eJournal USA: Foreign Policy Agenda

Combate à Aids

Capitão-médico da Marinha Matthew L. Lim

Improving Lives: Military Humanitarian and Assistance Programs

ÍNDICE
Sobre esta edição
Introdução
Educação e Treinamento: Base Comum para Segurança
Uma Longa Tradição de Cooperação e Apoio
Centro para Portadores de Deficiência
Combate à Aids
Parceria Angola-EUA contra o HIV/Aids
Treinamento de Operadores de Desminagem
Ensinando Relações Civil-Militares
De Estado para Estado
Bibliografia
Recursos na internet
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Os militares correm risco de infecção pelo HIV na mesma ou maior proporção que a população em geral, principalmente os soldados mais jovens e sujeitos a deslocamentos. Altas taxas de infecção podem dificultar a manutenção da paz internacional, bem como as operações nacionais e regionais. É por essa razão que os Estados Unidos vêm promovendo a saúde e o bem-estar de suas tropas no mundo todo. O programa de prevenção do HIV/Aids do Departamento de Defesa busca deter e reverter o efeito devastador da Aids nas comunidades militares norte-americanas no exterior.

Nessa nova era de viagens internacionais rápidas, de fronteiras fáceis de transpor e Estados-nação instáveis, as doenças infecciosas emergentes têm se tornado ameaças significativas à segurança e ao desenvolvimento global. Entre essas doenças, o HIV/Aids é particularmente destrutivo porque o sofrimento não se limita aos infectados. A perda de muitos de seus cidadãos mais instruídos e produtivos pode paralisar a economia dos países mais atingidos pelo HIV/Aids; muitos países africanos viram décadas de ganhos econômicos se perderem. A perda de professores priva de educação a próxima geração. A morte dos pais deixa milhares de órfãos.

O HIV/Aids representa uma grave ameaça à segurança internacional e à economia global. Em seu discurso na Assembléia Geral das Nações Unidas, em 21 de setembro de 2004, o presidente George W. Bush apontou a Aids como “a maior crise de saúde dos nossos tempos”.

Os militares correm risco igual de infecção pelo HIV − ou até superior − à população em geral, principalmente os soldados mais jovens e sujeitos a deslocamentos. Forças militares com taxas expressivas de HIV não podem se engajar tão efetivamente nos esforços de manutenção da paz e talvez não sejam capazes de manter a segurança no seu próprio país, o que, por sua vez, conduz à instabilidade regional e ao aumento do conflito. Por essa razão, os interesses da segurança nacional dos EUA são beneficiados pela promoção da saúde e do bem-estar dos militares que servem no exterior.

Desde 1999, o Programa de Prevenção do HIV/Aids do Departamento de Defesa (Department of Defense HIV/AIDS Prevention Program - DHAPP), sediado em San Diego, na Califórnia, tem atuado como agente executivo dos esforços de prevenção do HIV/Aids de militar para militar dos EUA. Administrado pelo Centro Naval de Pesquisa em Saúde da Marinha dos EUA, o Programa de Prevenção à Aids tem quase 20 anos de experiência no campo da epidemiologia e prevenção da doença. Segundo dados de 2004, o programa tem atuado diretamente ou feito parcerias de trabalho em 41 países em regiões como África Subsaariana, Ásia Central, antiga União Soviética e Bacia do Pacífico.

Dois outros programas do Departamento de Defesa estão envolvidos com o HIV/Aids. A Agência de Cooperação em Segurança constrói em alguns lugares estruturas simples que servem como centros voluntários de atendimento e testes , ambulatórios de HIV/Aids ou laboratórios. A agência pode também fornecer material excedente do Departamento de Estado e apoiar o programa Vendas Militares Externas, o qual adquiriu recentemente equipamentos de laboratório para HIV/Aids. O Programa Militar de Pesquisas sobre HIV dos EUA realiza ainda vigilância epidemiológica de amostras do vírus e participa, juntamente com os Institutos Nacionais de Saúde, da condução de testes de vacinas contra o HIV.

No exterior, o programa de prevenção da Aids trabalha em conjunto com os serviços militares estrangeiros e o pessoal do Departamento de Estado dos EUA no aperfeiçoamento da capacidade dos militares estrangeiros para lidar com o fardo do HIV/Aids. Além disso, o programa busca criar vínculos fortes com as organizações não-governamentais (ONGs), reconhecendo que em muitas instâncias as ONGs possuem mais experiência, sustentabilidade e facilidade de acesso em países estrangeiros.

O processo de solicitação de projetos do programa de prevenção da Aids para obter a participação das ONGs provou ser excepcionalmente econômico. Por exemplo, a Universidade Drew contratou o programa para iniciar um projeto de educação em HIV para os militares angolanos; em menos de dois anos, quase metade de todos os membros na ativa foi atendida. Em muitos países, projetos patrocinados pelo DHAPP são os primeiros esforços conjuntos entre militares e ONGs.

O programa de prevenção à Aids financia pesquisas sobre o conhecimento, as atitudes e as práticas em relação ao vírus entre tropas estrangeiras, bem como materiais educativos e de treinamento. Essas pesquisas e materiais são desenvolvidos e utilizados em contextos culturalmente apropriados, com a participação plena e a aprovação do establishment militar da nação anfitriã. Além disso, o programa de prevenção à Aids fornece apoio ao diagnóstico e ao tratamento de doenças sexualmente transmissíveis, que são fatores de risco conhecidos de transmissão do HIV. Um dos seus focos principais tem sido a ampliação do número de estabelecimentos para atendimento voluntário e testes para identificar os infectados pelo HIV e oferecer-lhes serviços de apoio e encaminhamento para tratamento médico. Simultaneamente, o programa de prevenção à Aids apóia os esforços para reduzir o ostracismo e a estigmatização dos portadores de HIV/Aids, com o fim de melhorar suas vidas e estimular o uso dos centros de atendimento e testes. O programa de prevenção à Aids também dá assistência às Forças Armadas que desejam realizar testes de HIV em todas as tropas, testes esses que fornecem as estimativas mais acuradas da magnitude da epidemia, sendo também um método de avaliação da eficácia dos esforços de prevenção.

O programa de prevenção à Aids também participa da ampliação da infra-estrutura de atendimento médico. No passado, esse apoio variou da construção e reforma de instalações médicas ao fornecimento de computadores, impressoras, acesso à internet e outras ferramentas de gerenciamento da informação, à compra de equipamentos de laboratório (kits para diagnóstico de HIV, contadores de células CD4 e outros dispositivos médicos sofisticados).

O programa de prevenção à Aids tem como uma das principais finalidades a capacitação de profissionais em HIV/Aids. As atividades do programa incluem um esforço colaborativo com a Universidade da Califórnia e com o Centro Médico Naval, ambos em San Diego, que proporciona a médicos militares estrangeiros um curso intensivo de um mês de duração em epidemiologia clínica, ciência básica do HIV, experiência clínica com cuidados do HIV (inclusive o uso de anti-retrovirais) e aspectos sociais, psicológicos e espirituais no cuidado desses pacientes. Até o momento, 44 pessoas participaram desse curso. No exterior, o programa patrocina workshops regionais de dois a três dias de duração para representantes militares estrangeiros, nos quais profissionais de saúde de vários países discutem questões sobre atendimento médico e pesquisas regionais. O programa espera ampliar brevemente as oportunidades de treinamento para incluir um curso sobre HIV para militares em Uganda, em conjunto com a Sociedade de Especialistas em Doenças Infecciosas da América do Norte.

Um dos princípios fundamentais do programa de prevenção à Aids tem sido o apoio às estratégias individuais dos países para o combate ao HIV/Aids, com base na identificação das suas próprias necessidades, ao invés da imposição de uma solução externa. Em geral, uma nação anfitriã tomará conhecimento do programa de prevenção à Aids diretamente (por exemplo, através do endereço http://www.nhrc.navy.mil/programs/dhapp/index.html) ou via embaixada dos EUA. Uma vez estabelecida uma relação, a nação anfitriã apresenta uma proposta para financiamento via embaixada; o programa oferece assistência na preparação da proposta, inclusive com visitas da equipe do programa à nação anfitriã.

Após a apresentação da proposta, seus méritos são avaliados com base na necessidade comprovada de assistência, nos elementos da proposta em si e nas prioridades de financiamento do secretário da Defesa e do Comando de Combate regional relevante. Propostas adicionais anuais podem ser então apresentadas para continuidade do financiamento. Esse processo garante que os fundos sejam alocados onde são mais necessários, e elimina a duplicação dos esforços de outras agências governamentais ou ONGs. A meta do programa de prevenção à Aids é fazer com que as nações anfitriãs ampliem sua capacidade de atendimento permanente à saúde, que se tornará auto-sustentável dentro de poucos anos; dessa forma, o programa possibilita uma verdadeira parceria entre pares, entre os Estados Unidos e as nações estrangeiras.

Um exemplo significativo dessa filosofia tem sido a experiência pioneira Phidisa, na África do Sul. Esse estudo sobre tratamento do HIV, o maior dessa espécie já realizado, é um esforço colaborativo da Força de Defesa Nacional da África do Sul, do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas e do programa de prevenção da Aids (representando o Departamento de Defesa). A diretora clínica do programa, capitão da reserva Stephanie Brodine, é membro do comitê executivo do projeto, e o programa já patrocinou 15 médicos militares norte-americanos para atuar como funcionários clínicos na África do Sul. Em sua capacidade total, o projeto Phidisa oferecerá recursos para atendimento ao HIV/ Aids (inclusive drogas anti-retrovirais financiadas pelo Instituto Nacional de Saúde, quando indicado) para até 50 mil militares sul-africanos e membros de suas famílias.

A atividade recente mais importante do DHAPP tem sido a colaboração com o Plano de Emergência do Presidente para o Combate à Aids (President’s Emergency Plan for AIDS Relief - Pepfar). Esse esforço sem precedentes, no valor de US$ 15 bilhões, tem como objetivo fornecer terapia anti-retroviral eficaz para dois milhões de pacientes nos próximos cinco anos. Os representantes do programa de prevenção à Aids participam ativamente dos processos de avaliação e monitoramento do Pepfar. A cooperação entre esses programas garante que os Estados Unidos falem com uma só voz no campo da prevenção e tratamento do HIV/Aids no mundo, e reduza a duplicação de esforços. Em muitos casos, o trabalho de equipe do programa de prevenção e do plano de combate à Aids ajudou a promover relações mais estreitas entre as autoridades de saúde militares e civis da nação anfitriã.

Nos seus quatro anos de vida, o programa de prevenção à Aids expandiu-se e se tornou um esforço realmente global. O programa reforça as relações entre os EUA e os países estrangeiros ajudando-os a estancar e ― espera-se ― reverter a devastação provocada pela Aids nas Forças Armadas estrangeiras. Para conter a doença, bem como a sua ameaça de destruição econômica, convulsão social e instabilidade política, será necessário um esforço enorme, coordenado e sustentado.

Improving Lives: Military Humanitarian and Assistance Programs

Matthew L Lim

O capitão-médico da Marinha Matthew L. Lim é gerente do Programa de Prevenção do HIV/Aids do Departamento de Defesa e membro da Associação Americana de Médicos. É certificado pelo Conselho de Medicina Interna e Doenças Infecciosas.

   

   

   



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