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Assuntos do Centro-Sul da Ásia

Richard A. Boucher

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Política Externa dos EUA no Século 21

ÍNDICE
Introdução
Assuntos Africanos
Assuntos do Leste Asiático e do Pacífico
Assuntos Europeus e Eurasianos
Assuntos do Oriente Próximo
Assuntos do Centro-Sul da Ásia
Assuntos do Hemisfério Ocidental
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Richard A. Boucher, secretário de Estado adjunto, Escritório de Assuntos do Centro-Sul da Ásia
Richard A. Boucher, secretário de Estado adjunto, Escritório de Assuntos do Centro-Sul da Ásia

No ano passado, a secretária Rice decidiu concentrar a responsabilidade das políticas para as nações do Centro-Sul da Ásia em um único escritório. Essa mudança faz sentido, porque o Centro-Sul da Ásia deve ser tratado como uma unidade. Além de profundos vínculos culturais e históricos, as metas de nossas principais políticas para o século 21, como vencer a guerra contra o terror, descobrir saídas para o abastecimento de energia, alcançar a prosperidade por meio da cooperação econômica e explorar oportunidades democráticas, são de central importância em todos os países dessa região. Ao mesmo tempo, em cada país — Afeganistão, Bangladesh, Butão, Índia, Maldivas, Nepal, Paquistão, Sri Lanka, Cazaquistão, Usbequistão, Quirguistão, Tajiquistão e Turcomenistão — nos deparamos com questões únicas e desafiadoras a serem enfrentadas.

Nosso sucesso no Centro-Sul da Ásia é muitíssimo importante para nossos interesses nacionais. O 11 de Setembro solidificou nosso entendimento de que a estabilidade na região era ainda mais vital. O que os Estados Unidos buscam na região é a disseminação contínua da estabilidade democrática. Estamos ajudando os Estados da região a encontrar paz e prosperidade por meio da combinação virtuosa de liberdade política e econômica. Procuramos defender as mudanças e as reformas que resultem em uma região mais estável, próspera e integrada. Isso está em conformidade com o objetivo central da política externa americana, como articulado pelo presidente Bush: “A política dos Estados Unidos é buscar e apoiar o crescimento das instituições e dos movimentos democráticos em todas as nações e culturas, com o objetivo final de acabar com a tirania em nosso mundo.”

Os Estados Unidos vão trabalhar com os governos e os povos do Centro-Sul da Ásia, praticando o que a secretária Rice denominou “diplomacia transformacional”. Ela explica que “… a diplomacia transformacional está enraizada na parceria; não no paternalismo. Ao fazer coisas com as pessoas, não para elas, buscamos usar o poder diplomático dos Estados Unidos para ajudar cidadãos estrangeiros a melhorar de vida, construir sua nação e transformar seu próprio futuro”.

O secretário de Estado adjunto dos EUA para Assuntos do Centro-Sul da Ásia, Richard Boucher
O secretário de Estado adjunto dos EUA para Assuntos do Centro-Sul da Ásia, Richard Boucher (direita), junto com (da esquerda para a direita) Herve Jouanjean, vice-diretor-geral da Comissão de Relações Exteriores da União Européia; Yasushi Akashi, enviado japonês a Colombo para a Paz; e Erik Solheim, ministro norueguês de Desenvolvimento Internacional, na abertura da reunião sobre o processo de paz do Sri Lanka, em maio de 2006
© AP Images

Educação, crescimento e cooperação

A educação, em particular de mulheres e meninas, é nosso instrumento mais forte de política externa na região. É a base para acelerar o desenvolvimento social, político e econômico em todas as áreas: reduzindo a mortalidade infantil/materna e melhorando a assistência médica, a higiene básica, a alfabetização, a participação cívica e o crescimento econômico, entre outros. Os Estados Unidos destinarão recursos significativos para projetos educacionais na região.

Programas para incentivar e estimular o crescimento econômico com amplo impacto em populações da região — variando de desenvolvimento de microempresas a facilitação do comércio e reformas aduaneiras — são componentes essenciais para a criação de economias e parceiros comerciais sólidos. Graças a reformas e oportunidades de exportação, o Paquistão e a Índia estão crescendo a uma taxa acima de 8%, e o Afeganistão está crescendo a 14%. As reformas econômicas e as reservas de hidrocarboneto do Cazaquistão irão em breve colocá-lo entre os primeiros no ranking de exportadores de energia.

A promoção de cooperação mais estreita em todas as esferas, no Centro-Sul da Ásia e entre seus países, é alta prioridade. Incentivamos a parceria natural da Ásia Central com o Afeganistão e o tremendo potencial para o comércio transfronteiriço. Um objetivo importante é financiar a expansão da rede de energia elétrica afegã, com conexões a fontes de energia subutilizadas da Ásia Central. É uma boa solução para ambos os lados, fornecendo a energia tão necessária ao Afeganistão e servindo como principal fonte de receita futura para países como o Tajiquistão e o Quirguistão.

A geração de estabilidade de longo prazo por meio de cooperação regional em energia, comércio e comunicações é uma área em que os Estados Unidos podem oferecer assistência técnica. Como governo, não é nosso papel conduzir projetos de energia e infra-estrutura de larga escala. Mas temos grande interesse em utilizar nosso conhecimento especializado, em combinação com outros parceiros e doadores multilaterais, para estimular tais atividades.

O fortalecimento desses laços e a ajuda na construção de novos vínculos em energia, infra-estrutura, transportes e outras áreas aumentarão a estabilidade de toda a região, mas não será à custa de relações já existentes. Continuaremos a enfatizar o envolvimento das nações centro-asiáticas com instituições euro-atlânticas. Seus vínculos com a Otan, a União Européia, a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa e com outras nações européias individualmente precisam continuar sendo parte importante de seu futuro.

Parcerias estratégicas

Caxemirianos descarregam ajuda emergencial doada pelos americanos de um helicóptero das Nações Unidas no povoado de Sharda, no Paquistão, após os terremotos de 2005
Caxemirianos descarregam ajuda emergencial doada pelos americanos de um helicóptero das Nações Unidas no povoado de Sharda, no Paquistão, após os terremotos de 2005
© AP Images

Estamos construindo uma parceria estratégica global com a Índia, a maior democracia do mundo e provavelmente a nação mais populosa em 20 anos. Índia e Estados Unidos são democracias de muitas etnias, línguas e religiões, com interesses cada vez mais convergentes nas questões mundiais mais importantes. A abertura de novas áreas para a cooperação econômica e a conclusão de uma parceria nuclear civil são dois dos caminhos mais importantes que estamos percorrendo atualmente. Também estamos estudando todas as áreas em que seja possível fazer avançar nossos interesses internacionais por meio dessa parceria. Isso inclui agricultura, construção da democracia, ajuda emergencial, educação, ciência e tecnologia.

Estamos dando continuidade à longa amizade dos Estados Unidos com o Paquistão, aliado fundamental na guerra contra o terror. O presidente Musharraf tomou uma decisão importante para distanciar seu país do extremismo e aproximá-lo de um futuro como democracia moderna, e nós apoiamos totalmente essa decisão. Estamos trabalhando com partidos políticos, sociedade civil e instituições como a comissão eleitoral para garantir o sucesso das eleições parlamentares em 2007 e continuamos a ressaltar que estamos profundamente comprometidos a ajudar o povo paquistanês a se recuperar do terremoto devastador de outubro passado.

O secretário adjunto paquistanês Fardosh Alim
O secretário adjunto paquistanês Fardosh Alim (centro) acena para multidão no posto conjunto da Índia e do Paquistão em Wagha, Índia, no dia em que um novo serviço transfronteiriço foi aberto, resultado dos esforços para melhorar os laços entre as duas nações
© AP Images

Uma relação estável e amigável entre a Índia e o Paquistão é essencial para a paz e a estabilidade na região e além dela. Estamos animados com o progresso do diálogo entre Índia e Paquistão. Medidas que ajudam a gerar confiança, como a abertura de ligações de ônibus e de trem, estão contribuindo para a formação de um grupo de defensores da paz nas duas nações. Continuaremos a estimular os esforços de paz entre os dois países, inclusive a resolução da questão da Caxemira.

No centro dessa região, o Afeganistão pode ser a ponte entre o Sul e o Centro da Ásia, em vez de ser uma barreira que os separe. A estabilidade, a democracia e o desenvolvimento econômico no Afeganistão continuam sendo grandes prioridades para os Estados Unidos e também para os nossos parceiros. Os documentos do Pacto pelo Afeganistão e da Estratégia Provisória de Desenvolvimento Nacional divulgados em janeiro durante a Conferência de Londres sobre o Afeganistão delineiam indicadores específicos de segurança, governança e desenvolvimento para os próximos cinco anos; nosso apoio é vital para alcançar essas metas importantes. Precisamos continuar a lidar de modo decisivo com os remanescentes violentos da Al Qaeda, do Taleban e de outros grupos insurgentes que ainda estão soltos. A grande plantação de ópio no Afeganistão representa uma séria ameaça para a Ásia, a Europa e os Estados Unidos, com potencial para fomentar insurgências, destruir economias e corromper governos. Por meio de uma abordagem de cinco pilares, baseada em informação, alternativas de renda, erradicação, fiscalização e interdição e aplicação justa da lei, o Afeganistão está agindo contra o comércio de drogas, e nós estamos ajudando.

Estamos trabalhando para acabar com a discórdia e promover a estabilidade em toda a região. No Sri Lanka, continuamos a trabalhar com nossos parceiros internacionais para preservar um processo de paz frágil e encontrar uma solução para a luta violenta contra o governo, encabeçada pelos separatistas tâmeis. O Nepal também enfrenta uma situação difícil. Demonstrações populares forçaram o rei Gyanendra a restaurar o Parlamento e reconhecer a soberania popular, mas o país ainda enfrenta muitos desafios no caminho para a restauração da democracia, da paz e do desenvolvimento, inclusive uma insurreição contínua dos maoístas. Apesar do otimismo cauteloso dos Estados Unidos, esse é o começo de um processo para fixar a democracia no Nepal, e o forte apoio dos EUA e de outros países será importante para garantir o sucesso do novo governo. Em Bangladesh, democracia muçulmana moderada recentemente ameaçada pela violência política e pelo extremismo, estamos na expectativa de eleições parlamentares livres e justas com a participação plena e ativa de todos os partidos.

As nações centro-asiáticas estão lidando com desafios similares, como combate ao terrorismo, construção do crescimento sustentável e realização das demandas da população por oportunidades econômicas e políticas. Alguns líderes, como os do Turcomenistão e do Usbequistão, responderam de modo negativo, e precisamos administrar nossas relações de modo apropriado. No entanto, a Ásia Central também é uma a região de inúmeras promessas. A produção de petróleo e gás na bacia do Mar Cáspio, em particular no Cazaquistão e no Turcomenistão, poderá ser uma contribuição significativa à segurança energética global. O Cazaquistão pode estar surgindo como um motor de crescimento econômico e reforma da região. O Quirguistão está lutando para consolidar os ganhos democráticos e manter as reformas nos trilhos.

Conclusão

Em toda a região, as tradições de tolerância religiosa e aprendizado científico, que remontam a mais de um milênio, são uma proteção contra forças importadas de extremismo violento. À medida que ajudamos os governos e os povos da região a fortalecer suas instituições promovendo crescimento, paz e estabilidade, também procuramos incentivar os membros da sociedade que começaram a reformar, promover mudanças, abrir suas economias e cooperar com seus vizinhos. Com praticamente um quarto da população mundial, recursos abundantes e uma geração de jovens com sonhos sem precedentes, o Centro-Sul da Ásia tem grande potencial global para atuar como força democrática e economicamente vibrante para mudanças positivas. Os Estados Unidos devem ter um papel na promoção de tais mudanças, das quais todos na região poderão compartilhar.

Política Externa dos EUA no Século 21

Para mais informações:

http://www.state.gov/p/sca/

http://usinfo.state.gov/sa/

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