Webchat com membros da Casa de Coexistência do Oriente Médio
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Durante o ano letivo de 2006-2007, onze universitárias de diferentes religiões moraram e estudaram lado a lado em um dormitório chamado Casa de Coexistência do Oriente Médio, no campus da Universidade Rutgers. As estudantes — algumas nascidas nos Estados Unidos, outras filhas de imigrantes e outras ainda do Oriente Médio e outros lugares — concordaram em morar na casa para se conhecerem, conhecer suas culturas e discutir assuntos de importância para o Oriente Médio, na esperança de melhorar as relações entre pessoas de diferentes religiões. A estudante Danielle Josephs fundou a Casa de Coexistência do Oriente Médio para superar as diferenças entre judias, israelenses, árabes, muçulmanas e cristãs na Rutgers e incentivar o envolvimento das mulheres na resolução e negociação dos conflitos internacionais. Danielle agora tem o diploma de estudos sobre o Oriente Médio pela Faculdade Douglass, faculdade feminina da Universidade Rutgers. Filha de mãe americana e pai israelense, Danielle quer se tornar negociadora ou formuladora de políticas do Oriente Médio. Danielle e três outras residentes da Casa de Coexistência do Oriente Médio participaram de um webchat patrocinado pelo usinfo.state.gov em abril de 2007. As mulheres da casa — identificadas abaixo pela sigla MECH — responderam a perguntas de participantes do webchat durante uma hora. Alguns envolvidos estavam usando seus apelidos na internet e um grupo estava on-line por meio de facilidades técnicas fornecidas pelo Centro de Recursos de Informação (IRC), afiliado à Embaixada dos EUA no Cairo, Egito. A transcrição minuto a minuto deste evento cibernético foi editada por motivo de clareza e extensão. 07:52:42 Danielle da MECH: Sou Danielle Josephs. Bom dia! Agradeço a todos a participação neste bate-papo. Dalia da MECH: Oi para todos. Meu nome é Dalia [Gheith]. Sou caloura da Faculdade Douglass. Estou interessada em línguas estrangeiras e assuntos e relações internacionais. Sou de origem palestina e vivi na Arábia Saudita e na Jordânia durante onze anos antes de vir para os Estados Unidos. Sara da MECH: Oi. Meu nome é Sara Elnakib. Sou uma das muçulmanas da Casa de Coexistência do Oriente Médio. Sou uma estudante de 22 anos, quartanista do curso de Ciências da Nutrição da Universidade Rutgers. Atualmente vivo em Paterson, Nova Jersey; contudo, nasci no Egito e vim para os Estados Unidos quando tinha três anos de idade. Estou à disposição para responder a qualquer pergunta. :) Samantha da MECH: Oi. Eu sou Samantha Shanni. Estou feliz por estar aqui. Sou secundanista de psicologia e estudos do Oriente Médio. Cresci em família de várias religiões. Minha mãe é cristã e meu pai, judeu. 07:59:35 Warda: Oi. Sou Warda da Universidade de Oran, na Argélia. Quais são os esforços dos jovens americanos para superar a diversidade religiosa e étnica? Obrigada. Danielle da MECH: Oi, Oran. Há inúmeros esforços básicos nos campi de faculdades americanas para superar as diferenças culturais e aceitar a diversidade. Nossa casa é um exemplo. De fato, nossa casa de coexistência é a primeira comunidade de vivência e aprendizado dessa espécie em qualquer campus de faculdade americana. Nosso modelo será copiado no ano que vem em vários campi de faculdades americanas, inclusive na Universidade de Michigan, em Ann Arbor. 08:03:51 Benama: Desculpe falar isto, mas ao dizerem que estão superando diferenças religiosas e étnicas, vocês não estão privilegiando suas religiões. Todas as religiões puras pedem a coexistência entre as nações, então o problema não é religioso, porque para mim, como muçulmana, sei que um judeu foi vizinho de nosso profeta Maomé (que a paz e bençãos de Allah estejam sobre ele) durante anos na sua cidade (a cidade do profeta). Dalia da MECH: Oi, aqui é a Dalia. Como não estamos privilegiando nossas religiões? Ao contrário, acredito que estamos fazendo coisas boas por nossas religiões quando convivemos com membros de outras religiões, porque mostra que há pessoas da nossa comunidade religiosa que estão abertas e dispostas a coexistir com membros de diferentes religiões e aceitá-los. De qualquer forma, pessoalmente acredito que surgem problemas com as interpretações de doutrinas religiosas, não com as próprias doutrinas. Concordo com você, penso que nenhuma religião é um problema. 08:08:07 April2: Você se surpreendeu em certos momentos? Quero dizer, um comentário, uma troca de experiências ou uma ação que abriu seus olhos sobre pessoas de culturas diferentes e como vêem o mundo? O que aconteceu? Danielle da MECH: Oi April. Penso que há surpresas todos os dias. Quando se vive com alguém, você passa a conhecê-lo em outro nível completamente diferente. Todos os dias há oportunidades de aprendizado. Todo encontro amplia sua base de conhecimentos. Por exemplo, no início do projeto, eu não sabia que as mulheres muçulmanas podiam tirar seus hijab (véus) na presença de outras mulheres. Durante a primeira semana, quando uma de minhas colegas da casa tirou o véu, eu praticamente fugi para outro lugar para não embaraçá-la. Mais tarde ela me disse que isso era totamente apropriado. IRC Cairo: Dalia, a princípio você sentiu raiva de viver com uma estudante judia sendo de origem palestina? Dalia da MECH: Aqui é a Dalia. Não, não senti. De fato, eu já estava imaginando que viveria entre judeus na Casa de Coexistência do Oriente Médio. Eu queria que isso acontecesse porque, se não fosse assim, não seria uma verdadeira experiência de "coexistência do Oriente Médio" para mim. 08:12:38
April2: E quanto a suas outras amigas que não fazem parte da casa? Elas a visitam...e se tornam uma espécie de participante ocasional na experiência de coexistência? Dalia da MECH: Muitos de meus amigos foram afetados por nosso projeto. Ele pode mudar a atitude de uma pessoa sobre como resolver o conflito. Também pode dar esperança aos estudantes, porque estamos tentando uma nova estratégia e não desistimos. Falar com pessoas conhecidas sobre este projeto também trouxe a conscientização sobre a cultura muçulmana e como é viver com alguém religioso ou alguém do Oriente Médio. 08:14:49 Ali Eid do Cairo: Como os muçulmanos vivem em paz com não-muçulmanos nos EUA? Dalia da MECH: Aqui é a Dalia. Acredito que para nós, muçulmanos, vivermos em paz com não muçulmanos nos Estados Unidos, devemos compreender bem a tolerância citada e promovida por nossa religião. Por conseqüência, vamos nos tornar mais abertos e aceitar lidar com pessoas de diferentes religiões e viver com elas. Para muçulmanos que estão vivendo em coexistência com membros de diferentes religiões, penso que estão fazendo exatamente isso – aceitar pessoas de diferentes credos e entender o fato de que suas doutrinas promovem a tolerância. 08:19:46 Maha do Cairo: Sara, fale-me sobre sua experiência de viver lado a lado com estudantes de diferentes culturas e religiões. Sara da MECH: Oi, Maha. Esta casa teve um impacto muito grande na minha vida. Acima de tudo, aprendi muito sobre diferentes culturas. Caso alguém entre em nossos quartos, digamos, às 2 da manhã, poderá ver uma cena comum: estarmos discutindo religião, política e a vida. É muito interessante porque, mesmo conhecendo judeus e cristãos durante toda a minha vida, nunca tive coragem de perguntar-lhes sobre suas vidas. Esta casa deu-me a oportunidade de aprender realmente não apenas sobre a cultura dos judeus, mas também sobre muitas outras culturas. 08:21:12 IRC Cairo: Oi Danielle. Sou Sally, do Egito. Gostaria de perguntar sobre sua visão do islamismo e como os muçulmanos são tratados na América? Há uma boa comunicação entre você e os judeus e cristãos? Danielle da MECH: Oi Sally. Obrigada por sua pergunta. Para ser bem honesta com você, o islamismo sempre me fascinou. Meu pai é judeu iraquiano. Os pais dele nasceram e cresceram no Iraque — moraram toda a sua vida lá. Meus avós do Iraque cresceram convivendo com seus vizinhos árabes e muçulmanos. Na Rutgers, estudei árabe e penso que é um idioma maravilhoso. Como também falo hebraico, tive facilidade para aprender o árabe. Tenho muitos amigos muçulmanos, e é triste saber das experiências por que passam atualmente devido à sua origem. É especialmente frustrante saber que minhas colegas muçulmanas, cuja maioria usa véu, sofrem discriminação diariamente. Estou determinada, por meio deste projeto, a desmistificar as opiniões equivocadas sobre o islamismo e as mulheres muçulmanas. 08:44:30 JRabadov: Você conseguiu superar as diferenças religiosas entre muçulmanos, judeus e cristãos? Se sim, o que fez até aqui para lidar com essa variedade de culturas? Dalia da MECH: Aqui é a Dalia. Acredito que conseguimos superar as diferenças religiosas entre os três grupos religiosos na Casa de Coexistência do Oriente Médio. Ao concordar em viver juntas, também concordamos em aceitar umas às outras, independentemente de nossas religiões. Tentamos entender os pontos de vista dos outros e aprender sobre suas origens. Tentamos promover a mensagem de coexistência fora de nossa residência e mostrar a outras pessoas dentro e fora de nossa universidade o que temos feito. Samantha da MECH: Em nossa “aula sobre a casa”, uma coisa importante que fazemos para superar as diferenças culturais é aprender a história de diferentes culturas e países. Aprendemos como o Oriente Médio tornou-se o que é atualmente e também sobre costumes, tradições e práticas culturais. Às vezes vemos similaridades entre culturas e filosofias que nos surpreendem. Essa prática é importante porque, para ajudar em um conflito, você deve entendê-lo antes. 08:53:54 IRC Cairo: Sara, oi, e quanto à influência dos intelectuais muçulmanos americanos no mundo árabe? Sara da MECH: Pessoalmente, acredito muito no poder dos muçulmanos americanos sobre o mundo árabe. Com os conhecimentos e a formação recebidos nos Estados Unidos, eles podem ter muita influência no Oriente Médio. Quanto a mim, estou planejando voltar a viver no Egito após minha formatura e espero mudar de alguma forma a assistência médica no Oriente Médio. 09:00:22
IRC Cairo: Como vivem os muçulmanos nos EUA atualmente? Sara da MECH: Os muçulmanos vivem muito bem nos Estados Unidos, hoje em dia. Após o 11 de Setembro de 2001, houve um enorme movimento dos não-muçulmanos para entender o islamismo. E desde que houve esse aumento de debate e discussão sobre a religião, as pessoas começaram a ver que há conceitos muito simples e pacíficos no islamismo. Isso fez com que as pessoas tivessem menos temor e ficassem mais tolerantes e receptivas em relação aos muçulmanos. Contudo, não é o caso de todos; penso que depende principalmente de onde você vive. Muitas pessoas ainda não entendem o islamismo e não querem entender. Como moça muçulmana que usa véu, me deparo com observações maldosas a princípio, mas lido com isso sendo gentil e boa com os outros e tentando discutir esses assuntos em vez de simplesmente deixá-los ir sem conhecer melhor o islamismo. IRC Cairo: Samantha, como você, uma cristã, consegue lidar com pessoas de religiões diferentes? E qual é a imagem delas sobre os cristãos coptas na sociedade americana? Samantha da MECH: Fui acostumada a lidar com outras religiões porque metade da minha família é judia. Ao falar sobre o cristianismo na sociedade americana, descobri que muitas pessoas somente falam dos evangélicos ou dos cristãos extremamente conservadores no governo. É parecido com o modo estereotipado com que vêem os muçulmanos, como se fossem uma coisa só. Quanto mais se conhece sobre religiões, menos isso acontece. 09:09:42 Dalia da MECH: Obrigada a todas por suas perguntas! Responder a elas foi uma experiência agradável. Espero que minhas respostas tenham dado uma idéia da vida na Casa da Coexistência do Oriente Médio e nos Estados Unidos em geral. Adeus a todos. Danielle da MECH: Oi pessoal. Foi um prazer conversar com vocês. Apreciamos seu apoio e interesse. Por favor, continuem o trabalho valioso que estão fazendo em todo o mundo na luta para criar oportunidades de diálogo entre as pessoas de diferentes religiões e origens étnicas. É vital o nosso apoio mútuo e nossa participação ativa na sociedade global da atualidade. Muito obrigada. Sara da MECH: Espero que todos tenham achado o webchat produtivo. Obrigada por essa oportunidade! Espero que nossa mensagem e nosso projeto continuem a ser divulgados, de modo que outros aprendam com eles. Obrigada novamente! Samantha da MECH: Muito obrigada por sua atenção. Espero que essa discussão tenha ajudado seu entendimento sobre a casa e nossa iniciativa.
As opiniões expressas pelos participantes do webchat são próprias e não refletem necessariamente a posição nem as políticas do Departamento de Estado dos Estados Unidos. | ||||||