Estudantes Estrangeiros Encontram um lar e um Propósito GlobalRichard Holden
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Bata no ombro de qualquer estudante estrangeiro da Faculdade Earlham e esteja certo de estar tocando um visionário. A pequena faculdade de artes liberais costuma atrair estudantes empenhados em encontrar soluções justas e pacíficas para os conflitos do mundo. E a maioria deles não espera se formar para enfrentar os problemas globais. Jawad Sepehri Joya, do Afeganistão, e Yvette Issar, do Quênia, são dois dos alunos que sentiram essa necessidade de maneira acentuada. Os dois já estão encontrando muitas maneiras de aplicar seu conhecimento acadêmico aos problemas sociais e políticos do mundo. Estudantes estrangeiros em geral passam por experiências pessoais de injustiça no país de origem, o que direciona seu interesse. Jawad é um exemplo vivo de como a esperança e a dedicação ao trabalho podem superar circunstâncias que pareciam impossíveis de vencer. Vivendo na caótica cidade de Cabul e confinado a uma cadeira de rodas por causa da pólio, esse filho de mulçumanos xiitas analfabetos e pobres se via diante de um futuro sombrio no fim dos anos 1990. O regime Taleban desestimulou a educação em geral − e em particular para meninas e deficientes. Um médico italiano que trabalhava no escritório da Cruz Vermelha reconheceu o potencial de Jawad e conseguiu vários professores clandestinos para ele. Jawad mostrou grande facilidade para línguas e informática. Aos 13 anos, estava trabalhando na Cruz Vermelha como programador e começando a antever um futuro de realizações para si. Graças à sua amizade com o médico e com um jornalista italiano que conheceu em 2002, depois da queda do regime Taleban, Jawad conseguiu sair do Afeganistão devastado pela guerra e ser admitido em uma escola de Trieste, na Itália. Quando estava concluindo seu bacharelado internacional em Trieste, candidatou-se a diversas faculdades nos Estados Unidos e no Canadá. Earlham foi uma das instituições de grande rigor acadêmico que o aceitou e lhe ofereceu uma bolsa de estudos integral. “Minha satisfação de estar aqui não poderia ser maior”, afirma Jawad com seu largo sorriso de sempre. “Acho que aqui posso trabalhar naquilo que acredito com muito mais intensidade do que em uma universidade grande. Agora, ao cursar seu segundo ano em Earlham, está concentrando seus estudos na área de ciências com cursos complementares em humanidades e ciências sociais. “A partir das minhas experiências, interesso-me cada vez mais em estudar a paz de um ponto de vista naturalista”, explicou. “Em biologia existe a questão da competição entre as espécies. Como os seres humanos constituem uma dessas espécies, estou estudando o problema sob novos ângulos – procurando maneiras de sermos competitivos com humanidade.” Jawad pretende seguir esse seu interesse na pós-graduação, esperando que com isso consiga uma indicação para uma universidade, fundação ou instituto de pesquisas de alto nível. Participante ativo da vida social e extracurricular do campus, Jawad é membro da Model U.N. (Nações Unidas), do Clube de Estudos Globais e da Paz, da Anistia Internacional e da União dos Estudantes Asiáticos. Para complementar sua bolsa de estudos, faz estágio remunerado no programa de Estudos Globais e da Paz (PAGS) de Earlham para pesquisar formas de tornar o currículo do PAGS mais eficaz. No terceiro trimestre deste ano ele foi um dos 40 delegados de faculdades dos Estados Unidos na Conferência Japão-EUA, realizada na Universidade de Stanford, em Stanford, na Califórnia. Em seguida, foi trabalhar na Sociedade de Profissionais Afegãos na América do Norte com sede em Fremont, Califórnia. Este ano, o trabalho de Jawad lhe rendeu o prêmio de melhor aluno concedido pela Associação Nacional de Defesa da Paz e da Justiça “por suas contribuições na busca da paz e da justiça no campus, na comunidade e no mundo todo”. Esse reconhecimento foi acompanhado de prêmio semelhante, concedido pela Conferência dos Estudantes em Defesa da Paz do Programa Plowshares realizada na Faculdade de Goshen, em Goshen, Indiana. Hoje, com seu histórico afegão, italiano e americano debaixo do braço, Jawad, de 20 anos, se diz um “cidadão do mundo” e acrescenta: “Agora o que eu preciso é de um visto global.” Yvette Issar é uma estudante estrangeira do terceiro ano da faculdade em Earlham. Ela foi atraída pelo legado Quaker e pelos princípios expressos de “não–violência, simplicidade e justiça social” da faculdade. Yvette é filha de indianos, nasceu e foi criada em Nairobi, no Quênia. “Sinto-me como alguém que pertence aos dois países, embora talvez me identifique mais com a Índia”, diz ela. “Quando cheguei [a Earlham], pensei que ia odiar viver em uma cidade pequena do meio-oeste”, confessa, “mas descobri que este lugar é maravilhoso. A comunidade acadêmica daqui é incrível, e o espírito de compromisso entre as pessoas à nossa volta é enorme”. Em Earlham, Yvette organizou uma unidade da Americanos pela Democracia Consciente (AID) que realiza videoconferências entre alunos de faculdades de todo o mundo para discutir problemas globais e buscar consenso para soluções. Atualmente há 70 estudantes responsáveis por unidades da AID nos Estados Unidos e no exterior. “Tudo começou quando participei de um retiro da AID onde conheci pessoas que tinham idéias fantásticas sobre como apresentar melhor os outros países aos americanos e, ao mesmo tempo, tornar a média dos americanos mais acessível aos povos de outras nações.” Neste ano, Yvette organizou quatro conferências, reunindo estudantes dos Estados Unidos com seus pares de países como Paquistão, Austrália, Filipinas, Honduras, Sri Lanka e muitos outros. Entre os tópicos que os alunos discutem constam “Respostas Globais a Desastres Naturais” e “Devem os Estados Unidos se Empenhar pela Democracia em Outros Países?” Assim como Jawad, Yvette tem participado intensamente da Model U.N. No ano passado ela representou o Líbano em uma sessão regional da Model U. N. em Chicago. “É sobre se colocar no lugar de outras pessoas para representar os interesses de um outro país”, ela explica. “Mas, mais do que isso, trata-se de aprender como trabalhar com outras pessoas em esforços coordenados para assumir compromissos para o bem global.” Yvette também encontra tempo para exercitar sua paixão pela música como membro do coral de concertos de Earlham. No segundo trimestre deste ano, ela participou do Programa Semestral de Corais Universitários de Viena. “Foi uma experiência maravilhosa”, afirmou, “poder ir ao coração da Europa e cantar naquelas catedrais gloriosas. Jamais me esquecerei”. Indagada sobre qual a lição mais importante que aprendeu na faculdade nos Estados Unidos, Yvette levantou os olhos para o teto pensativa. “Aprendi que comunidade é uma das coisas mais importantes para uma pessoa. Sem relacionamentos com os outros − e amor − você é apenas uma ilha em uma situação infeliz. Aprendi que as pessoas devem cuidar umas das outras, tomar conta de seus vizinhos. Talvez no fundo eu já soubesse disso, mas nos Estados Unidos eu realmente aprendi.
As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA.
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