A Iniciativa Global de Erradicação da Pólio (GPEI) reúne ampla rede de especialistas, recursos e voluntários que realizam uma campanha global contra um vírus letal que pode causar paralisia em uma criança ou jovem adulto em poucas horas e, em seguida, levar à morte ou a deficiência física irreversível. A GPEI é considerada a maior iniciativa de saúde pública já realizada no mundo.
O sucesso dessa campanha de 18 anos tem sido constante. No final dos anos 1980, a poliomielite existia em 125 países; atualmente o vírus é endêmico – encontrado na natureza – em apenas quatro países. Vinte anos atrás, cerca de 350 mil pessoas eram contaminadas pelo vírus da pólio a cada ano no mundo inteiro. Até o fechamento desta edição, sabia-se da existência de 1.985 casos de pólio em 2006. O total de casos de 2006 reflete um enorme avanço desde 1980, mas também confirma a importância do cuidado na erradicação da doença. O número de casos em 2006 é superior às vítimas anuais no mundo todo nos primeiros anos da década, quando se verificava menos de 800 casos por ano. É preciso o empenho de dezenas de milhares de agentes de saúde, voluntários, habitantes locais e pais, todos dispostos a assegurar que cada criança receba todas as doses necessárias da vacina para acabar com a doença. Isto é, toda criança, incluindo as que nascerão amanhã, no próximo mês, no próximo ano e ano após ano. Assegurar a proteção de cada criança em todos os lugares do mundo é uma meta muitas vezes perseguida com a precisão e o planejamento de uma campanha política ou militar. Os Dias de Vacinação Nacional (NIDs) são eventos realizados em países que continuam com risco de ocorrência de pólio. Profissionais de saúde pública e milhares de voluntários mobilizam montanhas de suprimentos e recursos e os levam a cada canto isolado de seus países para garantir que todas as crianças com menos de 5 anos tomem algumas gotas do líquido que pode protegê-las de doenças incapacitantes. Em 2005, 400 milhões de crianças foram vacinadas em 49 países durante os eventos dos NIDs que não duraram mais que alguns dias. "Esse é um empreendimento muito, muito grande", disse o presidente da Comissão Nacional PolioPlus do Rotary Internacional na Índia. O Rotary é uma organização internacional de serviços, sem fins lucrativos, que primeiro vislumbrou a possibilidade de um mundo sem pólio. Desde 1985 a organização vem trabalhando em parceria com organizações internacionais de saúde, oferecendo a energia e o compromisso dos seus 1,2 milhão de membros associados no mundo todo. "Os vacinadores, de modo geral, são esperançosos e determinados", declarou Kanwaljit Singh, diretor médico do Projeto Indiano de Vigilância Nacional da Pólio, que participa dos NIDs há mais de uma década. “O humor nos postos de vacinação [montados em locais públicos] é, de modo geral, festivo e amistoso, com bandeiras coloridas e cartazes e grande atividade de crianças que brincam e levam seus irmãos mais novos para vacinação.”
Se as crianças não comparecem aos postos montados em parques e mercados, equipes de vacinação vão de casa em casa para encontrar todas elas. “É uma experiência bastante emocionante e, de vez em quando, muito frustrante”, disse Kapur. “Às vezes você é bem-recebido e as pessoas ficam felizes por você ter vindo de tão longe e muito agradecidas por estar lá para vacinar seus filhos.” Mas Kapur também encontra pais que não são muito receptivos às equipes de vacinação, pais que escondem as crianças para evitar a vacinação temendo que ela faça mal aos mais jovens. Esses medos infundados têm se disseminado em muitos lugares, mas quando ocorreram na Nigéria, em 2003, houve retrocesso no esforço de erradicação global. "Em certos vilarejos, a população ouve o líder dizer que a vacinação afetará suas crianças”, relembrou BusuYi Onabolu, vice-presidente da Nacional PolioPlus do Rotary Internacional, na Nigéria. O vírus moveu-se rapidamente na população vulnerável que não permitiu a vacinação. Em 2004, o número de casos de pólio na Nigéria dobrou; em outras 12 nações onde a pólio estava erradicada, a doença ressurgiu de forma geneticamente relacionada com a cepa que havia sido negligenciada na Nigéria. Negociações e discussões relevantes abrandaram os medos da vacina, informou Onabolu, e em agosto de 2004 foi permitida a retomada das campanhas de inoculação em massa, as quais são realizadas periodicamente até hoje. Mas em 2006, a luta da Nigéria contra a pólio terminou com mais de mil casos da doença, quase 40 vezes o número de casos em 2000. "Estamos avançando gradualmente; acreditamos que agora a erradicação da pólio será acompanhada neste país", disse Onabolu. "Não podemos perder o investimento de todos esses anos, podemos?”
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