Meus quase 30 anos como funcionário do Serviço de Relações Exteriores em meu país e no exterior me ensinaram que a parceria dos Estados Unidos com a Europa, baseada nos mesmos princípios democráticos, continua sendo a parte central da nossa política externa. Juntos, os Estados Unidos e a Europa puseram em prática esses valores para nos defender durante a Guerra Fria, basicamente para triunfar naquela luta, e, por fim, para construir uma Europa integral, livre e em paz após a queda do Muro de Berlim, ajudando os europeus a encontrar seu caminho para a liberdade. Observei isso ao trabalhar na União Soviética, na Iugoslávia e na Polônia durante os anos intensos de sua transição democrática. Nossos valores comuns — e a consciência arduamente adquirida de que liberdade, segurança e prosperidade na comunidade euro-atlântica dependem de sua expansão no mundo todo — guiam nosso compromisso mútuo de promover democracia e liberdade, levar paz às regiões conturbadas e fomentar a prosperidade global. Como qualquer parceria de longo prazo, Europa e Estados Unidos têm diferenças ocasionais, mas estas são secundárias se comparadas aos valores e interesses comuns que nos unem. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) continua a ser nossa principal aliança de segurança, e muitas de nossas mais fortes parcerias multilaterais são com organizações ancoradas na Europa: a União Européia, a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (Osce) e a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Nossos valores comuns garantem uma pareceria Europa-Estados Unidos duradoura, ainda que surjam novos desafios. Muitos dos questionamentos internacionais mais importantes do século 20 eram, em sua essência, sobre a organização política e econômica da Europa, mas o mundo pós-11/9 trouxe outro desafio: a liberdade poderá se manter e florescer na maior parte do mundo? Em conseqüência disso, os parceiros euro-atlânticos agora trabalham juntos em regiões de conflito no mundo todo.
Grande Oriente Médio e Norte da África (BMENA) Durante muito tempo, as democracias do mundo aceitaram um status quo estagnado e não democrático no Grande Oriente Médio. Buscamos estabilidade, mas em vez disso o autoritarismo e a desordem incubaram uma ideologia hostil e antidemocrática e causaram grande instabilidade ao mundo. Nossos interesses de longa data nessa parte do mundo dependem do avanço da liberdade e justiça e da propagação de economias de mercado eficientes em toda essa região. Devemos ser realistas sobre as dificuldades a curto prazo, mas audaciosos em nossos objetivos de médio e longo prazo. A Europa e os Estados Unidos compartilham a visão de um Oriente Médio democrático. Juntos, lançamos iniciativas para fortalecer os reformadores naquela região. O Fórum do Futuro reúne o G-8 (as oito maiores potências financeiras e industriais do mundo) e representantes governamentais e não-governamentais dos países do Grande Oriente Médio e do Norte da África. Duas novas instituições decidiram, sob os auspícios do fórum, trabalhar para fortalecer as instituições da sociedade civil baseadas em democracia e prosperidade. Segundo a secretária de Estado, Condoleezza Rice, a Fundação para o Futuro “busca reformadores nativos para se valer de suas idéias e ideais e cultivar organizações de base que apóiem o desenvolvimento da democracia. A Fundação concederá verbas para ajudar a sociedade civil a fortalecer o Estado de Direito, proteger as liberdades civis básicas e garantir maior oportunidade de saúde e educação”. Um Fundo para o Futuro paralelo visa estimular o crescimento econômico e a criação de empregos. Com contribuições do Egito, do Marrocos, da Dinamarca e dos Estados Unidos, o Fundo provê pequenas e médias empresas promissoras com o capital necessário para criar empregos e fomentar o crescimento econômico. Isso reflete “o novo consenso internacional de que o aprofundamento da reforma democrática e econômica é essencial para essa região”, diz Rice. Os Estados Unidos, a União Européia, a Rússia e as Nações Unidas se comprometeram a encontrar uma solução para os dois Estados no conflito Israel-Palestina. Estamos pressionando a liderança palestina a agir com energia contra o terror, reconhecer o direito de Israel de existir, cumprir seus compromissos internacionais e construir a prática da democracia com base em tolerância e liberdade. Incentivamos Israel a fazer sua parte para ajudar os palestinos a estabelecer um Estado baseado na democracia e no Estado de Direito, vivendo em segurança e em paz com Israel. A parceria EUA-Europa dá suporte fundamental para a transformação rápida e histórica do Afeganistão, que continua sob pressão de terroristas. À medida que as tropas da Otan aumentam sua presença em todo o país, levam segurança e a possibilidade de desenvolvimento para sua sofrida população. Na guerra contra o terror, a cooperação EUA-Europa começa por dar ao Afeganistão, que certa vez abrigou a Al Qaeda, a oportunidade de construir uma nação democrática e próspera, em paz consigo mesma e com seus vizinhos. Os Estados Unidos vêm trabalhando em estreita colaboração com o “UE-3” (França, Grã-Bretanha, Alemanha) para convencer o regime iraniano a cooperar com a comunidade internacional e abandonar seus esforços para desenvolver armas nucleares. Como um Irã mais democrático será um parceiro melhor e mais responsável na região e no mundo, os Estados Unidos e a Europa estão determinados a sensibilizar a sociedade e o povo iraniano. A Europa e os Estados Unidos apóiam o novo governo do Iraque, eleito democraticamente, e seus esforços em trazer segurança, prosperidade e democracia duradoura ao povo iraquiano. Nossas diferenças com alguns países europeus sobre a decisão de tirar Saddam Hussein do poder pertencem ao passado. O sucesso no Iraque é de interesse comum e estabelecerá o cenário para o avanço da liberdade no coração do Oriente Médio. Os Estados Unidos e a Europa estão trabalhando juntos para, com urgência, acabar com o conflito e criar condições para uma solução duradoura entre Israel e Líbano. Isso significa, entre outras coisas, que o Hezbollah não pode continuar livre para atacar Israel à vontade. Queremos ver o Líbano totalmente soberano e livre da dominação e das forças estrangeiras, em paz com Israel e vivendo em segurança.
Democracias jovens Os Estados Unidos e a Europa estão trabalhando em conjunto para auxiliar as democracias jovens e ainda vulneráveis da Ucrânia e da Geórgia. As revoluções Laranja e das Rosas inspiraram os povos que buscam a liberdade no mundo todo. Temos o compromisso de ajudar ucranianos, georgianos e outros povos que se encontram nas “Fronteiras da Liberdade” a consolidar seus ganhos democráticos. Em Belarus, onde o regime ilegítimo de Lukashenka proibiu a liberdade de expressão e puniu aqueles que buscam o desenvolvimento democrático, os Estados Unidos vêm trabalhando com cautela, lado a lado com a União Européia, para pressioná-lo. Proibição de viagens e sanções financeiras têm como alvo o grupo que ajuda a manter a ditadura de Lukashenka, a última da Europa. Continuamos a apoiar o povo de Belarus. Os Estados Unidos e a Europa ajudam a Rússia em seus esforços para se tornar uma democracia vibrante e voltada para o mercado e visam ao aprofundamento de uma parceria para dar mais segurança, paz e prosperidade ao mundo. Cooperamos com a Rússia na busca de interesses comuns, inclusive a não-proliferação de armas, o fim do terrorismo e a promoção da saúde. Ao mesmo tempo, estamos apreensivos com certas tendências preocupantes do desenvolvimento democrático na Rússia e com o tratamento dado pelo país a alguns de seus vizinhos, bem como com alguns aspectos do uso dos recursos energéticos. Os Estados Unidos e a Europa uniram-se para resolver a última questão importante da região: a situação definitiva de Kosovo. Como parte desse esforço, estamos preparados para sensibilizar todos os países da região, especialmente a Sérvia, e trazê-los para as instituições euro-atlânticas. Os Estados Unidos e os aliados europeus estão trabalhando em comum acordo para conseguir um pacto final de paz no sul do Sudão. Estamos determinados a pôr fim na matança em Darfur e estamos trabalhando em colaboração com a ONU, a Otan, a UE e a União Africana para cessar essa violência imediatamente. Segurança e paz Os Estados Unidos e a Europa estão se empenhando para estender ao mundo a paz que há décadas reina na comunidade transatlântica. A Otan é a aliança de maior importância para os Estados Unidos: uma ligação estratégica entre a América do Norte e a Europa e o principal braço de segurança da comunidade democrática transatlântica. Juntos, Europa, Canadá e Estados Unidos estão transformando a Otan para enfrentar os desafios do século 21. No início de 1994, a Otan era uma aliança militar de 16 países, orientada para combater uma União Soviética já há muito extinta; a organização jamais realizou uma operação militar. Até 2004, a Otan tinha 26 membros e 31 parcerias na Eurásia, no Mediterrâneo e no Golfo Pérsico. Participava de oito operações militares simultâneas, dos Balcãs ao Afeganistão, realizando tarefas que iam desde assistência humanitária até operações de estabilidade. A Otan é uma aliança em ação. Trabalhamos todos os dias com os parceiros europeus para intensificar os esforços contra o terrorismo e, juntos, ajudar outros Estados a melhorar sua capacidade contraterrorista. Nossa cooperação abrange o compartilhamento de informações e de inteligência, o desmantelamento de células terroristas, a interdição de logísticas terroristas e o empenho para reunir esforços contra a lavagem de dinheiro.
O perigo mais grave enfrentado pela Europa e por nós é a possibilidade de armas de destruição em massa caírem em mãos de terroristas e de seus patrocinadores. Pela Iniciativa de Segurança Contra a Proliferação de Armas, os Estados Unidos e a Europa se unem a outros países na adoção de medidas eficazes para interditar a transferência ou o transporte de armas de destruição em massa, seus sistemas de distribuição e materiais correlatos. Os Estados Unidos e a Europa vêm aprofundando cada vez mais a cooperação para aplicação da lei. Trabalhamos em uníssono para combater atividades do crime organizado, inclusive o tráfico de seres humanos, a distribuição de narcóticos, a fiscalização das fronteiras e os crimes financeiros. Os Estados Unidos e a Europa incrementam a prosperidade global mediante o compromisso de abrir mercados, criar um sistema financeiro estável e confiável e promover a integração da economia global. Seja por meio das negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio para diminuir as barreiras comerciais, seja por iniciativas EUA-UE para melhorar a eficiência econômica, os Estados Unidos e a Europa procuram criar novas oportunidades para outros povos e para o nosso; ajudar a reduzir a pobreza; e levar esperança, dignidade e progresso a centenas de milhões de pessoas no mundo todo. Os Estados Unidos e a União Européia são os principais parceiros um do outro em comércio e investimentos. Em conjunto, nossas economias respondem por mais da metade do PIB global e por um terço do comércio mundial, gerando aproximadamente US$ 2,5 trilhões em vendas comerciais por ano e empregando cerca de 12 a 14 milhões de trabalhadores nos dois lados do Atlântico. Os Estados Unidos e a Europa estão pondo em prática uma estratégia de atuação internacional para evitar a disseminação da gripe aviária. Essa estratégia enfatiza a prontidão, a prevenção e a contenção. Americanos e europeus fizeram do combate ao HIV/Aids uma prioridade máxima por razões humanitárias, mas também porque o HIV/Aids ameaça a prosperidade, a estabilidade e o desenvolvimento no mundo. Desde 1986, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) investiu quase US$ 6 bilhões, mais do que qualquer outra organização pública ou privada, para combater o vírus em quase 100 países. Os Estados Unidos e seus parceiros europeus estão trabalhando em estreita colaboração para aumentar a segurança energética. Nossos princípios e objetivos comuns incluem diversificação de fornecedores e fontes, disponibilidade de transparência e abertura para os investidores, desenvolvimento de novas tecnologias e promoção do consumo eficiente de energia. A descoberta, a captação e o consumo de energia estão inexoravelmente ligados à gestão responsável do ambiente natural. Na Cúpula EUA-UE de Viena em 2006, os dois lados concordaram em abordar em conjunto os problemas de mudança climática, perda da biodiversidade e poluição do ar. Conclusão Nunca antes a Europa e os Estados Unidos trabalharam com tal grau de colaboração e eficiência. Embora os céticos tenham apresentado teorias de interesses divergentes, desvios estratégicos ou até mesmo rivalidades incipientes, tudo isso se dissolve perante a realidade da estreita cooperação política fincada em valores, propósitos e visão comuns aos dois lados. A Europa e os Estados Unidos são aliados na ação e ambos estão determinados a tornar o mundo mais livre, mais seguro e mais próspero.
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