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O maior segredo da inovação é que ela pode ser feita por qualquer pessoa. A razão é simples: não é assim tão difícil. Procure a palavra “inovar” em qualquer dicionário e veja o que realmente significa, em vez do que você acha que significa. Você encontrará algo mais ou menos assim: inovar é “introduzir algo novo”. É isso. Não diz que você precisa ser um gênio criativo, um workaholic nem usar roupas íntimas limpas. São apenas três pequenas palavras: introduzir algo novo. E prometo que ao final deste ensaio você saberá quais são os segredos necessários para você inovar. A palavra-chave na definição é “novo”. A armadilha comum em relação a novidade é a suposição de que novo significa algo que o universo nunca viu antes. Isso é a terceira suposição mais ridícula na história da humanidade (você terá de descobrir quais são as outras duas). Aqui está a prova: cite qualquer grande inovador, e eu lhe garanto que ele emprestou e reutilizou idéias do passado para fazer seja lá o que for que o deixou famoso. Os irmãos Wright — os inventores do vôo motorizado nos Estados Unidos — passaram horas observando os pássaros. Por mais chato que pareça, temos de agradecer à observação de pássaros pelos aviões a jato supersônicos que temos hoje. O desenvolvimento feito por Picasso do Cubismo, um dos grandes movimentos artísticos dos últimos dois séculos, foi altamente influenciado pelo fato de ele ter ficado exposto à pintura africana e também ao trabalho de um pintor francês mais velho, Cézanne. E Thomas Edison não criou o conceito da luz elétrica: você teria de conversar com os milhares de pessoas que morreram antes de Edison nascer e que transformaram madeira, cera, petróleo e outros combustíveis em fontes de luz controláveis e portáteis (sem mencionar Joseph Swan, que patenteou a lâmpada elétrica antes de Edison). Mesmo no mundo de alta tecnologia de hoje podemos encontrar facilmente ligações entre o que chamamos de “novo” e as idéias do passado. A Rede Mundial de Computadores (World Wide Web) e a internet receberam seus nomes de coisas de milhares de anos. As primeiras teias (webs) foram feitas por aranhas, e as primeiras redes (nets) foram usadas para pescar peixe por povos indígenas ao redor do mundo, milhares de anos antes do primeiro computador. O Google, a maravilhosa ferramenta de pesquisa, é quase sempre chamada de mecanismo de pesquisa (search engine), em referência aos conceitos de mecânica física e não aos bits digitais. Todos esses exemplos provam que o truque para inovar é ampliar nossa perspectiva sobre o que se qualifica como novo. Desde que a sua idéia, ou o uso de uma idéia existente, seja nova para a pessoa para quem você está criando, ou aplique um conceito existente de uma maneira nova, você se qualifica como inovador do ponto de vista dessa pessoa, e é isso o que importa. Mesmo com essas definições melhoradas, é preciso mais para fazer a inovação acontecer. O conjunto de ferramentas de qualquer inovador normalmente inclui três coisas: perguntas, experimentos e auto-suficiência. Faça perguntas. A maneira mais fácil de começar é com as coisas que você faz no dia-a-dia. Simplesmente pergunte: quem mais faz isso e como faz, e de que maneira se diferenciam por fazer isso? Se você só conhece uma maneira de fazer uma coisa, você está sendo muito presunçoso. Você está apostando que das infinitas maneiras que existem para fazê-la, a única que você sabe é a melhor. Eu sou um jogador, mas eu não faria essa aposta, pois as probabilidades, contra o infinito, poderiam me deixar em situação constrangedora. Mesmo coisas simples como lavar pratos ou fazer laço no sapato têm dezenas ou centenas de maneiras alternativas em uso pelas diferentes pessoas mundo afora. Todos esses métodos são possíveis inovações para você e para todo mundo que você conhece. O problema é que as pessoas têm de sair do modo como fazem as coisas para encontrar alternativas e trazê-las para si. Não sabe como começar? Comece com mais perguntas. Perguntas úteis para os inovadores incluem:
Muitos grandes inovadores fizeram melhores perguntas do que outras pessoas, e isso explica em parte por que foram bem-sucedidos. Não foi gênio, seja lá o que isso signifique, nem exercícios cerebrais especiais e ultra secretos que fizeram todas as manhãs, tampouco quanto dinheiro tinham. Foi por meio da busca dedicada de respostas a perguntas simples que descobriram idéias já existentes no mundo e que podem ser usadas. Isaac Newton perguntou-se como a força da gravidade poderia afetar maçãs e também a lua. E, ao formular a pergunta dessa maneira, fez observações e desenvolveu conceitos matemáticos relacionados com a gravidade, algo que ninguém antes havia feito de modo tão satisfatório. Muitas das invenções de Leonardo da Vinci começaram com ele fazendo a seguinte pergunta: como a água corre? Foram seus muitos estudos de rios, correntes e o modo como a água se movia que o conduziram às suas invenções para rodas hidráulicas, modos de movimentar a água em aquedutos e canais e bombas para poços. Sem fazer perguntas e olhar ao redor, mesmo em relação às coisas óbvias do dia-a-dia como água e gravidade, os talentos criativos de Newton e da Vinci nunca teriam tido chance de vir à tona. Experimente. Fazer perguntas é uma coisa, mas tentar respondê-las é outra. Não há nada que possa substituir a experiência prática no processo de criação. Os aspectos únicos de quem você é, inclusive qualidades que você possa não gostar em você, são um bem quando se trata de pensamento criativo. Ninguém pode ver o mundo exatamente do modo como você o vê. Isso significa que se você mesmo puder experimentar, observar ou fazer algo, você pode aprender lições e observar coisas que outras pessoas não aprenderam ou observaram. Essas observações são as sementes da inovação: se você conseguir visualizar uma idéia ou ferramenta antigas de um modo que ninguém mais na sua família, empresa ou cidade fez antes, e se você investir nisso, uma inovação pode ser sua. Lembre-se que o conhecimento que temos hoje sobre o universo não veio de livros mágicos que estavam nos aguardando desde o início dos tempos. Ele veio de pessoas curiosas que não apenas fizeram perguntas, mas deixaram que suas indagações as levassem a lugares que outros não estavam dispostos a ir. Francis Crick e James Watson, os descobridores do DNA, seguiram suas suspeitas e levantaram suposições para responder suas perguntas, passando horas em laboratórios fazendo coisas que seus professores consideravam não apenas não científicas como uma enorme perda de tempo. Mesmo Sócrates, o maior filósofo do mundo ocidental, era contra a idéia de escrever coisas em livros. Se seu pupilo Platão não tivesse observado a inovação conhecida como redação, e escrito a história de Sócrates, nós nem conheceríamos seus nomes, muito menos o método socrático de aprendizagem que é a base de ensinamento de muitas universidades nos dias de hoje. O progresso depende de as pessoas pensarem de modo independente e seguirem sua curiosidade o máximo que puderem, inclusive fazendo coisas que outros ao seu redor recusam-se a tentar. Tente, aprenda e tente de novo. O último passo é não esperar o sucesso na primeira tentativa. Se você estiver fazendo alguma coisa nova para você e para seus amigos, é difícil prever qual será o resultado. E quanto maior a inovação, maior o risco — e o trabalho: fazer biscoitos inovadores é uma coisa, mas mudar o modo como as pessoas pensam ou trabalham é outra. Uma vez que para satisfazer a sua curiosidade podem ser necessárias muitas horas de trabalho, o que importa é como responder ao fracasso. Você consegue encontrar coragem para responder não com constrangimento ou arrependimento, mas com mais perguntas: por que isso não deu certo? O que posso aprender agora? O que farei diferente na próxima vez? Se você puder, como fez a maioria dos grandes inventores e criadores no decorrer da história, você estará no caminho certo.
Scott Berkun é autor do bestseller Mitos da Inovação (Alta Books, 2007). Ele escreve sobre pensamento criativo e inovação em http://www.scottberkun.com. As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA. | |||
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