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Sites Realmente Locais
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O falecido presidente da Câmara dos Deputados Tip O'Neill dizia, "Toda política é local." Atualmente, nos Estados Unidos, o solo fértil de onde brotam políticos de todas as estirpes são os chamados sites de mídia cidadã, sites hiperlocais, blogues do local — pontos on-line onde moradores de pequenas comunidades publicam textos, fotografias e vídeos sobre si mesmos e os problemas que os afligem. Uma pesquisa de 2007 sobre os sites de mídia cidadã chamou-os de “intensamente locais”, pois fornecem o tipo de notícias e imagens de pequenas localidades que os veículos da grande imprensa não consideram “notícia” ou não têm equipe para cobrir. Os fundadores dos sites solicitam a vizinhos, amigos e associados que forneçam conteúdo que lembre notícias, tais como narrativas de eventos ou de problemas locais, ou então que sejam bem pessoais, como reflexões sobre a situação local, avaliações de serviços ou empresas locais, dicas de artesanato ou técnicas de jardinagem locais. "Para ter vitalidade, eles precisam que os cidadãos compartilhem suas idéias, observações e experiências", de acordo com pesquisa realizada pelo Instituto de Jornalismo Interativo (J-Lab) da Universidade de Maryland. "A subjetividade prevalece." A objetividade — não permitir que a opinião pessoal influencie a reportagem — é um princípio ético fundamental para os jornalistas americanos há décadas. Mas os sites de mídia cidadã devem sua existência a pessoas que se interessam pela comunidade e querem melhorá-la. Os participantes em geral não têm interesse em esconder seus sentimentos pessoais por trás de um padrão de objetividade. Os sites são tão diferentes quanto as cidades e vizinhanças de onde se originam. As discussões on-line podem saltar do anúncio de uma reunião na escola local para controvérsias locais, conselhos para planejamento de férias ou política presidencial. "Citizen Media: Fad or the Future of News” [Mídia Cidadã: Modismo ou o Futuro do Jornalismo], o estudo do instituto também conhecido como J-Lab, relata que esses sites hiperlocais começaram a explodir realmente na internet em 2005, mas muitos passam por um período inicial longo e lento antes de contar com a adesão e a contribuição constante dos membros da comunidade. Em 2003, dois Web designers da cidade de Brattleboro, em Vermont, fundaram o ibrattelboro.com. Após seis meses produzindo a maior parte do conteúdo para seu sócio, o co-fundador Christopher Grotke diz que o site ganhou a adesão de um grupo de participantes ativos da comunidade. "Há muito tempo que os cidadãos fazem a redação e o ‘jornalismo'", disse ele. O estudo do J-Lab constatou que, de modo geral, os sites têm leitores dedicados, mas são poucos, por isso seu futuro pode não ir muito além das energias de um grupo básico de fundadores e voluntários. Como os sites se mantêm é uma questão quase tão diversa quanto o seu conteúdo. O próprio J-Lab já forneceu pequenas verbas para que alguns sites pudessem iniciar suas atividades, cumprindo seu objetivo de ajudar cidadãos e novas organizações a utilizar tecnologias inovadoras para promover a discussão de questões de política pública. Outros sites de mídia cidadã são totalmente custeados por seus fundadores e outros ainda procuram obter receita por meio de publicidade local. "Acredito que dentro de alguns anos vocês verão quatro ou cinco sites [hiperlocais] por cidade e nenhum deles será permanente", disse Paul Bass, fundador do NewHavenIndependent.org, em resposta à pesquisa do J-Lab. "Nunca seremos grandes. O que acho que vai durar muito é o fenômeno do jornalismo cidadão." — Charlene Porter
As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA. |
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