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A
indústria cinematográfica, desde as pessoas individualmente até os grandes
estúdios, começa a adotar práticas mais favoráveis ao meio ambiente. Robin L. Yeager faz
parte da equipe de redação do Escritório de Programas de Informações
Internacionais do Departamento de Estado dos EUA e é editor da revista Sociedade e Valores.
Shelley Billik da Warner Bros. discute as principais iniciativas ambientais do setor realizadas pelo estúdio (© 2007 Warner Bros. Entertainment Inc. Todos os direitos reservados.) |
Fazer filmes pode ser uma atividade bem desordeira, especialmente sob o ponto de vista ambiental.
“Luz, câmera, ação” normalmente significa que prédios e sets são construídos
para uso temporário, centenas de cópias de roteiros precisam ser imprensas, as
pessoas precisam se alimentar, ter ambientes com aquecimento ou ar refrigerado,
e as cenas de ação muitas vezes exigem explosões e pirotecnia. Luzes exigem
energia elétrica, e todas as pessoas e objetos devem ser transportados por
veículos terrestres, avião ou de outra forma qualquer de um lugar para outro. Até
a tecnologia digital resulta em mudanças ambientais devido à fabricação, à utilização
e ao descarte de equipamentos especializados.
Como uma
das maiores indústrias do sul da Califórnia, a indústria do cinema vem
contribuindo historicamente para os níveis de poluição regional. Mas muitos em
Hollywood comprometem-se a mudar o modo de conduzir os negócios. Os
interessados em ajudar o meio ambiente vão desde diretores e equipes de grandes
estúdios até atores, artistas e pessoal do ramo, individualmente.
A
indústria. Entre os diretores de estúdios que lideram suas companhias em programas
favoráveis ao meio ambiente estão Alan Horn e Ron Meyer, o primeiro, presidente
e diretor operacional da Warner Bros., e o segundo, presidente e diretor
operacional da Universal. A Universal comprometeu-se com uma campanha de 3% de
redução de gases de efeito estufa e tomou várias medidas, como substituir
bondes a diesel em seu parque temático por veículos mais favoráveis ao meio
ambiente. A Warner Bros. dá atenção ao meio ambiente há mais de 14 anos e tem
um executivo responsável pelos assuntos ambientais. Os projetos ambientais da
empresa começaram com a redução do desperdício e a reciclagem e expandiram-se
em um programa abrangente, detalhado em seu site [www.wbenvironmental.com].
Selecione “Eco-Tour” do menu para ver Shelley Billik, vice-presidente de
iniciativas ambientais, contar a história da Warner Bros. Billik mostra ao
visitante do site muitos aspectos da atividade cinematográfica, indicando as
ações desenvolvidas pelo estúdio e defendendo a idéia de que, além de serem benéficas
para a Terra, políticas ambientais podem ser boas para os negócios.
Filmes. O
longa-metragem Syriana – A Indústria do Petróleo, pelo qual George
Clooney ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante, tratava de um tema ambiental.
O documentário vencedor do Oscar Uma Verdade Inconveniente levou a
apresentação do ex-vice-presidente Al Gore sobre aquecimento global a um
público mundial. Os dois filmes estimularam cineastas a produzir um projeto
completo “neutro em carbono”. Neutro em carbono significa que emissões de gases
de efeito estufa geradas pela energia consumida na produção de um projeto são
compensadas pelo plantio de certo número de árvores ou por meio de
investimentos em energia solar ou outras alternativas de energia renovável em
quantidade equivalente à energia utilizada no projeto.
George Clooney foi o produtor de Syriana – A Indústria do Petróleo e ganhou o Oscar de ator coadjuvante por seu papel no mesmo filme, um dos primeiros a ser produzido de modo neutro em carbono (Alastair Grant/© AP Images) |
Indivíduos. Atores e cineastas
levam em consideração o meio ambiente ao escolher papéis e projetos, usam seu
status para chamar a atenção para essa questão e dão suporte financeiro a
causas ambientais. Na lista dos ativistas do meio ambiente estão Robert
Redford, que recebeu inúmeras homenagens por seus esforços e cujo Canal
Sundance da TV a cabo lançou recentemente The Green, um bloco semanal de
programação dedicado a questões ambientais; Leonardo DiCaprio, cujo projeto de
documentário de longa-metragem sobre a situação do meio ambiente global, The
11th Hour, será lançado em 2007, e que trabalhou em um reality show sobre temas verdes e filmes de curta-metragem sobre questões ambientais [ www.leonardodicaprio.org ];
e o misto de escritor e diretor Paul Haggis, que dá respaldo a seus esforços
profissionais mediante o compromisso pessoal com o meio ambiente, inclusive
morando em casa com energia solar e dirigindo veículo híbrido. Outros que se
destacam por seus esforços são Laurie e Larry David, Rob Reiner, Tom Hanks,
Harrison Ford, Norman Lear, Cameron Diaz, Darryl Hannah e muitos outros.
Coerentemente,
durante a cerimônia de entrega do Oscar em fevereiro de 2007, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou que a própria cerimônia era uma
produção verde e indicou o site www.oscar.com para os espectadores
obterem mais informações e links do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais.
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O governo e os filmes
Ao contrário de muitos países em que o governo supervisiona programas culturais,
inclusive o cinema, os Estados Unidos não têm um escritório do governo ou
ministério para regular a indústria cinematográfica. O governo, no entanto, se
comunica com esse setor de várias maneiras.
Produção de filmes
Nos
Estados Unidos, os filmes geralmente vêm de duas fontes: grandes estúdios que todo
ano produzem muitos filmes e programas de televisão e cineastas independentes, incluindo
tanto estudantes quanto cineastas experientes. Às vezes — por meio de doações
de universidades ou de conselhos de artes e de humanidades – cineastas
independentes recebem apoio indireto de recursos originários de governos
locais, estaduais ou federais, mas, com mais freqüência, esses recursos vêm de
investidores privados ou de organizações filantrópicas preocupadas com a
promoção das artes ou a promoção de alguma causa abordada pelo filme.
Esse filme está sendo realizado com a ajuda da Comissão de Cinema do Texas (Donna McWilliam/© AP Images) |
Embora não
haja Ministério do Cinema, há muitos escritórios do governo que interagem com a
indústria cinematográfica. Em âmbito estadual e municipal, os escritórios do
governo dedicados ao cinema estimulam locações cinematográficas locais porque o
uso da população traz emprego e outras vantagens econômicas, promove pontos
turísticos ou mostra a região sob uma luz favorável. Esses escritórios também
ajudam os cineastas a trabalhar com a polícia e outros órgãos para organizar as
filmagens que causam impacto no tráfego, utilizam prédios públicos ou
necessitam consideração especial de qualquer outra maneira.
Da mesma
forma, entidades governamentais, especialmente as divisões das forças armadas,
têm escritórios para ajudar os cineastas a coordenar o uso de instalações,
equipamentos ou até pessoal. Seria difícil, por exemplo, para um cineasta
construir um porta-aviões de “faz-de-conta” ou contratar figurantes para fazer
parte das cenas de fundo de um filme com aparência de soldados, marinheiros,
membros da força aérea ou fuzileiros (cujos cortes de cabelo, nível de condição
física e postura em geral são diferentes dos de atores civis). As forças
armadas estão dispostas a ceder suas instalações, dentro do razoável, para projetos
aprovados, e cada divisão tem um escritório que lida com esses pedidos. Outros
ramos do governo tratam de pedidos para uso de espaços e prédios públicos, como
monumentos ou parques.
Com a intervenção de escritórios especiais das forças armadas, os cineastas podem ter acesso a locais e equipamentos militares, como os usados nessas cenas do filme Pearl Harbor (Jeff Gebhard, Honolulu Advertiser/© AP Images) |
(Tom Stathis/© AP Images) |
Há muitos
anos, o governo dos EUA produziu alguns filmes de longa-metragem e trabalhou em
estreita colaboração com Hollywood para realizar filmes que levantassem o estado
de espírito do público durante a guerra. Contudo, desde a Segunda Guerra
Mundial, esses programas foram eliminados devido a uma combinação de preocupações
orçamentárias e filosóficas. Uma exceção tem sido o trabalho realizado por
escritórios do governo que, por definição, lidam com o público externo, interno
ou estrangeiro. A Agência de Informações dos Estados Unidos, por exemplo,
durante muitos anos, produziu filmes dirigidos a platéias estrangeiras para
complementar seus outros programas educacionais. Um desses filmes, John F.
Kennedy: Years of
Lightning, Day
of Drums, tributo póstumo ao presidente assassinado, até ganhou o
Oscar de 1965 de melhor documentário. Essa agência, agora parte do Departamento
de Estado dos EUA, não produz mais filmes originais.
Censura
Houve
épocas, especialmente durante a Segunda Guerra Mundial, em que a segurança
nacional era um problema e certos tipos de informação eram impedidos de
circular livremente, mas, em geral, o governo tem se mantido distante das
questões de censura. Em um esforço para equilibrar a liberdade de expressão com
o bem-estar e bom gosto do público, normas voluntárias criadas pela indústria
cinematográfica resultaram em um sistema classificatório (G para público em
geral, R para público restrito e várias outras categorias) que o setor — não o
governo — aplica aos filmes, permitindo que espectadores, pais e donos de
cinemas avaliem o conteúdo de um filme sob o ponto de vista sexual, de
violência ou de linguagem obscena.
Distribuição
de filmes
Atualmente,
com poucas exceções, os filmes produzidos nos Estados Unidos são distribuídos
em âmbito interno e em outros países por meio de canais comerciais controlados
pelo mercado. Se um filme não atrair um determinado público, sua temporada no
cinema será encurtada e outro filme tomará seu lugar, com a esperança de ser um
sucesso. Na primeira metade do século 20, houve alguma intervenção do governo
para enviar para o exterior filmes que pudessem servir de vitrine para os
ideais americanos. Essa iniciativa está hoje restrita a um pequeno escritório
no Departamento de Estado que, por exemplo, ajudará embaixadas americanas a ter
acesso a filmes comerciais para exibição para o público local em geral em
colaboração com um patrocinador local, como o Ministério da Cultura ou uma
universidade. Dessa forma, o governo dos EUA apóia esforços para organizar
festivais de cinema e outros programas locais.
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