Entrevista com Eric e Lela Marcus
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Pergunta: Como é receber um novo estudante de intercâmbio em sua casa? Eric: Eu sempre digo às famílias que possam vir a hospedar um estudante, e digo aos estudantes também, que uma família tem 15 ou 16 anos para conhecer seus próprios filhos. Essas crianças têm o mesmo período de tempo para saber como seus pais reagem. Mas um estudante de intercâmbio tem cerca de 15 ou 16 minutos para tudo isso quando se muda para a casa de alguém. É um esforço de ambos os lados, porque eles simplesmente não sabem como a família funciona: o que é certo, o que é errado, o que é aceitável, o que não é aceitável..., então, estamos sempre nos deparando com limites. Porém, algumas vezes tudo se encaixa. Tivemos uma moça da Argentina dois anos atrás que era uma pessoa simplesmente incrível. Ela veio para nossa casa, e era como se tivesse nascido lá. Lela: “Ela é um tesouro.” Nós ensinamos essa frase americana para ela e ela simplesmente adorou. Trocou seu nome por esse na internet. Eric: Era como se ela tivesse sido um dos nossos filhos a vida toda. Minha mulher e ela não se largavam. Montaram o barzinho polinésio lá fora, porque quando ela veio era verão. Elas colocaram todas aquelas lamparinas e cordões de luzinhas e sentavam-se lá, bebericando aperitivos não alcoólicos enfeitados com guarda-chuvas. Eric: O que a experiência de ser uma família anfitriã traz para sua própria família? Como isso muda a sua visão de mundo? Eric: Antes de mais nada, eu agora tenho filhos em sete países diferentes. Eles são como se fossem meus filhos. Eles me mandam e-mails, mandam muitos e-mails para minha esposa. Lela: Eles não são como se fossem meus filhos. Eles são meus filhos. Eles são meus filhos e me chamam de “mamãe”. E eu os amo. Trazem vida para a casa. Estamos envelhecendo, mas ainda somos jovens. Mas estamos envelhecendo, e nos tornando provedores de ninhos vazios, e isso é triste. Construímos esta linda casa para uma grande família, e é tão divertido ter toda essa vivacidade, esses jovens e suas experiências de vida.
É divertido vê-los cometer seus próprios erros, sabe, mesmo os grandes, os ruins. Porque eles têm de aprender, e é bom estar aqui quando eles precisam de um ombro para chorar ou alguém que os incentive, os estimule e lhes mostre o caminho certo. Como quando estão com saudades de casa. Esse é um grande problema para esses estudantes de intercâmbio. Eles têm saudades de casa mesmo, muita saudade. Não me importo se eles conversam com a família e os amigos para saber das novidades, mas não podem fazer isso durante 24 horas por dia, sete dias por semana. Eles precisam soltar-se e tornar-se adultos. Eric: Outra coisa que descobri, e que é muito engraçado, é que esses jovens não costumam dizer “não”. Para os adolescentes americanos, se você quiser fazer um programa com a família eles reagem, “Ei, sair com mamãe e papai?” Se você pergunta aos estudantes de intercâmbio, “você quer ir à mercearia?” “Quero sim!” “Você quer ir ao Wall-Mart?” “Quero sim!” “Você quer ir a um jogo de beisebol?” “Quero sim!” “Você quer ir à casa de nossos amigos?” “Quero sim!” Qualquer coisa que você queira fazer, eles estão prontos para vestir o casaco e acompanhar. Você pode levá-los a qualquer lugar que for e eles não ficam envergonhados por serem vistos com os pais. O que é diferente dos nossos próprios jovens. Para eles, não é legal andar com os pais. Estudantes de intercâmbio são curiosos sobre tudo. Talvez em suas próprias casas eles se comportem como os nossos adolescentes, mas, porque estão aqui, eles querem fazer coisas que não fariam em casa. Como não somos realmente seus pais, eles não nos vêem realmente como seus pais, mas, no final, quando vão embora, nós somos mamãe e papai. Geralmente, no programa de intercâmbio do Rotary, eles têm duas ou três famílias. Eles nos chamam de mamãe e papai, e isso é mesmo muito bom. P: De que outras formas você os acha parecidos ou diferentes dos seus próprios adolescentes? Lela: O sotaque é diferente, o idioma é diferente, mas eu acho que eles são como nós. Eles choram como nós, sangram como nós, não é? Eles são apenas crianças; metem-se em encrencas como os nossos jovens. Eric: Eles fazem algumas coisas idiotas que os nossos adolescentes também fazem. Lela: Porém, eles são um pouco mais cautelosos. Eric: Talvez deixem de fazer a lição de casa, ou façam alguma coisa que não deveriam, metendo-se em encrencas de vez em quando, exatamente como nossas crianças. Desse ponto de vista, adolescentes são adolescentes em todo lugar. A gente descobre que eles são feitos no mesmo molde. A única coisa diferente é que eles vêm de um país diferente; têm um sotaque diferente e uma cultura diferente. Mas é divertido conhecer outras culturas também. Tivemos uma estudante da Tailândia, uma menina, por apenas duas semanas, antes que ela se mudasse para outra família. Fomos a uma mercearia oriental e ela ficou louca, comprando todas aquelas coisas da Tailândia. Levamos tudo para casa e ela nos preparou um grande jantar tailandês, que foi muito bom. Lela: Foi surpreendente. Eric: E, assim, experimentamos um pouco das coisas dos seus países. A gente os ouve falar dos seus países. Aprendemos sobre eles, tanto quanto eles aprendem sobre o nosso.
Alguns deles não dominam o inglês quando chegam aqui. Ajudando-os a aprender o idioma e vendo-os ao final do intercâmbio, parecem que são dos Estados Unidos. P: Vocês estão acolhendo esses jovens em sua casa de uma maneira muito pessoal, mas vocês também se vêem desempenhando um papel no entendimento internacional? Lela: Sim, vemos. Eric: Estou muito envolvido com o Rotary e vou às convenções. Dois anos atrás, o presidente do Rotary disse que se todos os jovens de 17 anos se tornassem estudantes de intercâmbio não teríamos mais guerra, porque eles iriam a outros países e os conheceriam in loco, seriam verdadeiros cidadãos do mundo – e não desejariam entrar em guerra com outros países. Creio que isso é óbvio, realmente acredito. P: E quanto à sua comunidade? Em Beavercreek, Ohio, vocês apresentam os estudantes aos amigos e vizinhos que encontram na mercearia. Vocês os estão ajudando a conhecer um pouco melhor outros países por meio desses jovens? Lela: Sim, creio que sim. Acredito que todos se apaixonam por esses intercambistas, tanto quanto nós. Eles falam sem parar sobre suas experiências enquanto estão aqui. As pessoas se apaixonam por eles e os ajudam também. Quando estão na escola, os jovens os aceitam muito bem. Eles se adaptam como uma luva. Eric: Acredito que a integração é maior com os jovens do ensino médio. Eles se tornam parte da classe. Todos na escola sabem quem eles são. Conhecem jovens de outro país e aprendem com eles. E o melhor sobre o programa do Rotary é que enviamos jovens americanos em intercâmbio com esses jovens. Para cada estudante que vem aos Estados Unidos, um estudante americano também vai ao seu país. É um por um.
As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA. | |||||