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Nenhuma outra parte do mundo apresenta mais benefícios e desafios potenciais para os Estados Unidos do que o Leste Asiático. A região abriga alguns de nossos mais incondicionais parceiros no comércio e na segurança, uma potência consolidada - Japão - e uma potência em crescimento - China - além de um dinamismo político e econômico de causar inveja a outras regiões. A região representa cerca de um terço da população da Terra; um quarto do PIB mundial; uma parcela desproporcional do crescimento global; e 26% de nossas exportações, inclusive aproximadamente 37% de nossas exportações agrícolas - no total, cerca de US$ 810 bilhões em comércio bilateral com os Estados Unidos. Em todos os aspectos - geopolítico, militar, diplomático, econômico e comercial - o Leste Asiático é essencial para os interesses da segurança nacional dos Estados Unidos. No seu âmago, as prioridades estratégicas de política externa dos Estados Unidos são muito simples. Queremos ver um mundo democrático, próspero, estável, seguro e em paz. Nossas políticas para a região do Leste Asiático-Pacífico são baseadas nesses objetivos globais, e temos o compromisso de fazer avançar esses objetivos fundamentais em toda a região. Tendências favoráveis Como viajei por toda a região no decorrer do último ano, testemunhei a ocorrência de uma onda dinâmica de transformação. Por exemplo, desde janeiro de 2004, foram realizadas eleições bem-sucedidas não somente em democracias consolidadas - Austrália, Japão, Malásia, Mongólia, Filipinas, Cingapura, Coréia do Sul e Taiwan - mas também na recém-democratizada Indonésia, nação com a maior população de maioria muçulmana do mundo. Também presenciamos crescimento de oportunidades econômicas e de prosperidade em toda a região, fomentadas pelo desenvolvimento rápido da China e pela ampla recuperação da crise financeira dos países-membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) no final da década de 1990. Economias regionais avançam em direção a maior abertura econômica, barreiras comerciais reduzidas e cooperação regional. Os níveis de renda aumentaram e a pobreza extrema, no geral, diminuiu. Várias das economias que mais cresceram no mundo em 2005 são do Leste Asiático. Hoje, o Leste Asiático está, em grande parte, em paz. A região não vê um grande conflito militar há mais de 25 anos. Apesar de atentados terroristas ocasionais, testemunhamos uma rejeição generalizada ao terrorismo . Uma vez que o Leste Asiático emergiu política e economicamente, também se uniu como região. Estamos testemunhando a expansão da cooperação regional - na política, na economia e na cultura - por meio das maiores instituições da região, como o fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), a Asean e o Fórum Regional da Asean (ARF).
Desafios remanescentes Contra esse cenário de tendências favoráveis, diversas ameaças continuam a existir. A principal delas é a situação na Coréia do Norte, onde o regime de Pyongyang continua a desafiar a comunidade internacional por meio de sua busca por armas nucleares. Para enfrentar esse desafio, criamos a estrutura de Conversações entre Seis Partes, destinada a obter o desmantelamento dos programas nucleares da Coréia do Norte de maneira transparente, completa e permanente. Continuamos a prestar bastante atenção ao desdobramento das relações entre os dois lados do Estreito. Promovemos nossa política de "uma China" de acordo com os três comunicados emitidos em conjunto pelos Estados Unidos e a República Popular da China (RPC) em 1972, 1979 e 1982 e com a Lei de Relações com Taiwan, aprovada pelo Congresso em 1979. Não apoiamos a independência de Taiwan e nos opomos a medidas unilaterais, capazes de mudar o status quo, quer sejam tomadas pela RPC ou por Taiwan. Conclamamos ambos os lados a se engajar no diálogo direto para alcançar uma solução pacífica das diferenças entre os dois lados do Estreito, sem ameaça ou uso da força e de modo aceitável para ambos. Há uma percepção crescente em toda a região de que o terrorismo ameaça todos os governos e o melhor modo de enfrentá-lo é o trabalho em conjunto. Também continuamos a procurar maneiras de ajudar os Estados regionais que têm responsabilidades soberanas de garantir a segurança da rota de comércio do vital Estreito de Malaca para ampliar a sua cooperação e capacidade de aplicação da legislação marítima. Finalmente, devemos trabalhar com aliados e amigos na região para promover a reconciliação nacional e a democracia em Burma. O contínuo isolamento do país da comunidade internacional é um problema de crescente preocupação para a região, especialmente para a Asean.
Diplomacia transformacional Para tornar nossa diplomacia mais eficaz, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, deu início a um programa para rever como o Departamento de Estado realiza seu trabalho. Ela descreve essa "diplomacia transformacional" como "trabalhar com nossos inúmeros parceiros em todo o mundo para construir e manter Estados democráticos e bem governados que responderão às necessidades de seu povo e se comportarão de maneira responsável no sistema internacional". Um programa amplo e vigoroso de diplomacia pública faz parte desse esforço ? promover o interesse nacional e a segurança nacional dos Estados Unidos compreendendo, informando e influenciando públicos estrangeiros e ampliando o diálogo entre os cidadãos e as instituições dos EUA e seus pares estrangeiros. Envolvimento bilateral Ao considerar as tarefas incorporadas no objetivo da diplomacia transformacional - promover a democracia, a boa governança e a responsabilidade no sistema internacional - nenhum esforço apresenta mais desafios potenciais ou recompensas do que o envolvimento com a China. O sucesso na consecução de nossa visão estratégica de longo prazo no Leste Asiático dependerá em grande medida do papel da China como potência global e regional emergente. Os Estados Unidos saúdam uma China próspera, pacífica e confiante. Queremos ver a China assumir um papel cada vez mais importante como participante responsável no sistema internacional e estamos trabalhando para esse fim. Como a China, o Sudeste Asiático está mudando rapidamente, com muitos países avançando na estrada da prosperidade e do desenvolvimento econômico. O Sudeste Asiático oferece terreno fértil aos esforços da nossa diplomacia transformacional para apoiar as reformas empreendidas pelos povos da região, as quais promoverão a democracia e a boa governança, encorajarão o desenvolvimento econômico amplo e sustentável, fortalecerão suas sociedades e as transformarão em parceiros mais fortes. Um exemplo é a Indonésia, emergindo após mais de três décadas de governo autoritário para se tornar a terceira maior democracia do mundo. Em 2004, Susilo Bambang Yudhoyono tornou-se o primeiro presidente indonésio eleito diretamente. Ele lançou uma agenda de reformas ambiciosa e está trabalhando para combater a corrupção e fortalecer as jovens instituições democráticas da Indonésia, ao mesmo tempo que cria condições para o crescimento econômico sustentado, essencial para o desenvolvimento e a estabilidade do país. Nos últimos anos, temos investido tempo, esforço e recursos consideráveis para apoiar os esforços do Camboja e do Vietnã para integrar-se completamente às instituições regionais e à economia global e para instituir reformas que melhorarão a vida das pessoas. A Reunião dos Líderes da Apec, a ser realizada no Vietnã em novembro de 2006, destacará o surgimento do Vietnã como potência regional e nosso relacionamento bilateral cada vez mais estreito. Iniciamos as negociações sobre o Acordo de Livre Comércio com a Malásia para fortalecer os laços com um país que já é nosso décimo maior parceiro comercial. Envolvimento regional Uma das tendências favoráveis na região do Pacífico Asiático é a maior cooperação regional, que inclui o desenvolvimento de organizações regionais. Estamos ampliando nosso envolvimento com essas organizações para discutir assuntos de interesse comum que podem ser resolvidos de maneira mais eficaz em âmbito multilateral. Estamos profundamente envolvidos com o Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), associação de 21 economias situadas na orla do Oceano Pacífico que estão trabalhando em cooperação para aumentar a segurança e a prosperidade de nossa região. Para os Estados Unidos, a Apec é a instituição fundamental para buscar a liberalização do comércio e dos investimentos e para resolver problemas que demandam cooperação multilateral, como confrontar a ameaça de uma pandemia de gripe aviária e garantir comércio seguro na região. Os Estados Unidos são um participante entusiasmado do Fórum Regional da Asean (ARF) - a única instituição da região totalmente inclusiva dedicada a questões de segurança - e iniciaram discussões com os governos da Asean sobre uma Parceria Ampliada Asean-EUA que incluirá nova cooperação sobre questões políticas, de segurança, econômicas e socioculturais. Ajudamos ativamente os programas da área do Pacífico, principalmente por meio de organizações regionais como a Secretaria da Comunidade do Pacífico e o Fórum das Ilhas do Pacífico, fornecendo apoio econômico, técnico e de desenvolvimento para as 22 nações e territórios do Pacífico. Continuaremos a observar a Cúpula do Leste Asiático (EAS) para tentar entender melhor os seus relacionamentos com os fóruns regionais, que apoiamos e dos quais participamos ativamente, e com nossas metas para a região.
Fortalecimento das alianças e parcerias Para enfrentar ameaças à paz e à segurança regionais, o presidente Bush enfatizou o fortalecimento e a revitalização de alianças. Os laços que temos com nossos cinco principais aliados e um parceiro-chave na região melhoraram de maneira significativa desde 2001, mas o desafio de dar continuidade a esse progresso nos manterá ocupados nos próximos anos. Os Estados Unidos e a Austrália têm uma longa história de trabalho conjunto como aliados muito próximos, e nossas relações nunca foram tão boas como agora. A Austrália está ao lado do Afeganistão e do Iraque ? enviando forças para os conflitos e desempenhando papel importante na reconstrução. Compartilhamos o compromisso com a não-proliferação, com o combate ao terrorismo e o tráfico internacional de pessoas e outros assuntos transnacionais. O presidente Bush definiu o Japão como "uma força para a paz e a estabilidade nessa região, membro valioso na comunidade mundial e aliado de confiança dos Estados Unidos". Continuamos a trabalhar diretamente com o Japão, fazendo avançar nossas relações em direção a uma parceria mais madura, na qual o Japão desempenha papel cada vez mais eficaz promovendo nossos interesses mútuos no âmbito regional e global. Nosso relacionamento com a Coréia do Sul vai além das razões originais de segurança, uma vez que a República da Coréia começa a desempenhar papel político global proporcional à sua importância econômica. A Coréia do Sul é o terceiro maior Estado que contribui com tropas nas operações internacionais no Iraque, e decidimos iniciar negociações sobre um acordo de livre comércio bilateral que, quando concluído, fará da Coréia nosso terceiro maior parceiro de livre comércio depois de Canadá e México. Tanto a Tailândia quanto as Filipinas são grandes aliados não pertencentes à Otan e importantes parceiros na guerra contra o terrorismo. A Tailândia contribuiu com tropas para os esforços de coalizão no Afeganistão e no Iraque e é outro país onde estamos envolvidos nas negociações de livre comércio. As forças armadas dos EUA e das Filipinas cooperam mais de perto, e estamos envolvidos em um programa plurianual financiado em conjunto chamado Reforma da Defesa Filipina, destinado a modernizar as estruturas de instituições de defesa filipina. Nossos acordos com Cingapura, que não é um aliado de tratado mas um parceiro cada vez mais próximo, nos dão acesso a instalações de aeroportos e portos de padrão internacional, estrategicamente localizados ao longo de importantes rotas de transporte. Cingapura desempenha papel ativo nos esforços regionais para salvaguardar as rotas marítimas essenciais que passam pelos Estreitos de Malaca e de Cingapura. Conclusão Estamos avançando por toda a região do Leste Asiático e do Pacífico para alcançar nossos objetivos de fortalecimento da estabilidade, segurança e paz, além de expansão de oportunidades para a democracia e a prosperidade. Minhas viagens me deixaram otimista, apesar de alguns obstáculos difíceis com relação à concretização, nos próximos anos, das tendências favoráveis que aqui descrevi.
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