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Crianças panamenhas beneficiam-se com visita de navio-hospital americano

Entrevista com David Shelby

Repensando a Ajuda Internacional

ÍNDICE
Sobre Esta Edição
As Diversas Faces da Ajuda
O Espectro da Assistência Externa dos EUA
Um Novo Cenário Assistencial
Transformando a Diplomacia — e Vidas
Heart Fund Salva Vidas de Crianças
História em Fotos photo icon
Uma Conexão com a Guatemala
EUA Criam Fundo Público-Privado de Ajuda a Mulheres e Crianças Refugiadas
Filtro para Retirar Arsênico da Água Leva Esperança a Milhões de Pessoas
Diáspora Etíope Ajuda Assistência Médica do Seu País
Crianças Panamenhas Beneficiam-se com Visita de Navio-Hospital Americano
Corpo da Paz Adapta-se a um Mundo em Mudança
Alpinista Americano Constrói Escolas no Paquistão e no Afeganistão
Recursos na Internet
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Médico empurra paciente para a sala de recuperação após cirurgia a bordo do navio-hospital da Marinha dos EUA USNS Comfort, junto à costa do Haiti. O hospital flutuante fornece aos residentes locais vacinações gratuitas, exames de vista, tratamento dentário e procedimentos cirúrgicos
Médico empurra paciente para a sala de recuperação após cirurgia a bordo do navio-hospital da Marinha dos EUA USNS Comfort, junto à costa do Haiti. O hospital flutuante fornece aos residentes locais vacinações gratuitas, exames de vista, tratamento dentário e procedimentos cirúrgicos (Ariana Cubillos/© AP Images)

Colón, Panamá — Yukeicha Newell sabe exatamente o que quer fazer quando terminar a escola. Seu sonho é abrir um salão de beleza. Mas, nos últimos dois anos, essa garota panamenha de 15 anos nunca se sentiu bonita. Um grande cisto em seu pescoço era motivo de importunações e constrangimento.

A mãe de Yukeicha levou-a a diversos médicos locais, mas nenhum deles dispunha dos equipamentos para remover o cisto. Eles também temiam que a operação delicada pudesse prejudicar a voz da menina para sempre.

Ao saber que o navio-hospital Comfort, da Marinha americana, ficaria atracado no porto de Colón, no Panamá, um dos médicos de Yukeicha recomendou que a menina procurasse os cirurgiões do navio para ver se eles poderiam fazer alguma coisa. Uma breve passagem pela sala de cirurgia do navio mudou a aparência de Yukeicha e ofereceu-lhe a perspectiva de uma vida mais normal.

O Comfort leva mais de 500 profissionais de saúde em viagem de quatro meses por 12 países da América Latina e do Caribe com a missão de oferecer serviços essenciais de saúde, pequenas cirurgias, reabilitação clínica, conserto de equipamentos médicos e treinamento médico para os profissionais de saúde locais.

Junto à costa da Nicarágua, residente local (direita) recebe novo par de óculos a bordo do navio-hospital USNS Comfort
Junto à costa da Nicarágua, residente local (direita) recebe novo par de óculos a bordo do navio-hospital USNS Comfort (Luis Romero/© AP Images)

Entre os milhares de exames médicos e odontológicos realizados pela equipe do navio em Colón, alguns detectaram problemas graves de saúde que poderiam ter passado despercebidos e, como observou o oficial responsável pela equipe médica do navio, Bruce Boynton, até um abscesso no dente pode matar uma pessoa se não for tratado. Diversos outros exames serviram apenas para aliviar dores e sofrimentos menos graves. No entanto, alguns dos procedimentos realizados no Comfort mudam a vida das pessoas de forma drástica.

A enfermeira Diane Speranza, que estava a bordo do navio e é voluntária da organização não-governamental Projeto Hope, faz a triagem nas clínicas comunitárias montadas pelo pessoal do navio em cada porto. Ao ser entrevistada, ela contou o caso de uma mulher que chegou na clínica em Colón com um enorme cisto sebáceo sobre o olho. Normalmente, esse tipo de caso seria encaminhado para operação nas salas cirúrgicas do navio, mas não havia mais horário livre para uso das salas naquela altura.

Um cirurgião voluntário do Projeto Hope, no entanto, recusou-se a dispensar a paciente. Ele conseguiu um par de luvas esterilizadas e um bisturi. Usando fraldas descartáveis para forrar o entorno do ponto da incisão, ele operou o cisto.

Speranza disse que a equipe deu à paciente um espelho após a operação, e ela ficou maravilhada com sua aparência sem o calombo em cima do olho. “Ela ficou tão feliz! Isso terá impacto permanente em sua vida”, comentou Speranza. “Mudou seu visual. Ela está mais feliz consigo mesma.”

Para Speranza, a iniciativa do cirurgião mostra que não é preciso uma sala cirúrgica cara para mudar uma vida. “Onde há vontade, há um caminho”, concluiu.

Mark Andrews, membro da equipe do navio-hospital da Marinha, trabalha como oculista nas clínicas comunitárias do Comfort. Ele conta que um jovem chegou à clínica com um grave problema de catarata que o deixara com a visão turva em um olho e completamente cego do outro. Após cirurgia realizada a bordo do navio, o jovem recuperou a visão e pôde voltar a ter uma vida totalmente normal.

Embora a vida desse rapaz tenha passado por uma grande transformação, Andrews também encontra satisfação nas pequenas mudanças que pode provocar na vida das pessoas. Durante esses cinco dias em Colón, Andrews e sua equipe fizeram óculos para centenas de crianças. Ele disse sentir grande satisfação em saber que esses óculos permitirão às crianças ler livros e o quadro negro da escola nos próximos dez anos.

Para Andrews, o sorriso das crianças, quando conseguem enxergar claramente o rosto dos pais pela primeira vez em anos, faz com que seu trabalho seja totalmente recompensado.

“Essas expressões são a melhor parte do trabalho”, afirmou. “Sinto-me recompensado dez vezes mais por todo o meu esforço .”

Depois de atravessar o Canal do Panamá, o Comfort vai para a Nicarágua, onde repetirá o exercício. Andrews, Speranza e toda a equipe médica do navio querem ver quantas vidas ainda poderão melhorar com uma simples operação ou um mero par de óculos.

— David Shelby é chefe de Democracia e Assuntos Globais do Bureau de Programas de Informações Internacionais. Este artigo apareceu originalmente em usinfo.state.gov.

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