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Filtro para Retirar Arsênico da Água Leva Esperança a Milhões de Pessoas

Jeffrey Thomas

Repensando a Ajuda Internacional

ÍNDICE
Sobre Esta Edição
As Diversas Faces da Ajuda
O Espectro da Assistência Externa dos EUA
Um Novo Cenário Assistencial
Transformando a Diplomacia — e Vidas
Heart Fund Salva Vidas de Crianças
História em Fotos photo icon
Uma Conexão com a Guatemala
EUA Criam Fundo Público-Privado de Ajuda a Mulheres e Crianças Refugiadas
Filtro para Retirar Arsênico da Água Leva Esperança a Milhões de Pessoas
Diáspora Etíope Ajuda Assistência Médica do Seu País
Crianças Panamenhas Beneficiam-se com Visita de Navio-Hospital Americano
Corpo da Paz Adapta-se a um Mundo em Mudança
Alpinista Americano Constrói Escolas no Paquistão e no Afeganistão
Recursos na Internet
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Abul Hussam (à esquerda) e estudante de pós-graduação da Universidade George Mason mostram o filtro SONO
Abul Hussam (à esquerda) e estudante de pós-graduação da Universidade George Mason mostram o filtro SONO (Cortesia: Evan Cantwell, Universidade George Mason)

O vencedor de conceituado prêmio de engenharia está trabalhando de forma incansável para garantir que as comunidades carentes do mundo todo se beneficiem de seu invento, que remove arsênico e outras impurezas da água tirada de poços tubulares.

Abul Hussam, professor de química da Universidade George Mason, na Virgínia, destinou a maior parte do US$ 1 milhão que ganhou como vencedor do Prêmio do Concurso Grainger de 2007 para distribuir seu sistema de filtragem de água de baixo custo a populações carentes de nações como Bangladesh, seu país de origem, onde entre 77 milhões e 95 milhões de pessoas bebem água contaminada com arsênico. O dinheiro restante foi doado à universidade ou guardado para mais pesquisas.

A contaminação por arsênico é um problema grave nos poços tubulares de Bangladesh, leste da Índia, Nepal e vários outros países. O arsênico é venenoso e, mesmo em baixa concentração, pode causar doenças de pele, prejudicar o sistema nervoso, causar tipos graves de câncer, falência de órgãos e perda de braços e pernas, bem como levar à morte.

Hussam interessou-se por trabalhar profissionalmente com o problema do arsênico quando seu irmão, médico da cidade de Kushtia, Bangladesh, pediu-lhe para desenvolver uma técnica que mensurasse com precisão o arsênico. Como parte da sua pesquisa na Universidade George Mason, Hussam criou um analisador eletroquímico e o utilizou no desenvolvimento de um protocolo de medição. “A primeira amostra que mensuramos foi do poço da nossa casa, e encontramos de 160 até 190 partes por bilhão [ppb] de arsênico — o limite é 50 ppb. Decidimos então desenvolver um filtro para a água”, disse ele.

Hussam descobriu que toda a vizinhança do local onde cresceu e 60% dos 400 mil habitantes de Kushtia estavam bebendo água contaminada por arsênico. Embora ele e seus irmãos não tenham desenvolvido sintomas de envenenamento por arsênico, outras pessoas da sua comunidade desenvolveram.

O filtro de água de Hussam é simples, barato e confeccionado com materiais fáceis de serem encontrados.

O Prêmio do Concurso Grainger foi instituído pela Academia Nacional de Engenharia (NAE) com o apoio da Fundação Grainger. A NAE propôs que a comunidade americana de engenharia desenvolvesse um sistema de tratamento de água que reduzisse significativamente o arsênico contido na água subterrânea extraída de poços tubulares nos países em desenvolvimento. O concurso estipulava que o sistema vencedor fosse de baixo custo, tecnicamente resistente, confiável e passível de manutenção; fosse socialmente aceitável e de custo acessível; pudesse ser produzido e utilizado em um país em desenvolvimento; e não degradasse outras características da qualidade da água ou desse origem à disposição de resíduos tóxicos perigosos.

O filtro SONO, como Hussam o denomina, foi um dos 75 inscritos no concurso. Ele foi testado em um laboratório da Agência de Proteção Ambiental dos EUA e analisado pelos 10 membros da comissão de seleção do prêmio, segundo o presidente da comissão, Charles O’Melia, da Universidade Johns Hopkins, em Maryland, que chamou a invenção de Hussam de “inovadora”.

O filtro SONO funciona sem eletricidade, usando três tanques sobrepostos. O tanque superior é enchido com areia de rio grossa e uma matriz de ferro composto que atua como componente ativo de remoção de arsênico. O tanque do meio contém areia grossa de rio e carvão vegetal para remover impurezas orgânicas. O tanque inferior contém areia fina de rio e fragmentos de tijolo para remover as partículas finas e estabilizar o fluxo da água. O filtro SONO é produzido em Bangladesh com o emprego de matérias-primas locais,  a um custo de US$ 35 a US$ 40. O filtro produz 20 litros de água potável por hora, necessita de pouca manutenção e tem duração mínima de cinco anos. É também “verde” uma vez que não produz nenhum resíduo perigoso.

Hussam relatou que distribuiu 32.500 filtros em Bangladesh, incluindo mais de mil escolas. “Começamos a observar os resultados de beber água limpa em pacientes que têm se curado de melanose e queratose [doenças de pele] e em muitas pessoas que se sentem melhor”, disse. As pessoas também estão mais conscientes da importância da água limpa e potável.

“Temos planos de distribuir o filtro na Índia e no Nepal”, informou Hussam.

O trabalho de Hussam sobre a contaminação por arsênico e sua colaboração com outros pesquisadores para criar um laboratório de pesquisa ambiental em Bangladesh ilustra a sinergia que pode se desenvolver entre instituições americanas e de outros países como resultado da educação de um único indivíduo.

Hussam veio para os Estados Unidos como estudante de pós-graduação em 1978, juntou-se ao Departamento de Química da Universidade George Mason após ter concluído seu doutorado na Universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia, e sua pesquisa de pós-doutorado na Universidade de Minnesota. “Desde 1983 estou em contato com meu irmão médico, que estava tentando criar um laboratório de diagnóstico clínico em Kushtia, minha cidade natal. Também ajudei meus professores na Universidade de Daca a criar um laboratório eletroquímico e proferi palestras em diferentes instituições”, contou.

“A experiência nos Estados Unidos foi de imenso valor”, concluiu Hussam, que se tornou cidadão americano em 1978. “Devo dizer que tive excelentes colegas, aqui e no exterior, que foram receptivos e prestativos.”

— Jeffrey Thomas é da equipe de redação do Bureau de Programas de Informações Internacionais. Este artigo foi publicado originalmente no usinfo.state.gov.


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