Sobre Esta Edição – Além dos Campeões de Bilheteria
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O falecido diretor de cinema Richard Brooks disse certa vez: “As imagens vêm primeiro, e com as imagens, como a música, a primeira reação é emocional.” A extraordinária popularidade do cinema obtida com o sistema de Hollywood entre platéias do mundo todo há mais de cem anos confirma essa verdade essencial. Em uma época de globalização, o poder emocional das imagens é traduzido facilmente entre as diversas culturas e faz dos filmes de Hollywood um dos maiores produtos de exportação dos Estados Unidos. O cinema não é simplesmente entretenimento, uma espécie de montanha-russa de emoções para platéias no escuro. Como indica o título da revista, “A Indústria do Cinema Hoje”, uma maneira de ver o cinema americano é como um tipo de indústria. Uma verdade óbvia, porém quase sempre ignorada, é que o sucesso ou o fracasso de um filme se dá primeiro na intensidade do entusiasmo do mercado. Por que as pessoas pagam para ver um filme? Essa é a principal pergunta que os magnatas da indústria cinematográfica se fazem quando analisam o projeto de um possível filme e essa é a chave para entender os filmes americanos. Ao mesmo tempo, a produção cinematográfica é mais do que um negócio. Ela é também uma forma de arte altamente colaborativa que emprega centenas de pessoas em um único filme — dos “talentos” milionários que atuam, dirigem e escrevem aos profissionais habilidosos que constroem os cenários, iluminam as cenas e maquiam as estrelas. Por fim, como todas as formas de cultura popular, um filme contém determinados valores maiores que seus criadores inevitavelmente embutem como resultado das centenas de escolhas necessárias na execução de um filme. Mas raramente esses valores assumem a forma de mensagens ou temas explícitos; eles são mais freqüentemente um resultado subconsciente do que todos os cineastas procuram fazer — prender a atenção do público. O que, então, é americano nos filmes americanos dos dias de hoje? Há uma resposta bem conhecida e de certa forma estereotipada: o campeão de bilheteria, um sucesso avassalador que vende ingressos ao redor do mundo e dá muito lucro. Esse termo normalmente sugere um filme de ação ou um thriller, com orçamento acima de US$ 100 milhões e um astro acostumado a atrair as platéias. O astro interpreta um herói atlético, inteligente e determinado que enfrenta muitos obstáculos para vencer alguns vilões extremamente malvados com um plano que ameaça grande parte da civilização. Os espectadores esperam encontrar em um campeão de bilheteria mudanças repentinas na trama, cenas elaboradas de perseguição e grandes explosões. Por outro lado, o campeão de bilheteria provavelmente não se aprofundará muito no cenário social de fundo nem no caráter dos personagens nem fará uma representação realista da vida das pessoas comuns. No Oscar de 2007, o ator Will Smith expressou uma opinião diferente: “O fio condutor comum dos filmes americanos, aquilo que os diferencia como americanos, é a ausência de um fio condutor comum. Cada um deles é tão diferente como o próprio país, alguns nos apóiam e torcem por nós, outros zombam de nós, alguns cantam por nós, outros choram por nós, mas todos contam ao mundo como somos como pessoas: um país que evolui por intermédio de nossas diferenças sociais, políticas e religiosas.” Aqui Smith destaca vários valores comumente associados aos Estados Unidos: primeiro, a idéia de que esta nação é uma obra em andamento, cujo sistema político a permite caminhar na direção de seus ideais e, segundo, a diversidade, a celebração da multiplicidade do povo americano. Ao olhar para a indústria cinematográfica de Hollywood é fácil ver outros valores prezados pelos americanos: inovação, empreendedorismo, otimismo, criatividade e uma abertura para outras culturas que quase sempre assume a forma de imigração. Um dos objetivos de apresentar esta edição da revista eJournal USA é deixar claro para os nossos leitores que os filmes americanos são muito mais ricos e mais variados do que o estereótipo do campeão de bilheteria pode sugerir. Os artigos desta edição capturam uma indústria em fluxo contínuo. Nossos autores analisam a crescente internacionalização da indústria cinematográfica, tanto em termos de público quanto de talentos para a produção cinematográfica; o surgimento de um estilo mais pessoal de produção cinematográfica independente nos últimos anos; o mercado para filmes produzidos por estrangeiros nos Estados Unidos; e os efeitos da internet e da revolução digital no modo como os filmes são feitos e distribuídos. Textos menores enfocam festivais de cinema como o Sundance, que promovem jovens talentos, e os esforços de alguns estúdios para aderir ao verde ao fazer cinema. A Galeria de Fotos destaca alguns dos quadros multinacionais de jovens roteiristas, diretores, produtores e atores que estão causando sensação no caldeirão competitivo de Hollywood. Portanto, sim, como diria Richard Brooks, ao entrar no século 21 os filmes de Hollywood ainda abastecem o mundo com um rico tesouro de iconografia e emoção. Nas palavras de Richard Schickel, decano dos críticos de cinema americanos: “A tradição do cinema americano sempre operou acima e abaixo do intelecto.” Os editores |
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