Animar os Outros:
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Desde a criação de bibliotecas públicas coloniais e de corpos de bombeiros voluntários, os americanos há muito demonstram entusiasmo em construir instituições públicas e ajudar seus concidadãos doando tempo, trabalho e dinheiro. Os governos federal, estaduais e locais valorizam muito esses esforços e cada vez mais incentivam os americanos a continuar e ampliar seu voluntariado. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Departamento de Agricultura dos EUA conclamou os americanos a minorar a escassez de alimentos plantando suas próprias hortas e pomares. Quase 20 milhões responderam, e em 1943 essas “hortas e pomares da vitória” (“Victory Gardens”) produziam quase 40% das hortaliças cultivadas nos Estados Unidos. Cultivando quintais particulares, coberturas urbanas e terrenos doados pelo setor privado, esses agricultores voluntários fizeram sua parte no esforço de guerra. Depois, durante a Guerra Fria, os líderes nacionais passaram a ver a abundância de talento, energia e espírito altruísta dos americanos como uma maneira valiosa e tangível de ganhar o respeito de outros povos. Organizados e apoiados de maneira apropriada, esses esforços poderiam ajudar os cidadãos das novas nações emergentes, minorando a pobreza e impulsionando o desenvolvimento econômico. Também poderiam melhorar a sociedade americana e ajudar a torná-la um modelo para os outros.
Voluntariado financiado pelo governo Como é esperado em uma sociedade diversa, os líderes americanos adotaram várias abordagens para estimular atividades de voluntariado de seus concidadãos. Uma delas foi utilizar verbas e recursos do governo em programas específicos de voluntariado. O Corpo da Paz é um exemplo. Em seu discurso de posse em 1961, o presidente John F. Kennedy fez um pedido veemente à prestação de serviço voluntário: “Não pergunte o que seu país pode fazer por você; pergunte o que você pode fazer por seu país.” Esses esforços volunt ários, disse Kennedy, “podem realmente iluminar o mundo”. Ainda naquele ano, o presidente criou o Corpo da Paz, que passou a treinar voluntários em habilidades necessárias à saúde e à educação e em projetos agrícolas e depois a empregá-los de acordo com os pedidos dos governos estrangeiros. Em 1966, cerca de 15 mil americanos estavam servindo em quase 50 países. O presidente George W. Bush prometeu dobrar o tamanho do Corpo da Paz. O sucessor de Kennedy, Lyndon B. Johnson, introduziu várias iniciativas governamentais para estimular e utilizar os esforços voluntários. Entre elas, o programa Voluntários a Serviço dos EUA (Vista), algumas vezes chamado de Corpo da Paz interno, e o Programa de Voluntários Aposentados e Idosos (RSVP), que oferece oportunidades de serviços para voluntários com 55 anos ou mais, variando de construção de casas à vacinação de crianças e proteção do meio ambiente. Hoje, o RSVP e dois outros programas, Avós Adotivos e Companheiro da Terceira Idade, compõem o Senior Corps e oferecem oportunidades para mais de meio milhão de voluntários. O Programa Avós Adotivos põe voluntários da terceira idade em contato com jovens vulneráveis que precisam de orientação e apoio, e no Programa Companheiro da Terceira Idade voluntários ajudam americanos mais velhos com dificuldade em tarefas simples do dia-a-dia como fazer compras e trabalhos domésticos leves. Vários presidentes adotaram essa estratégia. Da agência Action de Richard M. Nixon ao AmeriCorps de Bill Clinton, os líderes utilizaram o governo para canalizar as energias filantrópicas dos americanos para o bem comum. Voluntariado promovido pelo governo Mesmo quando muitos americanos defendiam programas voluntários do governo, muitos outros acreditavam que o papel do governo deveria se limitar a fornecer informações para organizações privadas e voluntários, para a identificação de necessidades comuns. Os americanos com espírito público, argumentavam, se organizariam a si próprios. Em 1981, o presidente Ronald Reagan criou o Escritório da Casa Branca de Iniciativas do Setor Privado e trabalhou para estimular empresas e o setor privado a organizar oportunidades de voluntariado. Em seu discurso de 1991 sobre o Estado da União, o sucessor de Reagan, George H.W. Bush, disse em uma frase memorável: “Podemos encontrar significado e recompensa buscando um propósito mais alto do que nós próprios — um propósito luminoso, a iluminação de mil pontos de luz.” Hoje, a Fundação Pontos de Luz, organização não-governamental apartidária sem fins lucrativos, oferece oportunidades de voluntariado para os cidadãos. Ela opera um portal nacional de voluntariado na web, o 1-800-vounteer.org, e vários outros programas e serviços para estimular pessoas e empresas dos mais diversos tipos a trabalhar voluntariamente, ajudando suas comunidades e seus concidadãos. Em seu discurso de janeiro de 2002 sobre o Estado da União, o presidente George W. Bush conclamou todos os americanos a dedicar pelo menos dois anos — o equivalente a 4 mil horas — a serviços para suas comunidades, seu país e o mundo. O USA Freedom Corps de Bush trabalha para fortalecer o setor sem fins lucrativos, identificar voluntários e ajudar a unir pessoas a oportunidades de voluntariado. Seja trabalhando em um programa governamental, seja em uma organização do setor privado, os americanos apresentam a mesma ética de trabalho árduo e espírito dedicado em suas tarefas voluntárias. Vemos esse espírito nas palavras da voluntária do Senior Corps Pernicie Welch, de Mendenhall, Mississippi:
Embora os líderes americanos tenham visões diferentes de como o governo deve estimular as iniciativas individuais, todos aprovam o voluntariado como uma glória da vida americana. Ninguém discordaria das palavras de Ronald Reagan, que em 1986 chamou o trabalho voluntário de “um aspecto do caráter americano fundamental ao nosso modo de vida, tanto quanto nossa liberdade de expressão, reunião e culto”. Iniciativas estaduais e locais Apesar de essas iniciativas federais fornecerem muitas oportunidades, o voluntariado continua sendo um fenômeno predominantemente estadual e local. Alguns americanos viajam o mundo para ajudar os necessitados, mas a maioria concentra seus esforços na família, nos amigos e na comunidade local. Assim, os governos estaduais e locais elaboraram várias iniciativas para ajudar esses americanos generosos a encontrar espaços apropriados à sua generosidade. O estado da Virgínia Ocidental, por exemplo, criou uma Comissão de Serviço Nacional e Comunitário. Essa comissão estimula cidadãos desse estado a tornar “a vida ao redor deles mais rica e melhor por meio de doações de tempo e esforços”. Oferece treinamento, programa de colocação de voluntários em organizações e outros serviços. Na Califórnia, uma rede de 28 centros de voluntariado encaminha mais de 650 mil voluntários todos os anos para aproximadamente 40 mil organizações comunitárias. As municipalidades locais procuram avidamente ajuda voluntária, e muitos cidadãos cooperam com boa-vontade — para desenvolver habilidades valiosas, conhecer novos amigos ou apenas ajudar. A cidade de Loveland, Colorado (58 mil habitantes) entrevista potenciais voluntários sobre suas metas, habilidades de trabalho e experiências de voluntariado. Os voluntários são colocados no Departamento de Parques e Recreação, na Biblioteca, no Corpo de Bombeiros Voluntários e em outras áreas do governo da cidade. O “Esquadrão da Neve”, por exemplo, remove neve das entradas das casas de moradores idosos e deficientes. É possível citar tantos exemplos quantas são as comunidades americanas. O impulso para ajudar continua parte vital da vida dos americanos. Eles aceitam como um princípio organizador de sua vida as palavras do educador Booker T. Washington: “Se você quer se animar, anime uma outra pessoa.”
Michael Jay Friedman é da equipe de redação do Escritório de Programas de Informações Internacionais do Departamento de Estado dos EUA.
Para mais informações sobre os esforços do governo no apoio ao envolvimento dos cidadãos, veja Paul C. Light, “The Volunteering Decision: What Prompts It? What Sustains It?” The Brookings Review, vol. 20, no 4 (quarto trimestre de 2002), pp 45-47. Cartazes de domínio público estão disponíveis em http://library.thinkquest.org/15511/museum/garden.htm.
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