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Dançarina
do Carolina Ballet, de Raleigh, Carolina do Norte,
atua em Messiah, no Hungarian Ballet Festival de 2002
(Marty Sohl / Cortesia: Carolina Ballet)
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Dos
editores
Em seu
livro recente American Visions: The Epic History of Art
in America, o crítico de arte Robert Hughes, nascido
na Austrália, identifica uma das principais experiências
norte-americanas como "reinício, deixando para
trás o que já fomos". Para Hughes, isso
não significa começar tudo de novo, mas, sim,
uma interação complexa com a tradição
anterior. "Em algum lugar dos museus norte-americanos",
escreve Hughes com um toque de humor, "sempre há
uma pequena imagem enterrada do imigrante saindo do barco
com sua bagagem: botas, uma bíblia - ou 27 Rembrandts".
Essa espécie
de reinício é o que os artistas fazem todos
os dias ao produzir arte. Começar da base também
é o que nós, editores, pretendíamos quando
pedimos que alguns dos principais especialistas norte-americanos
em várias formas de arte nos falassem sobre a situação
em suas áreas. O que há de novo, por exemplo,
em dança ou artes visuais? Quais são os artistas
mais importantes trabalhando em teatro e música? Como
as tendências atuais em cinema e literatura se harmonizam
com as tradições históricas?
Uma vez
que quaisquer generalizações sobre artes devem
ser suspeitas em um país que conta com cerca de 1.200
orquestras sinfônicas, 117 companhias de ópera
profissionais, mais de 400 companhias de dança e 425
teatros profissionais sem fins lucrativos, a resposta de cada
especialista a essas questões será parcial,
inevitavelmente. É por isso que incluímos várias
opiniões - críticos que atuam em cada campo,
retratos dos próprios artistas. E, claro, nossos especialistas
às vezes discordam entre si. Uma diversidade de opiniões
parece ser adequada em um país onde não há
Ministério da Cultura nem visão oficial das
melhores formas de arte.
Mas esta
revista também revela determinados temas comuns. Um
é a crescente internacionalização da
arte - o modo como as formas de arte norte-americanas contemporâneas
são enriquecidas constantemente pelo movimento dos
artistas e das idéias em âmbito internacional
e vice-versa. Outro é o que um crítico chama
de "hibridez" - as fronteiras entre as formas de
arte estão caindo à medida que o trabalho de
muitos artistas envolve várias disciplinas. As danças
de Mark Morris ou Bill T. Jones por vezes incorporam palavras
faladas; o artista visual Matthew Barney faz filmes épicos
com o jeito dos filmes de Hollywood. Outra tendência
fundamental da forma atual de criação dos trabalhos
é o intricado intercâmbio de experiências
entre os centros tradicionais de criatividade das regiões
costeiras dos Estados Unidos e as regiões menos populosas
do país. Em seu ensaio geral, o crítico Terry
Teachout sustenta que alguns dos novos trabalhos mais instigantes
da Ópera da Cidade de Nova York têm origem na
Glimmerglass Opera, uma pequena companhia em uma cidadezinha
situada ao norte do Estado de Nova York.
O que
produz o fermento criativo atual documentado por esta revista?
Em nossa entrevista de abertura, Dana Gioia, poeta e presidente
do Fundo Nacional para as Artes (National Endowment for the
Arts), identifica uma fonte provável: "Os Estados
Unidos têm essa história da arte diversamente
notável, essa amplitude inédita de realizações
- que vai do cinema à literatura moderna, passando
pelo expressionismo abstrato e pelo jazz - porque eram e continuam
sendo uma sociedade que reconhece a liberdade individual de
seus cidadãos". |