Q   U   E   S   T   Õ   E   S     G   L   O   B   A   I   S
     Mudanças Climáticas As Opções



É NECESSÁRIO QUE SE FAÇAM MUDANÇAS NA POLÍTICA ENERGÉTICA DOS ESTADOS UNIDOS

Senador Richard Lugar
Presidente, Comitê de Agricultura, Nutrição, e Florestas, do Senado

(Trechos das declarações iniciais do senador, feitas em 5 de março de 1998, durante uma audiência do comitê, a respeito do Protocolo de Quioto.)

Em dezembro [1997], os líderes de 150 países se reuniram em Quioto, Japão, para tratar do assunto de mudanças climáticas. O resultado, "o Protocolo de Quioto", foi recebido com muita controvérsia. É pouco provável que ele seja ratificado pelo Senado, na forma em que se encontra.

Durante a preparação para Quioto, o Senado aprovou a resolução Hagel-Byrd em julho, insistindo para que o presidente não assinasse nenhum tratado que não incluísse as limitações das emissões nos países em desenvolvimento. No entanto, os Estados Unidos assinaram o Protocolo de Quioto, e representantes do governo admitem que ele não inclui "participação significativa" dos "principais países em desenvolvimento."

O debate, em nível nacional, sobre o protocolo, pode forçar esta nação a sobrepujar a sua tendência de separar as política energética da política ambiental. Na verdade, muitos dos nossos problemas ambientais são relacionados à nossa necessidade de energia. Mudanças na política energética são essenciais para que se possa tratar das questões ambientais.

Os acontecimentos além de nossas fronteiras também têm um tremendo impacto sobre a segurança energética e sobre os interesses ambientais dos Estados Unidos. Assim como as economias e populações da China, Índia, Coréia do Sul, Brasil e outros países-chave em desenvolvimento crescem rapidamente, suas necessidades de energia também crescerão. Esse crescimento agravará o problema dos gases que causam o efeito estufa.

Atualmente, os Estados Unidos emitem 22 por cento dos gases que causam o efeito estufa do mundo, enquanto geram 26 por cento da riqueza do mundo. Com o crescimento da nossa economia e da nossa população, nossas emissões de gás carbônico também crescerão. A Administração de Informação Sobre Energia estima que as emissões de gás carbônico dos Estados Unidos crescerão 34 por cento entre 1990 e 2010, assumindo uma taxa de crescimento econômico muito modesta, de apenas 2.2 por cento ao ano. Se o crescimento econômico for maior, nosso crescimento de emissões provavelmente será maior ainda. Precisamos encontrar maneiras de tratar do problema das mudanças climáticas sem suprimir o nosso crescimento econômico e sem prejudicar nossas empresas, fazendas ou trabalhadores.

Em Quioto, os negociadores do nosso governo concordaram em que reduziríamos as nossas emissões de gases que causam o efeito estufa em 7 por cento abaixo dos níveis de 1990 até o período de 2008-1012. Para cumprir esse prazo - e só faltam 10 a 14 anos para ele chegar - estima-se que temos que reduzir os nossos níveis de gases que causam o efeito estufa, em 2010, em 30 por cento ou mais, a partir dos níveis previstos. Uma redução de 30 por cento somaria aproximadamente 560 milhões de toneladas métricas de equivalentes a gás carbônico anualmente.

De onde viriam essas reduções?

De acordo com a Administração de Informação de Energia, uma opção de alta tecnologia produziria reduções de apenas 79 milhões de toneladas métricas de equivalente a gás carbônico, o que é uma redução de 4 por cento dos níveis previstos para 2010. Existem também oportunidades para aumentar a capacidade de armazenamento de gás carbônico das nossas florestas e solos, que segundo estimativas do governo, poderia reduzir as nossas obrigações de redução em uma medida similar.

Segundo informações que obtivemos, o governo está contando com as negociações internacionais de emissões e aquisições de créditos do Fundo Para o Desenvolvimento Limpo para dar conta de uma grande parte das nossas reduções.

Para tratar dessas muitas questões, eu acredito que o presidente deveria estabelecer um Grupo de Trabalho de Segurança Energética e Ambiental, envolvendo elementos de vários órgãos governamentais. Não podemos lidar com nenhum dos nossos problemas ambientais ou de segurança energética, que estão prestes a se manifestar, sem uma nova política energética.

Também devemos tratar da séria ameaça da devastação das florestas, em nível mundial. Segundo os peritos, aproximadamente 20 por cento do aumento das concentrações de gases que causam o efeito estufa se devem à eliminação das pias de gás carbônico nos nossos solos e florestas. Estamos perdendo 30 milhões de acres de florestas tropicais por ano. E mesmo assim o Protocolo de Quioto não pode permitir que os Estados Unidos contem com projetos que custeamos em nações em desenvolvimento para evitar o desmatamento e promover a agricultura sustentável como parte da nossa contribuição para tratar do problema das mudanças climáticas.

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Richard Lugar, um republicano de Indiana, é também membro do Comitê de Relações Exteriores do Senado.


Questões Globais
Revista Eletrônica da USIA, Vol. 3, No. 1, Abril de 1998