Há quem acredite que já não é mais adequado falar sobre diferenças regionais nos Estados Unidos — que todos os americanos foram amalgamados em uma cultura “monolítica” caracterizada por uma forma única de pensar, comer e falar. Certamente é verdade que há poucos lugares nos Estados Unidos onde não se possa comer no McDonald’s, no Burger King ou na Pizza Hut. Praticamente, em qualquer lugar que se viva pode-se fazer compras no Wal-Mart, no The Gap ou no Foot Locker em centros comerciais pouco diferentes um dos outros. Quase todas as pessoas têm acesso aos mesmos programas de TV e aos mesmos filmes e ouvem a mesma música para o mercado de massa. Mas isso significa que diferenças regionais são mais mito do que realidade? A meu ver, não. Culturas locais persistentes Primeiro, vamos falar sobre comida. Muitos alimentos são padrão no país todo, é verdade. Uma pessoa pode comprar as mesmas marcas de pizza congelada em qualquer lugar dos Estados Unidos. Cereais, doces em barra e muitos outros itens são encontrados em embalagens idênticas, do Alaska até a Flórida. De modo geral, a variedade e a qualidade das frutas frescas e das hortaliças mudam pouco de um estado para outro. Por outro lado, não seria usual servirem hush puppies (um tipo de broa de milho frita) ou grits (quirera de milho cozida preparada de várias maneiras) em Massachusetts ou Illinois, mas seria comum encontrar esse tipo de comida na Geórgia ou em outras partes do Sul. Enquanto coca-cola, pepsi e seven-up estão disponíveis em todos os lugares, é impossível encontrar ginger ale Blenheim fora da Carolina do Sul. A pizza de Chicago (pizza de massa grossa com borda alta) é muito diferente da pizza de Nova York. Já comi carne de crocodilo frita, bem passada, em Nova Orleans, mas nunca encontrei esse prato em nenhum outro lugar do país. Em todos os lugares as pessoas comem comida típica mexicana no Taco Bell, mas a comida do Tex-Mex no Texas é bastante diferente dos outros tipos da chamada comida mexicana. Além disso, muitas regiões têm seu cachorro-quente especial.
Cresci nas colinas ocidentais da Carolina do Sul. Em casa, todas as refeições tinham algum tipo de batata e de pão. Quando terminei a faculdade, meu primeiro emprego foi na região costeira da Carolina do Sul. Eu ficava muito surpreso porque em quase todas as refeições tinha algum tipo de arroz. Também descobri que o arroz era preparado de um jeito totalmente diferente – cozido no vapor, e não só na água. Mais tarde, quando me mudei para a região de Pee Dee no nordeste da Carolina do Sul, ouvi pela primeira vez falar em chicken bog, prato em que pequenos pedaços de frango e pimenta-do-reino levemente moída são cozidos com arroz. Assim, vejam, sem dúvida ainda há diferenças regionais na comida – não só entre as regiões, mas até dentro de um estado pequeno. Outra diferença é o idioma. Embora o inglês americano de modo geral seja padrão, o inglês falado freqüentemente difere segundo a parte do país em que se está. As pessoas do Sul tendem a falar de forma mais lenta, conhecida como “fala arrastada do Sul”. As pessoas do Meio Oeste pronunciam os a’s “breves”, e os dialetos da cidade de Nova York têm várias palavras iídiches por causa da grande população judaica da cidade — palavras como “schlepp” (arrastar ou puxar) ou “nosh” (lanche). Os nativos de Boston ou do Bronx são logo identificados pelo forte sotaque, e certamente você já ouviu falar sobre a “linguagem do Vale”, um tipo de gíria de adolescentes do sul da Califórnia. A influência dos imigrantes também é notória em nomes de lugares e em certas palavras usadas em regiões com forte concentração de determinado grupo étnico. Exemplos disso são: Condado de Lafayette, Wisconsin; Baton Rouge, Louisiana; Wounded Knee, Dakota do Sul; e Santa Cruz, Califórnia. O vocabulário também é diferente de região para região. Certa vez, quando estava na pós-graduação, comentei que um dos “olhos” do meu fogão não estava funcionando direito e meus colegas de outras partes do país não entenderam que eu me referia ao que eles chamam de queimador. A linguagem do Oeste inclui várias palavras de origem espanhola (muitas das quais se espalharam pelo país), e há lugares do Meio Oeste e da Pensilvânia onde muitas palavras alemãs ainda são usadas. Quem assistiu ao filme A Testemunha, de 1985, viu um exemplo disso. Diferenças regionais também se fazem conhecidas de formas menos palpáveis, por meio de posturas e pontos de vista. Um exemplo é a atenção dada pelos jornais aos eventos do exterior. No Leste, onde as pessoas observam o que se passa olhando para além do Oceano Atlântico, alguns jornais tendem a mostrar mais preocupação com o que acontece na Europa, no Oriente Médio e na África. Na costa oeste, o foco é freqüentemente voltado para eventos do Leste Asiático e da Austrália. Os americanos compartilham muitas características, entre as quais a convicção da importância de privacidade, individualismo e independência pessoal. Entretanto, muitos americanos também se sentem imbuídos de determinadas peculiaridades relacionadas com suas regiões, como a autoconfiança da Nova Inglaterra, a hospitalidade do Sul, a integridade do Meio Oeste e a delicadeza do Oeste. As seções a seguir discorrem sobre algumas das características geográficas e das influências históricas, como os modelos de colonização, que contribuíram para essas diferenças regionais. Entretanto, antes de se concentrar nas regiões dos Estados Unidos, é importante ter noção de alguns aspectos do país como um todo. Os Estados Unidos são o terceiro maior país em extensão de terra, atrás de Rússia e Canadá. Em população, são o terceiro mais populoso – neste caso atrás de China e Índia. Para se ter uma idéia da extensão do país, leva-se aproximadamente cinco dias para atravessar os Estados Unidos continental. Isso sem contar o Hawai e o Alaska, que é o maior estado. Regiões
Há muitas formas possíveis de dividir o país em regiões. Neste artigo, usamos um agrupamento básico e tradicional: a Nova Inglaterra, os estados do Meio Atlântico, o Sul, o Meio Oeste e o Oeste. Lembre-se que essas não são denominações oficiais. Elas estão longe de ser absolutas, e as características muitas vezes se misturam de uma região para outra como mostra o mapa. As listas de itens como cidades e figuras literárias não estão de maneira alguma completas e tiveram como objetivo apenas oferecer uma introdução. A relação de recursos da internet, no final da revista, possibilita acesso a informações mais detalhadas. |
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