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Ao falar sobre sua idéia de usar ouro para limpar resíduos tóxicos, Michael Wong diz: “Reconheço que parece loucura.” Wong pretende combinar ouro com paládio — metal ainda mais precioso — para tratar água subterrânea poluída embaixo de lixões, fábricas contaminadas e áreas militares. “Isso não só age mais rápido [que os métodos atuais], mas cem vezes mais rápido”, diz Wong, “e aposto que será também mais barato”. Um detergente de ouro? Eis aqui o truque de Wong: ele cria nanopartículas de ouro. Em seu campo de trabalho, o produto não é medido em quilates, mas em átomos. Um dedal de solução cor de café contém 100 trilhões de esferas de ouro — cada uma da largura de 15 átomos ou da largura aproximada de um vírus. Sobre cada nanosfera de ouro, Wong e sua equipe polvilham uma pequena quantidade de átomos de paládio. Imaginem um sorvete de casquinha infinitamente pequeno salpicado de confeitos. Pós-graduado do Instituto de Tecnologia da Califórnia e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, Wong, 35 anos, não tinha dado muita atenção aos resíduos tóxicos até três anos atrás, quando um de seus colegas da Universidade Rice (onde ele é professor de engenharia química contratado recentemente) aproximou-se dele e disse: “Tenho um problema”, o que significava algum trabalho interessante a desenvolver. O problema dizia respeito ao tricloroeteno, ou TCE, suspeito de ser carcinógeno, “um dos poluentes mais onipresentes de todos”, afirma Wong, e “uma molécula realmente perigosa”. O solvente claro e de cheiro adocicado é usado há décadas para desengraxar peças metálicas em fábricas e instalações governamentais. O TCE não sai, como um hóspede inconveniente, especialmente se manuseado sem cuidado. Ele se acumula no solo e pode permanecer por anos nas águas subterrâneas. Em relatório emitido no ano passado, o Conselho Nacional de Pesquisa descobriu que o TCE é uma possível causa de câncer nos rins; também está associado a problemas do fígado, doenças auto-imunes e deficiência na função neurológica. Atualmente, o método mais com um de remover o TCE da água subterrânea é “bombear e tratar”, declara Wong — bombear a água para fora do solo e fazê-la escoar através de um filtro de carvão ativado. Os grãos de carbono absorvem o TCE como uma esponja, mas o processo deixa filtros carregados de TCE que precisam ser armazenados ou queimados. “Assim, você não se livrou de fato de nada”, afirma Wong. “Apenas mudou de um lugar para outro.” É ai que entra Wong. Ele começou a pensar sobre a utilização de nanoparticulas como agentes catalisadores para reagir com o TCE e decompô-lo no que chama de “sub-produtos felizes”. Pela literatura científica, Wong sabia que o paládio tinha se mostrado um tanto promissor na desconstrução do TCE. Por isso, ele e sua equipe começaram a experimentar várias receitas e depois de seis meses atingiram o momento da descoberta, quando modelaram um núcleo de átomos de ouro revestido de paládio. “No começo não queríamos acreditar, porque as nanopartículas de ouro-paládio eram bem mais eficientes — mais ou menos cem vezes mais eficientes”, declarou. “Veja, o ouro sozinho não age sobre o TCE.” Mas alguma coisa muito interessante acontece na interface de encontro entre o ouro, o paládio e o TCE. O nanodetergente de Wong decompõe o TCE em sais de etano e de cloreto relativamente inócuos. Ele e sua equipe trabalham agora com engenheiros na construção de um reator em tamanho natural para realizar testes de campo de nanopartículas em um local poluído. Eles esperam limpar TCE dentro de um ano, e depois verificarão se conseguem o limpador de baixo custo que procuram. Wong nasceu na cidade de Quebec, em Quebec, e cresceu em Sacramento, na Califórnia. Seu pai era dono de um pequeno centro comercial onde uma empresa de lavagem a seco de um inquilino foi contaminada por um primo químico do TCE. Wong disse que seu pai foi responsabilizado legalmente e multado em dezenas de milhares de dólares. “Por isso meu pai tem verdadeiro interesse no meu trabalho’, afirma Wong. “Ele sempre me diz: ‘Apresse-se, filho!’”
Este artigo foi extraído de “Midas Touch” [Toque de Midas] de William Booth, publicado originalmente na revista SMITHSONIAN, em outubro de 2007. Booth é repórter do Washington Post baseado em Los Angeles. As opiniões expressas nestes comentários não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA. | |||
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