Charles Hamilton Houston:
Um Visionário da Igualdade Racial
Mildred Solá Neely
 Charles Hamilton Houston em foto sem data (Registros do Estúdio Scurlock, Arquivo Central, Museu Nacional de História Americana, Centro Behring, Instituto Smithsoniano)
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Charles Hamilton Houston, orientador de Thurgood Marshall e
professor de Direito, foi o brilhante intelectual responsável pela elaboração
da estratégia que acabou com a segregação legalizada nos Estados Unidos. A
campanha de litígios lançada por Houston para reverter a decisão do processo Plessy
vs. Ferguson sobre instituições “separadas, mas iguais” preparou o caminho
para a vitória de Marshall no processo Brown vs. Conselho de Educação.
Houston acreditava firmemente no poder da lei como fator de mudança
social. Nos anos posteriores ao processo Plessy, os afro-americanos
perceberam que a existência de escolas “separadas, mas iguais” – instaladas em
prédios de má qualidade, freqüentemente superlotadas e com pouco ou nenhum
livro e material escolar – era pura enganação. Houston convenceu a Associação
Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP) de que era possível acabar
com a discriminação educacional se os processos judiciais da organização
conseguissem tornar a manutenção da segregação com “igualdade” extremamente
cara.
A quantidade de processos vencidos por Houston e depois por
Marshall como advogados da NAACP comprovou a tese de Houston. Quase um século
depois da Guerra Civil, o processo Brown proporcionou aos
afro-americanos melhores oportunidades educacionais. Entre elas, a de
freqüentar as principais faculdades e universidades dos Estados Unidos,
ingresso para uma vida melhor para muitos americanos negros e brancos.
Houston nasceu em 1895 em Washington, D.C. Tinha apenas 19 anos
quando se formou pela Faculdade Amherst e foi servir na I Guerra Mundial em uma
unidade segregada do exército americano. Estudou Direito na Universidade de
Harvard e foi o primeiro editor afro-americano da prestigiada revista jurídica
da instituição. Houston também recebeu o título de Ph.D. em Ciências Jurídicas
por Harvard e o grau de doutor em Direito Civil pela Universidade de Madri, na
Espanha.
Em 1924, Houston voltou para Washington e trabalhou em período
parcial como professor na Faculdade de Direito da Universidade de Howard, uma
instituição tradicionalmente para negros. Howard contratou Houston em 1929 para
chefiar a Faculdade de Direito. Em apenas seis anos, ele melhorou de forma
radical a educação dos estudantes afro-americanos de Direito, obteve o credenciamento
pleno da instituição e criou um grupo de advogados especializados em direitos
civis. No livro Black Profiles [Perfis de Negros], George R. Metcalf
revela que Houston aceitou o emprego com o objetivo de transformar Howard na
“West Point da liderança negra, para que os negros conquistassem a igualdade
combatendo a segregação nos tribunais”.
 O jovem Thurgood Marshall, de pé; Donald Gaines Murray, ao centro; e Charles Houston, à direita, preparam um processo de dessegregação contra a Universidade de Maryland, em 1935 (Biblioteca do Congresso)
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Durante o período em que esteve na Faculdade de Direito da
Universidade de Howard, Marshall lembrou que Houston “deixou claro para todos
nós que quando terminássemos, deveríamos sair e fazer alguma coisa com relação
à nossa vida”.
Em 1935, Houston tornou-se assessor especial da NAACP, cercando-se
de um grupo seleto de jovens advogados, a maioria deles de Howard. Essa equipe
– da qual Marshall fazia parte – começou a ganhar um processo judicial atrás do
outro na Suprema Corte. Esses processos sobre discriminação racial – que
tratavam de questões que iam desde a pena de morte à moradia – foram
cuidadosamente selecionados por Houston para pôr abaixo os fundamentos legais
da segregação.
Após assumir um desses processos que se tornou parte da ação Brown,
os problemas de saúde de Houston o obrigaram a se demitir do Fundo de Defesa
Legal da NAACP. Thurgood Marshall foi seu sucessor.
Houston morreu em 22 de abril de 1950, quatro anos antes de seu
brilhante aluno ganhar o processo Brown vs. Conselho de Educação.
Em seu funeral, o colega de Houston em Howard, William Hastie,
declarou em louvor cheio de lágrimas: “Ele nos guiou através da selvageria
legal da cidadania de segunda classe. Ele foi o verdadeiro Moisés dessa
jornada.”
Mildred Solá Neely é da equipe de redação do Bureau de Programas
de Informações Internacionais do Departamento de Estado dos EUA
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