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Alpinista Americano Constrói Escolas no Paquistão e no AfeganistãoAfzal Khan
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Um alpinista Americano cuja vida foi salva por habitantes de uma aldeia nas Montanhas Karakoram, no Paquistão, durante uma tentativa frustrada de escalar o segundo pico mais alto do mundo, retribui construindo escolas no norte do Paquistão e no nordeste do Afeganistão. Greg Mortenson estava perdido e faminto na geleira Baltoro, em 1993, após uma tentativa fracassada de alcançar o cume de 8.611 metros de altura do Monte Godwin-Austen, ou K2, a segunda montanha mais alta do mundo. Mortenson foi encontrado por habitantes da aldeia de Korphe, que cuidaram dele até que recuperasse a saúde. Nessa escalada ao cume, a equipe de 12 alpinistas perdeu cinco membros durante a descida. Dois alpinistas conseguiram alcançar o topo. Mortenson teve de voltar quando estava a 600 metros do pico. Devido à sua conformação íngreme, o Monte Godwin-Austen é mais difícil de escalar do que o Monte Everest, o pico mais alto do mundo. Enquanto se recuperava em Korphe, Mortenson notou que a aldeia não tinha escola e as crianças faziam suas lições escrevendo na areia com gravetos no topo de uma montanha. O professor dividia seu tempo entre Korphe e uma aldeia vizinha, porque os moradores de Korphe sozinhos não podiam arcar com o seu salário, o equivalente a um dólar por dia. Após recuperar a saúde, Mortenson disse ao chefe da aldeia que retornaria à Korphe um dia para construir uma escola para as crianças. Ele cumpriu sua promessa em 1996 e seguiu construindo mais 54 escolas no norte do Paquistão e no nordeste do Afeganistão, que empregam 527 professores e possuem mais de 22 mil alunos. Após o forte terremoto que atingiu a região da Caxemira em outubro de 2005, Mortenson ajudou a construir mais de 30 tendas-escola. As 55 escolas que Mortenson já havia construído não foram atingidas pelo tremor. A história de montanhismo de Mortenson, de como chegou perto da morte e de sua filantropia educacional é contada em seu livro A Terceira Xícara de Chá, que entrou na lista dos mais vendidos nos Estados Unidos. Mortenson, que foi enfermeiro do exército dos EUA e serviu na Alemanha, é filho de missionários cristãos que trabalharam na Tanzânia. A primeira contribuição para a escola de Korphe, de US$ 100, foi feita pelo âncora Tom Brokaw que, como Mortenson, estudou na Universidade de Dakota do Sul e jogou no mesmo time de futebol americano que Mortenson. A segunda doação foi feita por alunos de uma escola de ensino fundamental de Wisconsin, onde a mãe de Mortenson era diretora. Eles contribuíram com US$ 623,45 para a iniciativa ”Doações para o Paquistão”. A primeira doação significativa foi feita pelo cientista filantropo suíço-americano Jean Hoerni, que contribuiu com US$ 12 mil. Hoerni, que desempenhou um papel pioneiro nos primórdios da tecnologia da informação e foi um ávido alpinista nas cordilheiras himalaias e de Karakoram, legou mais tarde US$ 1 milhão a uma organização sem fins lucrativos, o Instituto da Ásia Central, por ocasião da sua morte em 1997. Hoerni fundou o instituto e Mortenson o dirige atualmente.
Uma matéria de capa da revista Parade sobre o trabalho educacional de Mortenson ajudou a levantar mais de US$ 1 milhão entre seus leitores para o Instituto da Ásia Central. Esses recursos mantiveram os projetos escolares a pleno vapor, e o instituto contratou pessoal da região. Mortenson tornou-se um herói no Baltistão, cujos habitantes o chamam de “doutor”, por usar com freqüência seus conhecimentos de enfermagem para cuidar dos doentes. Após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, as mulheres da aldeia entregaram-lhe preciosos punhados de ovos, pedindo que os levasse para suas irmãs na “aldeia” de Nova York. Apesar de seus esforços na construção de escolas, Mortenson não conquistou a simpatia de todos. Em uma ocasião, um clérigo xiita de uma aldeia do Baltistão emitiu uma fatwa, ou decreto religioso, dizendo que Mortenson era infiel e inadequado para ensinar as crianças – em especial as meninas. No entanto, um clérigo xiita de grau superior, de outro vilarejo, interveio mandando a fatwa para uma revisão final em Qom, centro xiita de peregrinação e estudos teológicos no Irã. Alguns meses depois, a resposta veio em uma caixa de veludo vermelha. Quando um conselho de clérigos xiitas do Baltistão abriu a caixa, o rolo de pergaminho proclamava que Qom não via nada de errado em Mortenson ensinar as crianças – inclusive as meninas. A proclamação dizia ainda que a educação para meninos e meninas é estimulada no Islamismo e que o Alcorão não proíbe um não-muçulmano de prestar assistência tão nobre. Desde então, Mortenson disse que se sente inteiramente seguro e acolhido na região. Ele se eventurou a ir mais adiante, no remoto corredor de Wakhan da província de Badakhshan, no nordeste do Afeganistão, onde construiu oito escolas. Embora advertido pela Embaixada dos EUA de que era arriscado viajar por aquelas regiões após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, Mortenson tem visitado com regularidade a área, vindo da sede do Instituto da Ásia Central em Bozeman, Montana. Até sua esposa e sua pequena filha certa vez o acompanharam a Korphe, onde foram tratadas como “rainha” e “princesa” pelas mulheres do vilarejo. Mortenson atualmente viaja pelos Estados Unidos divulgando o livro A Terceira Xícara de Chá. O título surgiu de uma conversa que teve com um chefe de aldeia anos atrás. “A primeira vez que você toma chá [chá verde com sal e manteiga de iaque] com um baltitanês, você é um estrangeiro. A segunda vez, você é um convidado de honra. A terceira vez que você compartilha uma xícara de chá, torna-se parte da família”, diz Mortenson lembrando-se do aldeão. - Afzal Khan é correspondente especial para o Bureau de Programas de Informações Internacionais. Este artigo foi publicado originalmente no site usinfo.state.gov. | |||||