mais de 25 milhões de blogues aproximadamente 1/4 dos diários eletrônicos da blogosfera.

Uma terceira manifestação é o aumento de canais internacionais via satélite. A democratização da mídia levou programas de rádio e televisão para culturas em qualquer lugar. Usando tecnologias digitais de baixo custo e distribuição via satélite, mais de 70 canais internacionais atravessam fronteiras para alcançar os limites do planeta com notícias para todos os pontos de vista. A rede estatal BBC criou uma nova espécie de império britânico, com centenas de canais e sites na internet, que alcançam 100 milhões de pessoas em todo o mundo e são traduzidos em 43 línguas. A Al Jazeera defende a liberdade da mídia e influencia o pensamento árabe em uma região turbulenta e volátil. A Al Jazeera visa expandir sua influência com o lançamento, no fim de 2006, de um programa de notícias em inglês que estará no 24 horas por dia.

"Nós, a Mídia" também abrange a onipresença de dispositivos de mídia pessoais, estimulando a mais poderosa conexão de mídia a transmissão boca a boca. No fim de 2005, mais de 2 bilhões de pessoas quase 1/3 da população mundial possuíam telefone celular. Cerca de 800 milhões de novos telefones celulares são vendidos todo ano no mundo. Segundo estimativas, até 2008, 600 milhões de pessoas poderão registrar eventos com câmeras digitais sofisticadas, que serão, em muitos casos, um recurso encontrado nos celulares. Esses dispositivos criam a "geração de conteúdo global" com o poder sem precedentes de criar, produzir, compartilhar e participar da vida em tempo real. As redes globais possibilitam às pessoas enviar notícias, pensamentos, idéias e imagens a qualquer lugar e a qualquer momento.

O que surge é a manifestação mais marcante de "Nós, a Mídia" a participação. Todos participam da matéria. Todos exercem influência.

"Nós, a Mídia" é marcado pelo relacionamento em transformação entre as instituições tradicionais. "Nós, a Mídia" é um processo emergente formado de baixo para cima, no qual pouca ou nenhuma fiscalização editorial ou fluxo de trabalho jornalístico formal dita as decisões da equipe. Ao contrário, é o resultado de diversas discussões simultâneas e espalhadas que florescem ou atrofiam rapidamente na rede social na web.

O ato de um cidadão − ou grupo de cidadãos −, envolvido no processo de coletar, relatar, analisar e disseminar notícias e informações, compete com instituições editoriais e seus jornalistas. Mas o objetivo pode ser o mesmo: fornecer informação independente, confiável, precisa, ampla e pertinente, que é a exigência de uma democracia.

Outrora às margens do jornalismo tradicional, "Nós, a Mídia" tornou-se um fenômeno que não pode ser ignorado. Comunidades, empresas, órgãos governamentais, analistas de pesquisa de opinião, jornalistas autônomos, colunistas, faculdades de jornalismo e, sim, até mesmo empresas jornalísticas estão aderindo ao "Nós, a Mídia". Têm surgido projetos em toda a mídia dominante. São oriundos da surpreendente experiência Oh My News [http://english.ohmynews.com/] da Coréia do Sul, que organizou dezenas de milhares de cidadãos-repórteres em uma nação de especialistas tecnológicos onde uma simples questão geralmente domina o discurso político. Três anos após seu lançamento, credita-se ao Oh My News a destituição de um governo e a erosão do poder dos magnatas da mídia.

A profissão venerável do jornalismo encontra-se em um raro momento da história quando, pela primeira vez, sua hegemonia como guardiã das notícias é ameaçada pela nova tecnologia, pelos concorrentes e pelo público a quem ela serve.

As tendências têm desencadeado considerável debate sobre os valores essenciais do jornalismo. Obviamente, o jornalismo está no processo de redefinição, ajustando-se a forças perturbadoras. No centro do debate estão as questões cruciais de controle, credibilidade e lucratividade.

Qualquer cidadão pode ser repórter? Muitos jornalistas tradicionais desdenham dos jornalistas participativos, especialmente os blogueiros, caracterizando-os como preocupados com o interesse próprio, amadores não qualificados que não obedecem aos padrões institucionais de verificação de fatos, justiça, equilíbrio e objetividade. No sentido inverso, muitos blogueiros consideram a mídia dominante um clube exclusivo e arrogante que coloca sua própria versão de interesses próprios e de sobrevivência econômica acima da responsabilidade social de uma imprensa livre.

Isto a maioria dos jornalistas tradicionais não consegue entender: apesar da falta de capacitação ou treinamento jornalístico do participante, a própria internet age como um mecanismo de edição. A diferença é que o julgamento editorial é aplicado à margem, com freqüência após o fato, e não anteriormente. Nesse ecossistema da informação, cidadãos confiam uns nos outros para relatar, distribuir e corrigir uma matéria assim que ela é publicada. Uma matéria não é mais determinada pelos prazos ou cronogramas de distribuição. Ao contrário, é orgânica, desenvolvendo-se por meio de múltiplas formas de mídia e em transformação a partir de sua publicação. A matéria não pertence a ninguém, a não ser ao público.

A fluidez dessa abordagem coloca mais ênfase na publicação da informação que na filtragem. Discussões acontecem na comunidade na presença de todos. Entretanto, empresas jornalísticas tradicionais são criadas para filtrar informações antes de sua publicação. Editores e repórteres colaboram, mas os debates não são abertos ao exame minucioso ou envolvimento público.

As diferenças mais óbvias entre o jornalismo participativo e o jornalismo tradicional são as estruturas e organizações que os produzem. As mídias tradicionais são criadas por organizações hierárquicas, construídas para o comércio. Seus modelos de negócios concentram-se em lucros oriundos da publicidade. Elas valorizam o fluxo de trabalho rigoroso, a lucratividade e a integridade. Comunidades ligadas em rede que valorizam a discussão, colaboração e igualdade social acima da lucratividade criam jornalismo participativo. O jornalismo participativo aparentemente não requer um jornalista treinado da maneira tradicional para ser o mediador ou facilitador. Muitos weblogues, fóruns e comunidades on-line funcionam com eficácia sem ele.

Para alguns, a ruptura causada pela mídia digital aos padrões tradicionais de consumo e distribuição das informações não passa de um abalo econômico que acumula prejuízos a curto prazo nas empresas de mídia e cria novas oportunidades de negócios para a próxima geração de gigantes das comunicações. Sob este cenário, empresas como o Google, MSN e Yahoo! substituem jornais locais, televisão, rádio e editoras de revistas como os guardiões dominantes de nossas experiências de mídia.

Mas a noção de dominância é obsoleta na sociedade conectada. Os indivíduos exercem poder sem precedentes sobre como e quando acessam as informações e com quem as compartilham. Nesse sentido, a mídia digital é profundamente perturbadora para os interesses de qualquer instituição pautada pelo poder e controle. O que sabemos e a informação que podemos acessar outrora dependiam do local em que morávamos. Na sociedade conectada de nômades globais, nosso capital social pode se expandir por meio de vastas redes pessoais por todo o globo.

"Nós, a Mídia" é uma força que em breve superará a influência das instituições controladoras de notícias e informações. Sugere que a voz a autêntica manifestação cultural do indivíduo ressurja na formação artesanal de nossa mídia.

A Mídia Emergente

As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA.

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