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Operador de câmera trabalha na frente de uma grande tela de vídeo montada no palco da CNN/YouTube para o debate das primárias republicanas realizado em São Petersburgo, na Flórida, em novembro de 2007. O debate foi o segundo de dois que utilizaram o formato de perguntas feitas pelos cidadãos via videoclipes transferidos para o YouTube.com. Os presidenciáveis do partido Democrata participaram do debate na CNN/YouTube em julho (© Matt Campbell/epa/Corbis)
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As
novas tecnologias com seus usuários mais experientes estão deixando sua marca
em muitas campanhas eleitorais nos EUA – expondo gafes de candidatos, aumentando
a captação de recursos e remodelando o ciclo de noticiários.
Thomas
B. Edsall é professor da cátedra Joseph Pulitzer II e Edith Pulitzer Moore de
Reportagens sobre Assuntos Nacionais na Escola de Pós-Graduação em Jornalismo
da Universidade de Colúmbia, na cidade de Nova York. Edsall cobriu a política
americana por 25 anos no Washington Post e atualmente é
correspondente para a New Republic, editor
contribuinte da National Journal, e editor político do Huffington Post,
uma publicação on-line.
A Rede Mundial de
Computadores e a explosão de “nova mídia” que a acompanhou revolucionaram a
política dos EUA em pelo menos quatro áreas, criando: 1) formas inovadoras de
chegar até os eleitores; 2) um sistema de notícias radicalmente transformado;
3) uma multidão sem precedentes de pequenos doadores; e 4) grupos de interesse
poderosos de esquerda e de direita.
O que mais
chama a atenção é que vários candidatos iniciaram a campanha oficial em 2007
anunciando na internet sua intenção de concorrer à Presidência, um
distanciamento radical da tradição de fazer essas declarações diante de
multidões locais, em geral na cidade de origem do candidato.
A senadora
democrata Hillary Clinton, por exemplo, para anunciar a formação de seu comitê
exploratório presidencial — evento importante —, utilizou um vídeo na internet
em que aparecia sentada no sofá de sua sala de visitas em Chappaqua, Nova York.
“Vamos
conversar. Vamos bater papo. Vamos iniciar um diálogo sobre as suas idéias e as
minhas”, disse Clinton aos expectadores. “E embora eu não possa estar nas salas
de todos vocês, posso tentar. Com uma pequena ajuda da tecnologia moderna, estarei
on-line esta semana, a começar na segunda-feira, para bater papo ao vivo com
vocês. Então, vamos iniciar a conversa.”
As
vantagens para o candidato são substanciais. Diferente de um evento público em
que a imprensa faz perguntas, o anúncio pela internet está sob controle total da
campanha; pode ser retocado muitas vezes, até ficar impecável, ao mesmo tempo que
passa uma sensação de intimidade e espontaneidade.
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O democrata James Webb
anuncia sua vitória na disputa por uma cadeira no Senado dos EUA em 2006, enquanto
segura as botas de combate usadas pelo seu filho, fuzileiro naval em serviço no
Iraque. A vitória de Webb veio depois que seu oponente republicano, o candidato
à reeleição George Allen, cometeu uma gafe de campanha que foi gravada em
videotape e amplamente divulgada (Ron Edmonds/© AP Images)
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Armadilhas
e possibilidades
Muitos
outros avanços tecnológicos que sustentam a nova mídia não são tão vantajosos
para as campanhas. Na verdade, eles criaram um novo cenário de armadilhas em
potencial.
Sempre que
aparecem em algum evento público , os candidatos agora estão sujeitos à
observação constante pelas equipes e simpatizantes de seus adversários,
equipados com pequenas câmaras digitais e gravadores fáceis de usar.
Em 2006, o
senador George Allen, republicano da Virgínia que era favorito para vencer a
reeleição, acabou perdendo para o democrata James Webb. A campanha de Allen foi
irreparavelmente prejudicada depois que ele ridicularizou um membro da equipe de
Webb que o filmava: “Este camarada aqui, de camisa amarela, macaca, ou qualquer
que seja o seu nome. Ele trabalha para o meu adversário. Ele nos segue em todos
os lugares... Vamos dar as boas-vindas para o macaca aqui. Bem-vindo à América
e ao mundo real da Virginia.” Em algumas culturas européias, “macaca” é um
termo pejorativo usado para descrever imigrantes africanos.
O assim
chamado vídeo do macaca tornou-se um importante evento da campanha, visto
centenas de milhares de vezes no YouTube, o site de vídeo da internet acessível
ao público, e exibido repetidas vezes na televisão, tanto local quanto
nacional.
Um presidenciável
que foi muito beneficiado pela nova tecnologia foi o representante republicano
Ron Paul, do Texas. Embora dificilmente consiga a indicação de seu partido para
presidente nas eleições de 2008, os princípios libertários de Paul deram-lhe muitos
simpatizantes na internet, onde é muito popular em sites como MySpace e
YouTube.
Para Paul,
a internet valeu a pena, ajudando-o a levantar US$ 5,3 milhões no terceiro
trimestre de 2007, quase tanto quanto o muito mais conhecido senador John
McCain, republicano do Arizona, que conseguiu US$ 5,7 milhões.
Três outros
usos sem precedentes da nova mídia já afetaram as eleições presidenciais de
2008. Em um, um assessor de campanha do senador Barack Obama, democrata de
Illinois — trabalhando não oficialmente — pegou um anúncio da Apple Computer
que comparava o papel dominante da Microsoft ao governo ditatorial descrito no
romance 1984, de George Orwell, e o converteu em outro que retratava
Hillary Clinton como uma ditadora todo-poderosa.
A campanha
de Obama declarou não ter relação com o anúncio e o assessor demitiu-se, mas o
pseudo-comercial foi visto cerca de 1 milhão de vezes no YouTube, para constrangimento
de Hillary Clinton.
Obama, por
sua vez, ficou constrangido com um vídeo produzido de maneira independente e
postado no YouTube, conhecido como “Obama Girl”. Nele, a modelo e atriz Amber
Lee Ettinger cantarolava uma música, “I Got a Crush... on Obama” [Tenho uma queda...
por Obama] enquanto dançava sedutoramente.
O vídeo foi
muito menos danoso para a campanha de Obama do que uma seqüência de filme gravada
secretamente — também postada no YouTube — do candidato democrata à presidência
John Edwards sendo maquiado antes de aparecer na televisão. Ao som de música e
letra de uma canção do musical West Side History, Edwards é mostrado
penteando e afofando seu cabelo repetidamente. A letra da canção usada como
música de fundo diz: “I feel pretty, oh so pretty, oh so pretty and witty
tonight...” [Estou lindo, oh tão lindo, oh tão lindo e espirituoso esta
noite...]
A ampla
distribuição desse vídeo na internet não teria sido tecnicamente viável em
2004.
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O deputado Ron Paul cumprimenta eleitores no estado de New Hampshire em campanha para sua indicação para presidente pelo partido Republicano (© Jim Cole/AP Images)
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Efeitos discretos
Ao mesmo
tempo, houve uma série de desenvolvimentos mais sutis e menos visíveis
originados pela expansão dos recursos da nova mídia. Entre eles:
- A internet tornou-se o veículo de mobilização da esquerda contra a guerra, transformando-se num influente grupo de interesse democrata que todos os candidatos e líderes do Congresso agora precisam tratar com respeito e deferência especial.
- Sites
como o OpenLeft, o Atrios e o DailyKos, juntamente com um provedor de
hospedagem de blogues que arquiva noticiários para esses e outros sites, constituem
uma base eleitoral que os candidatos democratas evitam ofender. Pelo contrário,
muitos candidatos e os principais membros de sua equipe realizam teleconferências
regularmente com a comunidade da blogosfera de esquerda e procuram a cobertura
mais favorável possível.
- O
sucesso do candidato presidencial democrata Howard Dean na captação de grandes
somas de dinheiro de pequenos doadores por meio de links de cartões de crédito
na internet em 2004 foi agora reproduzido por todos os principais candidatos
democratas às eleições de 2008 e, em dimensão menor, mas significativa, pelos
candidatos republicanos. Uma conseqüência foi o aumento enorme no número de
pequenos doadores e a diminuição do valor médio das contribuições. Principalmente
para Barack Obama, essa tendência tornou viável uma candidatura improvável para
um candidato relativamente novo na política nacional.
- Para
os democratas e os comitês do partido Democrata, a onda de pequenos doadores na
internet contribuiu significativamente para o equilíbrio no campo de atuação
financeiro em 2004 e até para ganhos maiores no ciclo atual (2007-2008). Pela
primeira vez em no mínimo três décadas, os democratas em geral este ano estão
mantendo uma vantagem financeira substancial sobre os republicanos, partido que
tem sido tradicionalmente capaz de obter recursos financeiros consideráveis para
financiamento de campanha.
- Os
sites políticos na internet estão amadurecendo, tornando-se, sob muitos
aspectos, tão ou mais importantes do que os jornais. Os sites Politico, Huffington
Post, Salon, Slate, National Review Online e Wall Street Journal Online
tornaram-se, em apenas alguns anos, agentes principais na cobertura de eleições
e formulação de políticas.
- O
Huffington Post, por exemplo — do qual participo atualmente no desenvolvimento
de cobertura política —, em muitos aspectos reproduz todo o conteúdo que os
jornais impressos oferecem, com uma “primeira página” de notícias nacionais e
estrangeiras, bem como uma página de política, uma página de mídia e seções de
entretenimento e social. Uma vantagem das entidades de mídia on-line é a nova
capacidade tecnológica de hiperligar-se com facilidade a literalmente milhares
de outras novas fontes, desde versões on-line de recursos da “mídia tradicional”
— como o New York Times
[www.nytimes.com],
o Washington Post
[www.washingtonpost.com],
o Los Angeles Times
[www.latimes.com]
e assim por diante — a grandes quantidades de “listas de blogues favoritos” conservadores
e progressistas que, por sua vez, conectam os usuários a sites políticos
variados, tais como RealClearPolitics, TalkingPointsMemo, Instapundit, Taegan
Goddard's PoliticalWire e Drudge Report.
- Em
2000, as campanhas lidaram com um ciclo noticioso adaptado para noticiários de
televisão que iam ao ar das 18h às 19h e para jornais com fechamento entre 21h
e 23h. Atualmente, administradores de sites de internet estão sempre procurando
novos desdobramentos, e um evento político importante às 14h já produziu na
internet, até a hora do noticiário vespertino de televisão, múltiplas rodadas
de reações e críticas de adversários e analistas.
- O
surgimento de sites de internet de esquerda, de direita e neutros criou uma
caixa de ressonância instantânea para a difusão de reações à mudança de sorte
das campanhas políticas. Nos debates presidenciais, por exemplo, as equipes de
campanha estão constantemente buscando comentários na internet que elogiem o desempenho
de seus candidatos e critiquem o desempenho dos outros. Esses comentários, por
sua vez, são imediatamente enviados por e-mail como press releases para
jornalistas da grande imprensa, ou mídia tradicional, e da nova mídia, assim
como para outros comentaristas que cobrem o debate.
A rapidez das mudanças no cenário político atual, resultado de tecnologias de comunicação e de informação inovadoras, se as tendências passadas servirem como guia, vão se acelerar, sugerindo que as novidades da campanha de 2008 são um modesto precursor da transformação radical que ocorrerá em 2012 e 2016.
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Principais Sites de Notícias
A tabela
apresenta números de visitantes exclusivos de sites de internet dedicados à
cobertura de notícias e eventos públicos, calculados por Nielsen Online,
serviço da Nielsen Company, conhecida como uma das líderes mundiais em
medição de audiência. A tabela reflete dados de outubro de 2007, os últimos
disponíveis para a imprensa. Os dados são do painel Net View, serviço da
Nielsen para estações independentes.
| Marca
ou Canal |
Audiência exclusiva (em milhares) |
Tempo por pessoa/mês (hh/mm/ss) |
| Todos os eventos atuais e notícias globais |
95.701 |
1h24m02s |
| |
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| Yahoo! News |
33.171 |
0h25m38s |
| CNN Digital Network |
30.218 |
0h36m27s |
| MSNBC Digital Network |
29.841 |
0h26m18s |
| AOL News |
20.672 |
0h30m19s |
| NYTimes.com |
17.502 |
0h34m53s |
| Gannett Newspapers |
13.560 |
0h23m59s |
| Tribune Newspapers |
13.031 |
0h12m15s |
| WorldNow |
11.851 |
0h10m57s |
| Google News |
11.114 |
0h11m12s |
| ABCNEWS Digital Network |
10.847 |
0h07m34s |
| Fox News Digital Network |
9.480 |
0h41m05s |
| USATODAY.com |
9.469 |
0h16m13s |
| CBS News Digital Network |
9.394 |
0h08m48s |
| McClatchy Newspaper Network |
9.300 |
0h08m48s |
| washingtonpost.com |
8.681 |
0h17m22s |
| MediaNews Group Newspapers |
7.723 |
0h10m52s |
| Hearst Newspapers Digital |
7.418 |
0h14m24s |
| Advance Internet |
6.713 |
0h15m08s |
| Topix |
6.425 |
0h04m:11s |
| IB Websites |
6.298 |
0h15m22s |
| Usado com permissão | |

As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA. |