PerfisReymundo Govea
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| Supervisor de jardinagem paisagística -
“Permitam-me falar sobre o sonho americano”, diz Reymundo Govea, 34 anos. “É a oportunidade que tive de trabalhar, me formar, mostrar meu valor, casar, comprar uma casa e morar em uma nação livre.” Reymundo tinha 14 anos quando seu tio o incentivou a deixar sua cidade natal de San Joaquin, no México, na época com apenas 40 habitantes, e se mudar para Houston, no Texas, para estudar. A mudança também uniria novamente Reymundo e seu pai, que estava em Houston trabalhando para sustentar a mulher e os quatro filhos em San Joaquin. Reymundo obteve um visto temporário para visitar Houston, decidiu ficar e entrou na 6a série. Ele não falava inglês. “Muito embora tenha lutado com a língua, tudo correu bem na escola por cerca de oito meses”, conta. Mas Reymundo descobriu que gostava de ter dinheiro para si próprio e para enviar para casa, portanto, abandonou a escola para trabalhar em restaurantes em Houston. Cerca de um ano depois, um primo que trabalhava em Baltimore (Maryland) para o The Brickman Group, empresa que presta serviços paisagísticos em todo o país, convenceu Reymundo, então com 16 anos, a ir para Baltimore. Reymundo economizou dinheiro e comprou uma passagem aérea. “Quando meu primo me levou para a Brickman para me candidatar a um emprego, disse a eles que tinha 18 anos porque eu realmente queria trabalhar lá”, diz. Era 1986, e os únicos documentos necessários para uma contratação eram uma carteira de identidade e um cartão da previdência social, que Reymundo havia obtido no Texas. Ele foi contratado e designado para uma equipe responsável por cortar a grama de um grande condomínio de apartamentos. Reymundo nunca se esquecerá de seu primeiro dia de trabalho. O condomínio de apartamentos era maior do que tudo que já havia visto, e todos os prédios, ruas e gramados pareciam iguais. Foi instruído onde deveria cortar a grama e onde deveria se encontrar com o resto da equipe quando terminasse. “Cortei a grama de um prédio, depois de outro e de outro e então percebi que estava perdido. Larguei o cortador e comecei a andar, na esperança de encontrar minha equipe. No fim estávamos todos juntos, mas ainda restava encontrar o cortador.” O primeiro supervisor de Reymundo era exigente e rigoroso: “Ele me ensinou a cortar, aparar, rastrear e plantar e a fazer tudo isso bem feito. Eu tinha de voltar e corrigir tudo que tivesse feito errado.” Reymundo estava determinado a aprender o máximo possível para que pudesse progredir, e alguns anos mais tarde seu trabalho duro foi recompensado. Ele teve a chance de supervisionar uma equipe de trabalho. “Fiquei animado com a promoção”, relembra, “mas tive então de admitir que havia mentido sobre minha idade quando fui contratado. Sei que não deveria ter mentido, mas precisava do emprego para ajudar minha família”. Nessa altura ele já tinha 18 anos, e a empresa concordou em mantê-lo no emprego, mas exigiu que obtivesse uma autorização de trabalho e uma carteira de motorista, e foi o que ele fez. Também começou a trabalhar para obter seu “green card” (para estabelecer residência permanente nos Estados Unidos) e a cidadania americana, que recebeu em 1995. Durante seus primeiros anos em Baltimore, Reymundo trabalhou durante o dia na Brickman e estudou inglês à noite. Foi difícil, mas sabia que tinha de aprender a língua para progredir. E assim foi. Cerca de cinco anos depois de se perder no condomínio de apartamentos, Reymundo tornou-se supervisor de manutenção da Brickman, responsável pela supervisão de seis equipes de cinco a seis homens cada uma, a maioria deles jovens hispânicos que também ansiavam por uma chance de mostrar seu valor. Seu conselho para eles é o mesmo que recebeu: “Vocês podem ter sucesso se forem disciplinados e tiverem disposição para fazer o que for necessário para um trabalho bem feito.” Reymundo acredita que a maioria dos problemas morais e éticos no trabalho pode ser evitada “desde que eu diga às minhas equipes o que espero delas profissional e pessoalmente, e o que acontecerá se quebrarem a confiança. Felizmente, tive pouquíssimos problemas desse tipo.” Não há dúvida de que Reymundo gosta de seu trabalho: “Este é o melhor emprego. Saio para trabalhar lá fora com os garotos e com os gerentes e tenho orgulho do que fazemos.” Reymundo está na Brickman há 18 anos e é considerado um funcionário excepcional. Mark Lucas, gerente da divisão de Baltimore do grupo, diz: “Reymundo apóia as pessoas; ele é ético, dedicado, trabalha duro, e é uma alegria tê-lo por perto.” Reymundo aparece nos vídeos de treinamento da Brickman e quase sempre fala para grupos de funcionários sobre sua vida. “Lembro as pessoas para não subestimarem os extraordinários privilégios que temos neste país”, diz. Muito mudou em 20 anos, desde que Reymundo imigrou para os Estados Unidos. “A tecnologia é a maior mudança, e levou um tempo até que eu me acostumasse com os computadores”, diz. “Também há hoje pessoas que falam espanhol em todo lugar, assim como muitas lojas de hispânicos.” Reymundo é casado e tem um enteado. Sempre que pode, aconselha os jovens a “estudar; se vocês derem duro, podem se tornar alguma coisa”. Quando não está trabalhando ou assistindo a um jogo de futebol americano do Baltimore Ravens, Reymundo ajuda seus vizinhos, muitos deles mais velhos, com seus projetos paisagísticos e com o trabalho de jardinagem. Há cerca de 10 anos, Reymundo trouxe a mãe e os irmãos para viver em Baltimore. “Minha família e minha fé são as coisas mais importantes da minha vida”, diz. — Cathy Lickteig Makofski Próximo perfil >>>>
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