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Foto acima: Uma escavadora com tesouras gigantescas corta o
nariz de um bombardeiro estratégico Tu-160 em base aérea ucraniana,
a cerca de 320 quilômetros da capital Kiev, em 2 de fevereiro
de 2001. A eliminação do último Tu-160 foi realizada em conformidade
com os termos do Programa Cooperativo EUA-Ucrânia para Redução
de Ameaças
(AP Wide World
Photos/Efrem Lukatsky)
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O mundo está repleto
de armas e materiais nucleares, químicos e biológicos, disse o senador
americano Richard Lugar, presidente da Comissão de Relações Exteriores
do Senado. Ele é autor de três leis que iniciaram ─ e depois ampliaram ─ os esforços americanos de ajuda à ex-União
Soviética para “salvaguardar e desmantelar seus enormes estoques de
armas e materiais nucleares, químicos e biológicos, assim como seus
meios de fornecimento”. Mas é preciso fazer muito mais, afirma, “para
controlar as ameaças das armas biológicas e químicas” em todo o mundo
e tratar as inúmeras questões remanescentes sobre proliferação nuclear.
Entre essas questões, podemos citar as armas táticas russas de curto
alcance, os estoques de combustível de reator usado, a ausência de
acordos nucleares com a Índia e o Paquistão e a necessidade de “empregos
sustentáveis no setor privado”, oferecidos por empresas americanas
e européias a cientistas que, do contrário, podem ficar “tentados
a trabalhar para pessoas que desejam comprar armas perigosas”.
O senador Lugar,
republicano, foi eleito pela primeira vez para o Senado dos EUA pelo
Estado de Indiana em 1976 e é o senador americano com mais mandatos
na história do estado.
Na cúpula realizada recentemente em Bratislava, o presidente
Bush e o presidente russo Vladimir Putin firmaram acordo para implementar,
de forma cooperativa, melhorias na área de segurança dentro das instalações
russas destinadas à armazenagem de ogivas ─ e materiais ─ nucleares até, no máximo, 2008. Esse novo prazo, acelerado,
é uma mudança bem-vinda que ressalta a importância de interromper a
proliferação de armas de destruição em massa (ADM).
Desde a queda da União Soviética, a proliferação
de ADM tem sido o maior desafio de segurança nacional dos Estados Unidos.
Infelizmente, poucas pessoas reconhecem esse fato. Durante a década
de 1990, a ameaça terrorista nuclear mal era registrada nas pesquisas
de opinião pública e, na época das eleições presidenciais de 2000, nenhum
candidato de partido político havia assumido posições claras sobre o
terrorismo nuclear ou estratégias de não-proliferação de armas.
Diante da apatia generalizada, a Lei Nunn-Lugar,
que apresentei juntamente com o então senador Sam Nunn em 1991, exigiu
vigilância constante na obtenção de recursos e apoio para tornar seguros
os materiais nucleares da era soviética.
| Um
recorde impressionante
Apesar dos
obstáculos, a lei Nunn-Lugar tem contribuído consideravelmente
para a não-proliferação de armas. Até o momento, o programa
desativou ou destruiu
- 6.564 ogivas nucleares
- 568 mísseis balísticos intercontinentais (intercontinental
ballistic missiles - ICBMs)
- 477 silos para ICBMs
- 17 lançadores móveis para ICBMs
- 142 bombardeiros
- 761 mísseis terra-ar
- 420 lançadores de mísseis submarinos
- 543 mísseis lançados por submarinos
- 28 submarinos nucleares e
- 194 túneis para testes nucleares
Além disso:
- 260 toneladas de material físsil receberam melhorias
rápidas ou abrangentes com relação à segurança.
- cerca de 60 locais de armazenamento de ogivas
nucleares receberam melhorias na área de segurança.
- 208 toneladas métricas de urânio altamente enriquecido
foram desconcentradas para urânio levemente enriquecido
- os Centros Internacionais de Ciência e Tecnologia
na Rússia e na Ucrânia, dos quais os Estados Unidos são
o principal patrocinador, contrataram 58 mil ex-cientistas
especializados em armamentos para trabalho com fins pacíficos.
- o Programa Internacional de Prevenção à Proliferação
de Armas financiou 750 projetos envolvendo 14 mil ex-cientistas
especializados em armamentos e criou cerca de 580 novos
empregos de alta tecnologia para fins pacíficos e
- Ucrânia, Belarus e Cazaquistão não detêm armas
nucleares graças aos esforços de cooperação empreendidos
segundo a lei Nunn-Lugar.
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Uma quarta parte
No início deste ano, para fazer com isso
acontecesse, apresentei a quarta parte da legislação Nunn-Lugar ao Congresso.
A iniciativa original, chamada oficialmente de Programa Cooperativo
para Redução de Ameaças, entrou em vigor em 1993 e forneceu recursos
e assessoria técnica para ajudar a ex-União Soviética a salvaguardar
e desmantelar seus enormes estoques de armas e materiais nucleares,
químicos e biológicos, assim como seus meios de fornecimento. Em 1997,
o senador Nunn e eu, juntamente com o senador Pete Domenici, do Novo
México, apresentamos a Lei de Defesa contra Armas de Destruição em Massa.
Essa lei ampliou o escopo da lei Nunn-Lugar na ex-União Soviética e
transmitiu conhecimento especializado sobre ADM às equipes de emergência
nas cidades americanas.
Em 2003, o presidente Bush assinou a Lei
de Ampliação da Iniciativa Nunn-Lugar, que expandia sua aplicação para
além dos limites da ex-União Soviética. Meu novo projeto de lei proporcionará
mais flexibilidade na realização dos esforços Nunn-Lugar fora dos limites
da ex-União Soviética. Além disso, eliminará as condições impostas sobre
a legislação, feitas pelo Congresso, que impedem a realização de projetos
urgentes. Precisamos cortar a burocracia e os atritos dentro do governo
dos EUA que dificultam ações rápidas diante de oportunidades para a
não-proliferação de armas.
Apesar desses avanços e o sucesso em Bratislava,
ainda é preciso fazer muito mais. O mundo está repleto de armas e materiais
nucleares, químicos e biológicos. Felizmente, o governo Bush está atuando
em várias frentes. Com relação à iniciativa de cooperação para redução
de ameaças, a proposta orçamentária do presidente para o ano fiscal
de 2006 prevê US$ 415,5 milhões para os projetos Nunn-Lugar, valor acima
do estabelecido para 2005 e suficiente para realizar todas as atividades
previstas.
Logo após a publicação da proposta orçamentária
em fevereiro de 2005, os presidentes Bush e Putin anunciaram medidas
importantes para intensificar os esforços de cooperação que visam melhorar
a segurança dos estoques nucleares russos contra terroristas. Esse progresso
ressalta ainda mais a necessidade de ampliar o programa Nunn-Lugar e
de eliminar as condições e as certificações impostas pelo Congresso
que têm atrasado, constantemente, a implementação de seus esforços.
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Em uma plantação de milho próxima a Holden, no Missouri,
em 28 de outubro de 1995, o secretário de Defesa americano William Perry,
à esquerda, e o ministro da Defesa russo Pavel Grachev observam a formação
de uma nuvem de fumaça após acionarem um botão de detonamento que implodiu
um silo subterrâneo de mísseis Minuteman II. O evento simbolizou o fim da
Guerra Fria
(AP Wide World Photos/Cliff Schiappa)
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Aproveitar as oportunidades
Apesar da atenção internacional recentemente
dispensada aos programas nucleares na Coréia do Norte e no Irã, precisamos
aproveitar a oportunidade para controlar as ameaças de armas biológicas
e químicas e conseguir avanços ainda maiores nas seguintes áreas de
proliferação nuclear:
Incluir armas táticas nucleares de
curto alcance no programa Nunn-Lugar. Apesar do sucesso que obtivemos na desativação
dos mísseis intercontinentais e ogivas estratégicas russas, Moscou se recusa,
até o momento, a discutir sobre as armas táticas, que podem ser até mais perigosas.
Controle de materiais nucleares em
todo o mundo. Enormes quantidades de material adequado para produção de armas
existentes fora dos limites da ex-União Soviética representam uma ameaça à
segurança internacional. Precisamos acelerar os atuais programas internacionais
para eliminar os estoques de combustível de reator usado e converter reatores
usados para pesquisa em urânio levemente enriquecido.
Obter acordos nucleares com a Índia
e o Paquistão. Os Estados Unidos precisam empregar esforços sustentados visando
à promoção de medidas para fortalecer a confiança e apoiar as ações encorajadoras
já adotadas por esses dois inimigos que detêm arsenal nuclear, ao mesmo tempo
em que procuram cumprir as obrigações do Tratado de Não-Proliferação de Armas
Nucleares.
Eliminar os obstáculos burocráticos
dos EUA e da Rússia para, de forma cooperativa, garantir a segurança de materiais
físseis vulneráveis e locais de armazenamento de ogivas. Se os dois lados
cumprirem os compromissos assumidos em Bratislava, a Rússia deverá permitir
acesso a esses locais e conceder isenção fiscal às contribuições de países
participantes, além de firmar proteções aos parceiros do G-8 contra
reclamações de responsabilidade
Conseguir que mais empresas americanas
e européias contratem cientistas especializados em armamentos. As dezenas
de milhares de cientistas que temos empregado estão trabalhando principalmente
em empregos patrocinados ou subsidiados pelo governo. Precisamos empregar
um número muito maior desses homens e mulheres em empregos sustentáveis no
setor privado de modo que não fiquem tentados a trabalhar para pessoas que
desejam comprar armas perigosas.
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Uma explosão de 100 toneladas de TNT sela o último túnel de
uma instalação de testes nucleares da era soviética em Semipalatinsk,
no Cazaquistão, em 29 de julho de 2002. Em primeiro plano,
as bandeiras do Cazaquistão e dos Estados Unidos tremulam
em torre de comunicação por satélite. A explosão marcou o
fim da era nuclear no Cazaquistão
(AP Wide World Photos/Michael Rothbart)
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Assegurar que a Rússia ratifique o acordo "guarda-chuva" Nunn-Lugar. Esse acordo, que apóia todos os esforços americanos para reduzir ameaças na ex-União Soviética, precisa ser formalmente ampliado. Até o momento, porém, o presidente Putin recusa-se a apresentá-lo para votação na Duma (Câmara Baixa do Parlamento russo). Sem suas garantias, que evitam a taxação, pelas autoridades russas, de contribuições destinadas à eliminação de armas e que protegem os empreiteiros americanos contra reclamações de responsabilidade durante a execução de tais projetos arriscados, o trabalho poderia parar.
Finalizar um acordo para descarte
de plutônio. Na cúpula de Bratislava, questões relativas à responsabilidade
continuam impedindo a destruição de 34 toneladas métricas de plutônio russo,
apesar da recente pressão americana para resolver o assunto.
Aumentar o ritmo de atividades em conformidade com o Acordo Global
contra Armas e Materiais de Destruição em Massa, criado em 2002. Os
Estados Unidos estão cumprindo o acordo, fornecendo US$ 10 bilhões em
10 anos para a eliminação de armas, mas nossos parceiros nesta comunidade
de grandes democracias industriais ainda estão trabalhando para cumprir
compromissos equivalentes. E, acima de tudo, precisamos nos concentrar
para transformar compromissos em projetos.
A oportunidade de lidar com essas ameaças
não existirá para sempre. Nossa liderança política e nossos peritos
em não-proliferação de armas precisam agir agora para dar prosseguimento
à recente cúpula e trabalhar com as autoridades russas para abrir
as últimas portas que levarão ao desmantelamento de seu programa de
armas nucleares. Espero que o Congresso faça a sua parte aprovando
o novo projeto de lei Nunn-Lugar para eliminar os obstáculos potenciais
do cronograma de Bratislava. Além disso, precisamos correr o mundo
para identificar e criar oportunidades que desmantelem os programas
perigosos fora dos limites da ex-União Soviética. Somente trabalhando
dia e noite para encontrar e eliminar armas de destruição em massa
poderemos cumprir a obrigação de proteger o povo americano e, naturalmente,
os povos de todas as nações.
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