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Justin Britt-Gibson

Jovens do Mundo Constroem o Futuro

ÍNDICE
Sobre Esta Edição
"Eles São Meus Filhos"
Os Jovens com a Palavra
Hospitalidade Romana
Uma Experiência que Mudou Minha Vida
Fazendo a Diferença
Batendo Bola
Vivendo e Aprendendo na Diversidade
Rumo a 2020 em Meio aos Ecos do Passado
Almoço em Ruanda
Sobre a marcha em memória dos mortos
Vídeo ícone de vídeo
Jovens do Mundo Constroem o Futuro
Inspirar, Informar, Envolver
Conhecendo Pessoas e Trocando Idéias On-line
Uma Experiência Pessoal em Relações Internacionais
O que Devo Fazer?
Onde Obter Informações?
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Justin Britt-Gibson
Justin Britt-Gibson em Los Angeles, Califórnia, em 2007 (Cortesia: Justin Britt-Gibson)

Jovem americano quer pautar sua vida por um ritmo que conheceu em Roma.

Justin Britt-Gibson, 25 anos, estudou no campus de Roma da Universidade de Temple no primeiro semestre de 2004. Cursou cinema e redação criativa na Itália e graduou-se em cinema e comunicação naquele mesmo ano. Justin mora agora em Los Angeles, onde tenta a carreira de roteirista.

Era meados de janeiro de 2004 quando aterrissei em Roma. Era inverno, e uma chuva fria lavava as ruas pelo que parecia uma eternidade. Era a minha primeira viagem ao exterior e eu mal conhecia uma palavra do idioma.

Quando cheguei na cidade, uma profusão de letreiros, cartazes e faixas deixava claro que a barreira da língua seria um tremendo obstáculo a ser vencido. Lembro de que me perdi no primeiro dia na cidade e, nos dias que se seguiram, passei perguntando às pessoas em inglês, feito bobo, o caminho, ou pedindo alguma coisa no café local, assassinando o pouco de italiano que sabia. E como poderia esquecer do câmbio – o todo-poderoso euro drenando meu cartão de crédito sem piedade, graças à sua cotação superior em relação ao dólar americano.

Depois, havia o café.

Para um americano saudável, viciado nas xícaras de café de tamanho gigante servidas na Starbucks, levou algum tempo para me acostumar ao expresso. “Onde está o resto?” Com freqüência me perguntava, olhando para a minúscula xícara com uma pequena porção de cafeína. Por fim, havia o café da manhã: croissants, pães doces, rosquinhas e uma variedade de outros pães. Como sobreviveria por quatro meses sem meus ovos, panquecas, bacon e torradas? Eu estava começando a acreditar que não havia sido feito para viver no exterior, que estaria melhor se tivesse ficado na faculdade no último semestre, em um ambiente mais familiar. Então, sem mais nem menos, alguma coisa milagrosa aconteceu... um evento que sozinho abrandou meu temor de alienação e a saudade de casa.

Fiz amigos.

Desafiando o tráfego humano que inundava a Piazza del Popolo [Praça do Povo] com colegas estudantes, encontramos um pequeno bar subterrâneo. Um lousa escrita com giz ao lado da entrada do bar anunciava bebidas baratas, e a escolha foi imediata. Foi ali que encontramos os nossos futuros melhores amigos, Fabrizio, Federico, Antonello e Flavia, sentados em uma mesa em frente à nossa, desejosos de fazer contato. Fabrizio intrepidamente arrastou seu banco para a nossa mesa, apresentou-se, e perguntou de onde vínhamos. Em minutos, o resto da turma de Fabrizio juntou-se a nós. Ficamos conversando até a hora em que o bar fechou, comparando nossas respectivas culturas, aprendendo as diferenças e as muitas similaridades. Quando fomos postos para fora, ganhamos as ruas.

Subimos a escadaria da Praça de Espanha e nos deparamos com uma vista magnífica de toda a cidade. Ao assistir ao nascer do sol no topo daquela majestosa escadaria, quaisquer dúvidas, receios ou frustrações que eu mantivera com essa nova experiência caíram por terra.

Uma caminhada noturna tornou-se um passeio por Roma que varou a noite inteira. Visitamos a Fonte de Trevi, uma famosa escultura mostrada em um dos meus filmes favoritos, La Dolce Vita. Fiquei boquiaberto quando, ao caminhar pela Praça Navona, nos deparamos com a movimentação intensa de artistas e comerciantes de rua. Caminhamos ao longo dos muros da Cidade do Vaticano e caçoamos dos guardas de segurança do cemitério que dormiam confortavelmente dentro de seus veículos durante o turno. Por fim, subimos a escadaria da Praça de Espanha e nos deparamos com uma vista magnífica de toda a cidade. Ao assistir ao nascer do sol no topo daquela majestosa escadaria, quaisquer dúvidas, receios ou frustrações que eu mantivera com essa nova experiência caíram por terra. De repente, senti-me em casa nesse novo cenário e esperei com ansiedade por mais passeios noturnos junto com meus novos “irmãos” romanos.

No decorrer do semestre, Fabrizio e sua turma nos mostraram a verdadeira face de Roma. Nem mapas nem guias de viagem se comparam aos nossos navegadores romanos, que nos mostraram os locais noturnos mais ocultos da cidade. Bares onde se fuma narguilé, discotecas, bares, cafés – conhecemos todos eles. Quanto mais nos aventurávamos, mais amigos eu fazia ao longo do caminho. Na verdade, meus passeios noturnos tornaram-se tão comuns, que meus estudos deixaram de receber toda a minha atenção. Mas como poderia eu me ater aos livros, quando a Itália real me chamava fora dos portões da universidade?

Bem depressa me acostumei à vida na Cidade Eterna. Senti que tinha encontrado um novo lar. Imagine chegar à conclusão de que você está vivendo os melhores momentos de sua vida. Minha experiência em Roma foi, e continua sendo, difícil de ser suplantada.

Tornei-me um morador local, dando aos turistas dicas de lugares a serem visitados e conversando em italiano. Graças à interação diária com os meus amigos locais, eu estava falando o idioma mais fluentemente e com mais freqüência. Meus amigos eram meus professores informais de italiano. Nas noites de véspera de provas eu geralmente estava com Fabrizio e Federico, que repassavam as questões básicas e me ensinavam atalhos para entender melhor seu idioma.

E então chegou a última semana. Com os exames concluídos e trabalhos entregues, passei cinco dias tristes me despedindo de Roma e dos amigos que fiz durante o semestre. Sem a ajuda deles, minha vida no exterior não teria se tornado a experiência culturalmente rica e gratificante que foi.

Eu estava encantado com a minha experiência em Roma, com seu ritmo de vida confortável e tranqüilo. Os italianos dão prioridade à família e aos amigos e ainda têm um compromisso, ainda que bem flexível, com o trabalho. É claro que meus amigos italianos tinham empregos, mas eles não pareciam tão obsessivos nesse aspecto como as pessoas nos Estados Unidos geralmente são. Passados três anos, é essa dicotomia entre as duas culturas que eu luto para contrabalançar aqui na América – a obsessão pelo trabalho, pela carreira no meu país com o ritmo mais sossegado de Roma.

Três anos depois daquele semestre no exterior, Roma ainda permanece gravada nos meus pensamentos. Não passa nem um dia sequer que eu não sinta a tentação de largar tudo e fugir para a capital da Itália para recomeçar tudo do ponto em que deixei em 2004. Graças às amizades valiosas que mantenho até hoje, terei sempre à minha disposição alguns sofás, caso um dia eu resolva voltar.

Espero apenas retribuir na mesma moeda aos meus amigos romanos quando eles puderem me visitar nos Estados Unidos.

Jovens do Mundo Constroem o Futuro

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