eJournal USA: Global Issues

Exportando para o Mundo a “Melhor Idéia” dos EUA:
Nosso Sistema de Parques Nacionais

John F. Turner

ÍNDICE
Sobre esta edição
Meio Ambiente: Metas Compartilhadas, Missão Comum
Trinta Anos de Luta pelo Ar Limpo
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Progresso Ambiental  — Um Portfólio
A Visão dos EUA sobre Mudança Climática
Para Entender o Clima e a Mudança Global
Criação de Mercado de Metano
A Energia Eólica Hoje
A Química agora É Verde
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Pensamento Verde: Eficiência, Tecnologia e Criatividade Ambientais
Exportando para o Mundo a “Melhor Idéia” dos EUA: Nosso Sistema de Parques Nacionais
Cuidando dos Rios
Promoção da Democracia e da Prosperidade via Desenvolvimento Sustentável
Reduzir, Reutilizar, Reciclar
Mensagens Verdes
Bibliografia
Recursos na internet
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Yellowstone National Park covers more than 890,000 hectares inIdaho, Montana, and Wyoming
O Parque Nacional de Yellowstone abrange uma área de mais de 890 mil hectares dos Estados de Idaho, Montana e Wyoming
Foto: Kevork Djansezian, AP/WWP

Com a criação do Parque Nacional de Yellowstone em 1872, os Estados Unidos deram início a uma ética conservacionista e hoje administram quase 34 milhões de hectares de parques e 36,4 milhões de hectares de reservas naturais de vida selvagem. O país tem o compromisso de ajudar outros países a compartilhar os benefícios econômicos resultantes da conservação e da preservação do solo e da vida selvagem. Os exemplos incluem participação na Parceria para as Florestas da Bacia do Congo, que tem como fim proteger as terras e combater a extração ilegal de madeira na África Centro-Ocidental, e um mecanismo de debt-for-nature swap (conversão de dívida externa em programas de conservação da natureza), com a República do Panamá. Esse mecanismo permite à nação centro-americana reduzir parte de sua dívida com os Estados Unidos em troca da geração de recursos para proteger a biodiversidade de suas florestas tropicais.

John F. Turner é secretário de Estado adjunto para Oceanos e Assuntos Científicos e Ambientais Internacionais. Antes de assumir o cargo no Departamento de Estado, Turner foi presidente e diretor executivo da The Conservation Fund, organização americana sem fins lucrativos dedicada a parcerias público-privadas para proteger recursos terrestres e hídricos.

Mais de 270 milhões de pessoas visitaram os parques nacionais dos Estados Unidos no ano passado, atraídas por sua beleza e vida selvagem. O sistema de parques do nosso país, já descrito como a “melhor idéia” dos Estados Unidos, compreende 388 parques e cerca de 34 milhões de hectares, área mais ou menos do tamanho da Alemanha. Além disso, foram criadas 545 reservas naturais nacionais para proteger mais de 36,4 milhões de hectares de vida selvagem, aquática e biodiversidade. O governo administra outros 186 milhões de hectares de áreas de proteção ambiental, que incluem florestas nacionais, áreas de vida selvagem e santuários marinhos.

Os americanos dão valor às reservas naturais públicas porque oferecem oportunidades para descanso e lazer e uma chance para que restabeleçam os laços com a natureza, aprendam sobre a história de nossa nação e recarreguem as baterias. Esses recantos proporcionam hábitat imprescindível para a vida selvagem, recurso ecológico e econômico vital que incorpora também importantes valores científicos, culturais, estéticos e espirituais. Ademais, as terras públicas servem como motores de desenvolvimento econômico ao atrair turistas e, em alguns casos, proporcionam fonte de receita para escolas, transporte e outras necessidades.

Temos orgulho de nossa nação ser a sede do Parque Nacional de Yellowstone, o primeiro parque nacional do mundo. A criação desse parque em 1872 deu início a uma ética conservacionista nos Estados Unidos, resultando na preservação de lugares selvagens e de recursos naturais por seu próprio valor intrínseco e para benefício das futuras gerações. Os Estados, os grupos conservacionistas, as comunidades e os proprietários de terra têm protegido vastas áreas de espaços abertos, bacias hidrográficas e hábitats de vida selvagem.

Estamos compartilhando com outras nações as experiências resultantes da criação de uma rede de áreas de proteção ambiental. É uma tarefa importante porque a crescente concorrência por recursos naturais, a escassez cada vez maior desses recursos, as mudanças nos padrões de uso e ocupação do solo, o desenvolvimento econômico, a estabilidade política e as mudanças climáticas podem afetar enormemente a integridade de nossas terras.

As pessoas do mundo todo estão enfrentando esses problemas, buscando construir um movimento conservacionista duradouro que atinja todos os cantos do planeta. Há atualmente mais de 102 mil áreas de proteção ambiental no mundo, abrangendo mais de 10% da superfície terrestre. Compreendem ecossistemas de importância ecológica e econômica, que vão de cadeias de montanhas a recifes de coral, em um total de 18,8 milhões de quilômetros quadrados, área duas vezes maior que a Europa. E o número dessas áreas continua a crescer.

Nos últimos anos, os países em desenvolvimento lideraram a criação de parques nacionais e áreas de proteção ambiental. Ao fazê-lo, demonstram a grande coragem e ousadia que os move em seu compromisso com a conservação.

Deforestation is a threat to Panama's Rio Chagres basin
No Panamá, o desmatamento é uma ameaça à bacia do Rio Chagres
Foto: Tomas Munita, AP/WWP

Os Estados Unidos têm o orgulho de dar assistência aos países interessados em criar sistemas de proteção ambiental. Por exemplo, estamos fazendo isso por meio da Parceria para as Florestas da Bacia do Congo, iniciativa que congrega mais de 30 governos, organizações internacionais, empresas e grupos ambientalistas. A parceria visa criar redes nacionais de áreas de proteção ambiental na África Centro-Ocidental, com o fim de proteger uma das duas maiores florestas tropicais intactas do mundo. Ao mesmo tempo, a Parceria do Congo proporciona aos habitantes da área possibilidades de trabalho na floresta ao promover colheitas sustentáveis e meio de vida, como o ecoturismo.

Os grandes promotores dessa parceria são os seis países da Bacia do Congo que, de maneira corajosa, apostaram seu bem-estar futuro nos benefícios da conservação das florestas. Essas nações vislumbram um futuro baseado no respeito à natureza, não na sua exploração.

Os Estados Unidos estarão contribuindo com US$ 53 milhões nos próximos quatro anos para a criação de programas de treinamento, infra-estrutura e sistemas de gestão e fiscalização necessários para pôr em prática essa visão de um sistema de áreas de proteção ambiental e manejo sustentável de florestas. Esse empreendimento poderá criar um total de 27 parques nacionais e proteger mais de 10 milhões de hectares.

A Parceria para as Florestas da Bacia do Congo é também um mecanismo poderoso para pôr fim à caça de animais selvagens e fazer avançar a luta contra a extração ilegal de madeira. A ação das madeireiras destrói os ecossistemas e ameaça as áreas de proteção ambiental em todo o mundo, representando perdas de receita da ordem de US$ 10 bilhões a US$ 15 bilhões anuais para os governos, segundo estimativas do Banco Mundial.

Por essa razão, o presidente Bush lançou a Iniciativa contra a Extração Ilegal de Madeira para ajudar os países em desenvolvimento a reduzir as ameaças às áreas de proteção ambiental. Por meio dessa iniciativa, trabalhamos com outros governos e organizações não-governamentais (ONGs) para melhorar a fiscalização das leis florestais na África, proteger o hábitat dos orangotangos na Indonésia e monitorar as florestas brasileiras com sensoriamento remoto, entre muitas outras ações.

Os Estados Unidos promovem também a criação de áreas de proteção ambiental em outros países por meio dos mecanismos de conversão de dívida externa em programas de conservação da natureza. Esses acordos inovadores permitem que nações em desenvolvimento qualificadas reduzam sua dívida com os Estados Unidos e ao mesmo tempo gerem recursos para proteger suas florestas tropicais. Desde 2000, celebramos nove acordos que vão gerar US$ 95 milhões para a conservação de florestas em oito países nas próximas duas décadas. Para viabilizar esses acordos, além dos recursos resultantes da redução da dívida alocados pelo Congresso, três ONGs americanas com ação internacional contribuíram com US$ 7,5 milhões.1

Recentemente, os Estados Unidos assinaram um acordo com a República do Panamá que, a partir de uma contribuição de US$ 1,3 milhão da ONG internacional The Nature Conservancy, gerará US$ 10 milhões para proteger e conservar os 129 mil hectares do Parque Nacional de Chagres nos próximos 12 anos. O Parque Nacional de Chagres contribui com 50% da água necessária à operação do Canal do Panamá, abastece as duas maiores cidades do país e serve de hábitat para espécies ameaçadas, como o jaguar, o bugio e a harpia.

Um outro acordo com o Panamá promoverá a conservação das florestas extraordinariamente ricas em biodiversidade do Parque Nacional de Darien, que contém uma ponte biológica única no local onde as Américas do Norte e do Sul se encontram e abriga uma grande variedade de fauna e flora.

Em ambos os casos, os recursos resultantes desses acordos financiarão atividades de conservação específicas nos parques nacionais e criarão fundos permanentes para manutenção sustentável desses parques.

Nós americanos temos orgulho de compartilhar nosso legado de conservação da terra com nações que buscam criar áreas de proteção ambiental. Ao ajudarmos cidadãos em todo o mundo a gerir seus recursos naturais de maneira sustentável, promovemos um mundo de mais esperança para milhões de seres humanos e preservamos importantes recantos de vida selvagem para deleite das futuras gerações.

Protecting the Environment: 30 Years of U.S. Progress

(1) As nações que participam desses programas atualmente são Bangladesh, Belize, Colômbia, El Salvador, Jamaica, Panamá, Filipinas e Peru. As ONGs participantes são: The Nature Conservancy, Conservation International e Fundo Mundial para a Natureza.

Protecting the Environment: 30 Years of U.S. Progress