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O aspecto e o formato básicos das casas e edificações comerciais americanas não mudaram muito ao longo do tempo. Atualmente, no entanto, os desafios energéticos e ambientais estão estimulando o uso de novos materiais de construção, novas maneiras de projetar edifícios e um novo respeito pela natureza.
Materiais multifuncionais Os materiais de construção podem ter outras funções além de apenas sustentar e embelezar as construções. Como seus usuários humanos, esses materiais são multifuncionais. Ainda longe de ser comercializado, o SmartWrap é projetado como um material de construção que pode fornecer não apenas abrigo, mas também controle do clima, iluminação e energia. Esse material muito fino é feito com o mesmo plástico usado em garrafas de refrigerante e processado em rolos, segundo a empresa de arquitetura que o criou, a KieranTimberlake Associates LLP. A camada de substrato de filme de poliéster é forte o suficiente para proteger do vento e da chuva — podendo, segundo consta, suportar um furacão de categoria 3. Para controlar o clima, uma camada de filme é integrada a microcápsulas de materiais inversores, que absorvem o calor em temperaturas mais altas e liberam calor em temperaturas mais baixas. Para iluminação, o SmartWrap usa tecnologia de diodo orgânico emissor de luz — moléculas orgânicas depositadas dentro do filme plástico que emite luz quando uma corrente elétrica é aplicada. A energia vem da luz do sol, absorvida por células orgânicas fotovoltaicas integradas ao filme e convertidas em energia. Algum dia, as lâmpadas poderão se tornar história. Lâmpadas incandescentes, do tipo inventado por Thomas Edison, convertem apenas 5% de energia em luz e liberam o resto em forma de calor. As lâmpadas fluorescentes talvez sejam quatro vezes mais eficientes, mas alternativas melhores estão a caminho. Diodos emissores de luz em forma de chip já estão sendo usados em lanternas de bolso e lanternas traseiras de automóveis, que utilizam uma fração da energia que as lâmpadas consomem. O Centro de Pesquisa em Iluminação do Instituto Politécnico Rensselaer, em Nova York, colocou uma rede de fios de baixa voltagem nas paredes e teto de algumas salas de testes. Painéis de LED embutidos em azulejos podem conectar-se com a rede elétrica em qualquer lugar da superfície. Um sistema controlado por computador pode ligar e desligar cada painel e ajustar sua luminosidade e cor. A empresa Kennedy and Violich Architecture, de Boston, está mais adiantada. Seus projetistas estão trabalhando com fios integrados com LEDS que podem ser tecidos em coberturas de paredes ou de mobílias. Biomimética Como a Mãe Natureza projetaria um edifício? Durante 4 bilhões de anos de evolução, surgiram alguns organismos com desenhos engenhosos. Os arquitetos estão voltando os olhos para a natureza a fim de obter idéias para construção de sustentabilidade. Talvez os mais famosos entre os edifícios biologicamente informados sejam as instalações do shopping center e edifício de escritórios Eastgate em Harare, no Zimbábue. O projeto foi inspirado nos cupinzeiros africanos, nos quais os cupins mantêm uma temperatura constante de 30,55o C graus (para preservar um fungo que cultivam para comer) abrindo e fechando condutos que ventilam ar quente. O edifício de concreto Eastgate não tem sistema de ar condicionado. Durante a noite, grandes ventiladores captam o ar fresco de fora através de espaços entre os andares do edifício. De dia, ventiladores menores captam o ar mais quente de fora através dos mesmos espaços, onde o concreto fresco modera a temperatura. Enquanto aquece, o ar sobe por meio de 48 chaminés redondas de tijolo e sai pelo teto. O ar fresco circula pelo prédio duas vezes por hora durante o dia. O edifício supostamente usa apenas 10% da energia que um edifício convencional do mesmo porte usaria. E os materiais de construção inspirados na natureza? Os arquitetos e engenheiros estão analisando a quase indestrutível concha de molusco. Uma concha cresce ao incorporar fragmentos de carbonato de cálcio em folhas e camadas. A concha adiciona cada novo fragmento em um ângulo certo ao fragmento acabado Nessa construção, uma rachadura se move com dificuldade, a força de qualquer sopro dissipa folha a folha e camada a camada. Para adaptação a temperaturas instáveis, analise a pinha flexível. Bem fechadas no frio, as pinhas abrem suas escamas para liberar as sementes quando a temperatura esquenta. Pesquisadores estão buscando materiais que mudam de formato dependendo do nível de umidade no ar, abrindo-se para expelir o ar quente úmido para fora e fechando-se para evitar que o ar morno úmido entre. Projeto de arquitetura aberta Atualmente, nem todas as boas idéias de projetos de construção têm de vir de um só arquiteto ou escritório de arquitetura. Desde fevereiro de 2007, a organização beneficente Arquitetura para a Humanidade tem deixado que qualquer pessoa compartilhe idéias de projeto on-line na Rede de Arquitetura Aberta, com o objetivo de amenizar as crises humanitárias após desastres e ajudar as comunidades pobres de todos os países, tanto em desenvolvimento como desenvolvidos.
Funciona da seguinte forma: projetistas, líderes comunitários, autoridades de governo e qualquer pessoa com idéias para a construção sustentável compartilham essas idéias on-line. Ou podem analisar idéias postadas por outras pessoas. A Arquitetura para a Humanidade já produziu alguns bons trabalhos antes de lançar a Rede de Arquitetura Aberta, ajudando a projetar construções resistentes a terremotos na Turquia e habitações para refugiados no Afeganistão. O grupo também ajudou a reconstrução em lugares dizimados por catástrofes — partes da Índia e do Sri Lanka após o tsunami de 2004 e locais na Costa do Golfo dos EUA arrasados pelo furacão Katrina em 2005. Frustrados durante alguns desses primeiros projetos pela incapacidade em compartilhar conhecimento e experiência, os fundadores da Arquitetura para a Humanidade surgiram com a idéia do site de código aberto on-line. E em setembro último foram além. A Rede de Arquitetura Aberta lançou o Desafio da Arquitetura Aberta, com o objetivo abrangente de obter acesso à internet para metade da população mundial até 2015. A meta imediata do desafio faz um convite à apresentação de planos tendo como foco as necessidades de internet de três comunidades. A primeira é uma cooperativa de produtores de chocolate indígenas; a segunda um grupo de jovens em uma favela no Quênia; e a terceira são famílias em uma área rural remota do Nepal que carece de assistência médica. O projeto vencedor será executado para uma dessas três comunidades. Segundo declaração do diretor executivo da Arquitetura para a Humanidade, Cameron Sinclair, em comunicado à imprensa, “ao implementar o projeto vencedor (ou projetos), não estaremos apenas escolhendo um vencedor mas, também, por meio do acesso à tecnologia, ajudando as pessoas de comunidades desfavorecidas a viver e crescer”.
Telhados verdes Na verdade, os telhados verdes não são novidade. Plantações no topo de edificações são no mínimo tão antigas quanto os Jardins Suspensos da Babilônia. Nas últimas décadas, telhados verdes, que são coberturas vegetais de telhados nos quais as plantas substituem materiais como telhas ou coberturas, tornaram-se comuns em alguns lugares da Europa mas, para a maior parte do mundo, eles são um novo componente da paisagem. Um uso maior de telhados verdes poderia diminuir alguns problemas das cidades modernas. Eles reduzem o escoamento da água de temporais. Filtram a poluição da água da chuva. Telhados verdes reduzem o uso de energia. Edificações com telhados verdes exigem menos aquecimento no inverno e menos refrigeração no verão do que as construções com telhados convencionais. Em grandes números, têm potencial para reduzir o efeito ilha de calor urbana de cidades inteiras. Algumas cidades americanas estão estimulando o uso de telhados verdes como uma questão de política pública. A prefeitura de Chicago tem um. A Sociedade Americana de Arquitetos Paisagistas (Asla) ao reformar sua sede em Washington, D.C., colocou um telhado verde; o grupo afirma que de julho de 2006 a maio de 2007, “o telhado verde evitou que 104 mil litros de água da chuva — quase 75% de toda a precipitação no telhado — escoassem para o sobrecarregado sistema de esgoto e água de chuva da cidade. O telhado verde da Asla baixou a temperatura do ar em até 1oC no verão quando comparado com um telhado alcatroado vizinho. Telhados verdes exigem estrutura de apoio forte para suportar a carga pesada de uma tempestade. Eles usam camadas de um emaranhado de membranas à prova d’água e barreiras de raízes para evitar vazamentos. Eles têm profundidades diferentes. O meio de cultivo de telhados verdes rasos tem apenas algumas polegadas de uma combinação de ardósia ou argila tipicamente expansíveis misturadas com um pouco de composto; seus vegetais são alpinos, como ervas-pinheiras. Telhados verdes mais profundos têm uma camada de solo mais funda e sistemas de irrigação para cultivar gramas, arbustos e até árvores.
Bruce Odessey é membro da equipe de redação do Escritório de Programas de Informações Internacionais do Departamento de Estado dos EUA. Reside em Maryland e possui um telhado verde. As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA. | ||||||
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