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Corpo da Paz Adapta-se a um Mundo em Mudança

Lauren Monsen

Repensando a Ajuda Internacional

ÍNDICE
Sobre Esta Edição
As Diversas Faces da Ajuda
O Espectro da Assistência Externa dos EUA
Um Novo Cenário Assistencial
Transformando a Diplomacia — e Vidas
Heart Fund Salva Vidas de Crianças
História em Fotos photo icon
Uma Conexão com a Guatemala
EUA Criam Fundo Público-Privado de Ajuda a Mulheres e Crianças Refugiadas
Filtro para Retirar Arsênico da Água Leva Esperança a Milhões de Pessoas
Diáspora Etíope Ajuda Assistência Médica do Seu País
Crianças Panamenhas Beneficiam-se com Visita de Navio-Hospital Americano
Corpo da Paz Adapta-se a um Mundo em Mudança
Alpinista Americano Constrói Escolas no Paquistão e no Afeganistão
Recursos na Internet
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O voluntário do Corpo da Paz Eduardo Gonzales com crianças no Panamá, onde ajudou a criar uma horta escolar para fornecer alimentos às crianças e servir de fonte de captação de recursos<br>
O voluntário do Corpo da Paz Eduardo Gonzales com crianças no Panamá, onde ajudou a criar uma horta escolar para fornecer alimentos às crianças e servir de fonte de captação de recursos (Cortesia: Corpo da Paz)

Desde sua criação em 1961 pelo presidente John F. Kennedy, o Corpo da Paz dos EUA vem enviando voluntários para os países em desenvolvimento, não somente para ajudar a prestar serviços essenciais, mas também para promover melhor entendimento entre americanos e povos de outras culturas.

Segundo o atual diretor da agência, Ronald Tschetter, Kennedy esperava fazer avançar a causa da amizade e da paz mundial. O Corpo da Paz atual adaptou-se a um mundo em mudança, ao mesmo tempo que permaneceu fiel à sua missão, disse ele recentemente a repórteres em Nova York, no 460 aniversário da agência.

Desde o início, os voluntários do Corpo da Paz viveram e trabalharam com cidadãos de países anfitriões, ensinando técnicas sustentáveis, sem deixar de respeitar a cultura local. O Corpo da Paz serviu em 139 países, e os projetos são destinados a atender às “necessidades do país anfitrião”, afirmou Tschetter.

O maior programa do Corpo da Paz é a educação — inclusive o ensino do inglês — seguido por programas de saúde, como imunização e educação em saúde. “A maior área de nosso trabalho em saúde é a prevenção do HIV/Aids, principalmente na África”, disse Tschetter. Há também programas para dar apoio ao desenvolvimento de pequenas empresas, proteger o meio ambiente, promover avanços na agricultura e orientar jovens.

A idade média dos voluntários do Corpo da Paz é de 27 anos, continuou, “mas neste momento, o voluntário mais velho é uma mulher de 81 anos que serve na Tailândia”. Há somente duas exigências para admissão no Corpo da Paz: ter pelo menos 18 anos e ser cidadão americano.

Ele declarou que a agência está tentando atrair mais gente da geração baby boom – pessoas nascidas entre 1946 e 1964. Segundo ele, voluntários hoje na faixa dos 50 anos podem ter 30 anos de experiência profissional e contribuir com uma enorme gama de conhecimentos especializados e técnicas para os países em que trabalham.

Mercedes Anderson, voluntária octogenária do Corpo da Paz, brinca com crianças em um  centro para crianças deficientes em Cochabamba, Bolívia<br>
Mercedes Anderson, voluntária octogenária do Corpo da Paz, brinca com crianças em um centro para crianças deficientes em Cochabamba, Bolívia (Pablo Aneli/ © AP Images)

São concedidos aos voluntários um local para moradia no país anfitrião e auxílio-manutenção, mais uma pequena ajuda financeira quando voltam após a conclusão de seus projetos de dois anos. Eles têm à disposição transporte e assistência médica enquanto estiverem no Corpo da Paz.

Embora não compense sob o ponto de vista monetário, o voluntariado no Corpo da Paz é profundamente gratificante, disse Tschetter. Os voluntários em geral descrevem o trabalho como “um acontecimento que mudou sua vida”.

“Eles transmitem conhecimentos específicos à população local, compartilham valores americanos com outras pessoas no mundo todo e, por viverem entre as pessoas às quais servem, tornam-se parte da infra-estrutura local”, informou.

Muitos voluntários ampliam o período de voluntariado para um terceiro ano e, às vezes, voltam ao Corpo da Paz após décadas de ausência, afirmou Tschetter.

Segundo essa autoridade, muitas vezes os voluntários contam que se sentem inteiramente em casa e seguros nas comunidades anfitriãs. Ele citou o seguinte caso: “Uma jovem, voluntária em um país de população predominantemente muçulmana, disse que poderia ficar fora de seu apartamento na Califórnia por dois meses e ninguém daria por sua falta, mas caso se ausentasse por duas horas de sua aldeia adotiva, as pessoas bateriam na porta, perguntando se estava bem.”

Tschetter disse a um repórter de Camarões que há cerca de 140 voluntários atualmente em seu país. Em Camarões, os programas ambientais do Corpo da Paz são importantes devido ao desmatamento e à falta de água potável, afirmou Tschetter. “Esses programas transformaram as aldeias locais.”

O Corpo da Paz está fazendo a diferença em todos os outros lugares da África, continuou ele, citando uma campanha de saúde em andamento em Botsuana que está ajudando o país a realizar “grandes progressos no combate ao HIV/Aids”.

A agência adaptou-se a um mundo em constante mutação, declarou. “A maior mudança é a tecnologia. Seu impacto foi sentido mesmo nas pequenas aldeias da Índia e da África. Atualmente quase todos os nossos voluntários têm telefones celulares para facilitar o trabalho e se manter em contato com suas famílias.”

Contudo essas mudanças não alteram a missão fundamental do Corpo da Paz “e, até onde posso prever, nosso trabalho com as camadas mais populares sempre será necessário”, disse ele.

Segundo Tschetter, a Ucrânia agora tem o maior contingente de voluntários, entre 375 e 400, mas, “com toda a probabilidade, diminuiremos essa quantidade à medida que o país se desenvolver”.

O Corpo da Paz precisou deixar a Etiópia devido à instabilidade política, mas foi “recentemente convidado a retornar, e assim o faremos em 2007”, informou. “Estabeleceremos um programa exclusivo contra o HIV/Aids lá e, no futuro, poderemos ampliá-lo para outras regiões. Esperamos ansiosamente servir mais uma vez ao povo da Etiópia.”

Os americanos estão cada vez mais conscientes da necessidade de maior envolvimento com o mundo lá fora, disse Tschetter, e o Corpo da Paz vem atraindo mais e mais voluntários. Após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 contra Nova York e Washington, “o número de candidatos cresceu e tem se mantido em alta”, afirmou.

Tschetter enfatizou que o Corpo da Paz está presente apenas em países que o convidam e que a agência não faz parte do aparato da política externa dos EUA.

“Não nos reportamos ao Departamento de Estado dos EUA; fazemos isso diretamente à Casa Branca”, declarou. “Para nós é importante apresentar a verdadeira face dos Estados Unidos aos países em que trabalhamos.”

— Lauren Monsen faz parte da equipe de redação do Bureau de Programas de Informações Internacionais. Este artigo apareceu originalmente em usinfo.state.gov.

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